contando as tempestades nesse inverno
vejo elas vindo do mar
em direção à minha janela
e então fecho-a e não vou deixá-las entrar na torre
elas parecem pedir pra entrar, e com violência
estão dentro de mim
mas busco a calma na água
que vem força, sei lá se vem algum força mesmo
as tempestades
seguirei vendo-as passar
com todo o vento que sopra forte
como se não tivesse mais mundo a não ser atravessar
a Rotunda da Boavista e ver como as árvores estão
sentir as estações
o que você faz pra ser filósofa?
sente desespero? e vontade de não ser nada
e aquele projeto que agora falam pra você melhorar
como vais provar a importância da forma pra biologia contemporânea?
ou pro animalismo, vais sim, quando voltares a ter força
até o vento soprando nos seus ouvidos parece valer mais que qualquer
sonho de filósofa
change you heart
não consegues sair daqui
por que não consegues?
parece que atravessas a rua com pressa, mas nem sabe pra onde
vai, a não ser pro outro lado da rua
o vento já vai lhe parar de novo?
A sua vida parou no Porto Morto?
parece esperar que sua vida mude por uma espécie de milagre
estás perdida e agora já sabes que não há como pedir ajuda
os teus deuses vivos estão longe demais e não és mais uma menina
pedir o que pra quem?
a ninguém
só tens o invisível
Deus talvez
mas sua fé parece ir desaparecendo
está fraca no sonho
como se visse latina-americana pouco evoluída
e pouco educada
ao lado de tantos sujeitos brilhantes por aí
já nem tens vontade de ver os resultados das bolsas,
tens medo, só tens medo
só tu sabes do valor de tudo que fazes
as pessoas nem leem ultimamente, e tu não vai desistir
por isso
nem por nada, vai latina-americana mesmo
mas sabe que se vencer vences
vences o que?
ah Sâmara...
vê se monta nesse teu cavalo e avança
seja lá pra onde for
só não pare aqui sem saber pra onde ir.
só avança pra algum lugar
que não seja aqui,
já respiraste o mofo demasiado,
tens de sair daqui a galope...