terça-feira, fevereiro 08, 2011

Angelus Novus





Sei lá...vim aqui, saí dali..
desmoronou, o telhado foi se acabando, os fantasmas subiram...foram sugados pelo vendaval...
tantas reticências, talvez signifiquem mais que meras reticências...
Tô correndo do caos será que é isso?
Puxa logo ali é tudo tão mais calmo.. a questão não é só trabalho, é escolher onde viver..
Eu devia ter crescido mais, dois centímentros talvez, melhor três...pontinhos são reticências!
Centímentros podem mudar horizontes, mas agora já foi..O anjo bateu novamente as asas, deixando alguns destroços.. Quero um novo anjo, dá me outro, que explique-me...

Inspirado num quadro de Paul Klee chamado Angelus Novus, Walter Benjamim abre um texto famoso, palavras que diriam o que minh'alma deseja aclamar.

“Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus.

Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente.

Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas.

O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado.

Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés.

Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las.

Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos de progresso.”

Walter Benjamin, “Obras Escolhidas”, tradução: Sérgio Paulo Rouanet, 1994 – 7.ed. Editora Brasiliense. p.226.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Ode ao Gost predileto!

Que aparecimento foi este que inventaram?
Disseram que iria voar, vai sim...
sinalizaram como apresentar-te.. apelaram um pouco..
Um fantasma rondanva por essas bandas, parece que viram indo abscôndito,
tornaste um funâmbulo.
Às vezes veêm-no como aparição.
Ora alumiada ora anuviada, antítipo do sonho dantes..
Alimentada, experimenta novos sonhos, em dias úteis professados.
Sem direito a espasmos e espermas, vistos digamos..
Ahhhh...desejos, liberdade, convenções, aparições..
Tudo coerente, sem falhas, num mundo claro, bem clean..persianas que não fecham!!
Eu olho tudo, e parte do que procuro está na lembrança, em projeções falidas,
que desmoronam dia após dia, naqueles filminhos cult junto ao corpo.
Iluminando não identifico a identidade, crio a Aparição, formulo, calculo.
Na corda bamba acena pra mim, não queria voltar, que fúria tenho ao vê-lo,
por que de repente não cai dali e vira um cogumelo, ou um cheiro de manjericão?
Assistir a mais um funeral, fusório, eu vejo o fantasma, eu me vejo, eu te vejo.
Eu vivo e morro antes de morrer, e desejo muito mais a vida.
Desejo aquele desejo que tinha, que veio em sonhos fantasmas...que não preciso,
ilusório ainda fito..

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Só pra dizer

tarde, bem tarde
outro dia, novo
muito bom
espero
dormir
já vou
penso, quero
nem sei
sentir
onde será que você está?
acordar
amanhã
não, hoje...
malhar
planos?
trabalhar
conhecer
eu
alguém
outro
ali
ônibus...
aqui
dores de cabeça
porque?
estresse
ah esquece
rima
sobe
lá em cima
na cama
suja
sem banho
fazer xixi
ir dormir...

terça-feira, janeiro 04, 2011

Momentos que não tornaram a ser reais...

Resumidamente, poderia ter sido diferente, obviamente...
Mas não foi,
e perfeitamente aos meus olhos, foi como deveria ter sido.
Para o bem da espécie...
Eu nunca perdi,
enfim vejo o que está diante de mim, não posso ver adiante, bem que imagino.
Tento prever o desejo que poderia ter um cúmplice,
em minha solidão dar-me inteiramente para poder receber outro inteiro...
Lembrar dos jogos num passado qualquer,
cansativos; rir das mazelas...
Enxergar somente a luz fiel e nítida do presente.
Longe da saudade, que aperta,
tento criar uma ilusão, na realidade duma memória latente...
Sentir o semblante sem medo de errar o caminho,
esvaecendo em névoa...
Transviar de qualquer tipo de culpa,
vibrar em excitantes palpitações sem penalidades.
É muito apetite pra pouco gozo!!
As proporções não poderiam nunca equilibrar mesmo...aaahhhh!!!
Dá pra sentir na ânsia, no descontrole, no comer agora, agora, agora...gozar agora, agora...
CALMA criança...
Merda...
Hoje não dá pra comer mais nada!! aff;;;*(

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Apareceu a aparição!

No começo veio como um fantasma, não sabia o exatamente o que era,
de repente surgiu, como num vulto,
aquela que antes esperava...
No mesmo instante percebeu o nascimento duma manifestação súbita,
e agora o que diz o espelho?
Será conclusão de quê?
Um ente novo na frente, neste princípio o que será posto à venda?
Como comportará tal atriz?
É linda de se ver, mas enfim o que vai querer ser?
Nada além de si, mas esse em si é igual para o outro?
hã? não importa,
mas ainda faltam definições,
quais seriam?
Sempre vai faltar algo mesmo...
Ah! que bom que pode lidar com as faltas, enfim o desejo é presença de uma ausência...
Muitos, vários, todos, a qualquer hora, mesmo agora, onde todos dormem, permanece..
Um de cada vez, dormir...

sábado, novembro 13, 2010

Merd

Não é você,
eu achei que sabia...Não há como ser inteira, nunca principal, foi todo disfarçe.
Não houve em meus olhos a expressão em conformidade do que dizia em verdade o meu eu.
Parecia que me conhecia, foi nulo, nunca sequer deduziu...
tudo fui eu que discorri a dizer em vão...
Não podes apossar do sentido que minha vida confronta.
És alheio e apático e não o quero mais, não há entendimento, articulação.
Nem pra gastá-lo em dias chuvosos, sem posse de gozo algum...Há o objeto mas perde-se o objetivo...se é que entendes...
Eu senti repugnância pela minha pessoa, vi que mudei, experimentar já esta a cansar, repreensível, devo estar velha...sinto-me assim.
Inúltimente poderia até ter o mesmo corpo, a mesma coisa através do qual o objeto poderia impulsionar-me...mas deve ser outro..
Algo dentro, consciente e inconsciente que não tens...em teus olhos há outro tipo de atração, é simplesmente instinto, objeto de pulsão não de amor... não é este que procuro...
Não dá pra relacionar a nada, está simplesmente ali, não se afirma.
Não há porque fazer confissões, meu corpo só quer uma única coisa...digo não é a forma, e me apareces tão belo...que merda.
Gosto de o olhar, mas como ruptura de toda minha problemática, eu o abandono...não és aquilo que ofereces face a minha consciência,
Teria sentido se houvesse muito mais que pulsão, pois és objeto dos sonhos, dos meus, claro...incapaz de entender-me, eu somente olho...
Não podes saber do que digo, nunca vais saber, não o verei mais..
Parece-me tão fantasioso, afetada por ares românticos...sem nenhuma proposta...pobrecita!!! Para tal, faz-se necessário estar apaixonada...que merda...pulsões do ego...
Vens fazer amor comigo!!! vem, satisfazer-me, objeto fantasmagórico, auto-conservação, o amor a si mesma, meu destino!! eu, somente, eu...

quinta-feira, novembro 11, 2010

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles, pra hoje perfeito...pra sempre tbm