E pensar que chegastes a face
quiçá quase agarrar-te em loucura.
E neste instante poderia estar aprisionada
em porões fétidos e
úmidos onde só se mira a escuridão.
Pedindo socorro, sem sentir nada...
No começo de uma vida,
todas as apostas foram desvalidas
no tempo,
num formato onde reinava a revolta
e a falta.
Até hoje não acreditas para donde ias...
Talves lhe afirmem um dia os deuses,
estavas morta e não sabias.
Um brinde ao defunto!
terça-feira, maio 27, 2008
Esquecimento
Se queres inda ver como escondida
Guardo no peito a tua imagem pura,
— Imagem que no céu da minha vida
É como um sol ardente que fulgura;
Convida o coração na sepultura
A viver e pulsar por ti; convida
Minh'alma para amar de novo; cura
A, que lhe abriste, cáustica ferida...
Só pedira a paixão com que me iludo
Que um raio apenas d'essa luz me desses,
E uma palavra do teu lábio mudo;
Mas nem ouves, sequer, as minhas preces;
E enquanto, para amar-te, esqueço tudo,
Tu, por um nada, o meu amor esqueces.
Osório Duque-Estrada
Guardo no peito a tua imagem pura,
— Imagem que no céu da minha vida
É como um sol ardente que fulgura;
Convida o coração na sepultura
A viver e pulsar por ti; convida
Minh'alma para amar de novo; cura
A, que lhe abriste, cáustica ferida...
Só pedira a paixão com que me iludo
Que um raio apenas d'essa luz me desses,
E uma palavra do teu lábio mudo;
Mas nem ouves, sequer, as minhas preces;
E enquanto, para amar-te, esqueço tudo,
Tu, por um nada, o meu amor esqueces.
Osório Duque-Estrada
domingo, maio 25, 2008
À margem
Eu tentei ir ao teu encontro,
buscando formas para não te respirar..
Fui essa noite,
cheguei até o mar e era como se eu
não soubesse nadar,
olhei para a margem e não fui,
os peixes que haviam eram predadores,
se ao menos houvessem golfinhos ali...
Eu poderia
ir voando...
mas nem lembrei.
Sabia dos ventos e das tempestades
e imaginava em alto mar...
Eu não fui,
não te encontrei,
não nadei,
só fiquei com medo à margem...
buscando formas para não te respirar..
Fui essa noite,
cheguei até o mar e era como se eu
não soubesse nadar,
olhei para a margem e não fui,
os peixes que haviam eram predadores,
se ao menos houvessem golfinhos ali...
Eu poderia
ir voando...
mas nem lembrei.
Sabia dos ventos e das tempestades
e imaginava em alto mar...
Eu não fui,
não te encontrei,
não nadei,
só fiquei com medo à margem...
quarta-feira, maio 21, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
Feed-back
Depende,
de que depende?
Vênus está presente ainda,
e no início do ano astral,
segundo o que se mire,
donde se mire...
Com a lua cheia, romantismo pra enfeitar,
ainda imprecisa, eu preciso
do feed-back imperfeito de ontem..
Não, insano e irracional,
devorar-nos na calçada não poderia fazer
algum mal.
Não quero ser vista por aqueles olhos,
não quero mais a imagem que vias...
A direção do olhar, nunca é a mesma,
não há nenhuma graça em aprisioná-lo
em passados.
de que depende?
Vênus está presente ainda,
e no início do ano astral,
segundo o que se mire,
donde se mire...
Com a lua cheia, romantismo pra enfeitar,
ainda imprecisa, eu preciso
do feed-back imperfeito de ontem..
Não, insano e irracional,
devorar-nos na calçada não poderia fazer
algum mal.
Não quero ser vista por aqueles olhos,
não quero mais a imagem que vias...
A direção do olhar, nunca é a mesma,
não há nenhuma graça em aprisioná-lo
em passados.
domingo, maio 18, 2008
A musa
Que miras?
A ti...
Passeando no escuro,
olhos a buscam,
exibindo a cabeleira loira,
olhos esbugalhados verde e vermelho,
trazem a bandeira da alucinação.
Não quero mais um refém da minha imagem,
procuras uma musa?
Eu lhe entregarei algumas fagulhas que estourariam
e marcas vermelhas talvez nos serviriam como algum
fetiche...incendiariam teu corpo.
Acenderá com paixão e desejo,
poderemos nos comer por toda a noite...
Exauridos pela manhã, não haveria nada
a ser dito.
Eu faria o tipo livre, sem saber o que fazer ao certo.
Mas se a função é somente dar-lhe alguma
inspiração, vai ser fácil...
Surgiria em teus sonhos e o faria sorrir durante o sono.
Só não queira aprisionar-me,
musas são livres... mesmo quando impotentes..
Use-a, transforme-a...
na realidade
é só imagem..
Tirá-la da condição de imagem de sonho
para a realidade
é forte demais para uma musa
tão desanimada.
A musa é lembrança,
é saudade,
é poesia...
A musa é amor mesmo que distante.
É paixão.
Num romantismo que só a distancia
do que é sonho ao que é realidade.
A musa nem existe de
verdade..
Sâmara
A ti...
Passeando no escuro,
olhos a buscam,
exibindo a cabeleira loira,
olhos esbugalhados verde e vermelho,
trazem a bandeira da alucinação.
Não quero mais um refém da minha imagem,
procuras uma musa?
Eu lhe entregarei algumas fagulhas que estourariam
e marcas vermelhas talvez nos serviriam como algum
fetiche...incendiariam teu corpo.
Acenderá com paixão e desejo,
poderemos nos comer por toda a noite...
Exauridos pela manhã, não haveria nada
a ser dito.
Eu faria o tipo livre, sem saber o que fazer ao certo.
Mas se a função é somente dar-lhe alguma
inspiração, vai ser fácil...
Surgiria em teus sonhos e o faria sorrir durante o sono.
Só não queira aprisionar-me,
musas são livres... mesmo quando impotentes..
Use-a, transforme-a...
na realidade
é só imagem..
Tirá-la da condição de imagem de sonho
para a realidade
é forte demais para uma musa
tão desanimada.
A musa é lembrança,
é saudade,
é poesia...
A musa é amor mesmo que distante.
É paixão.
Num romantismo que só a distancia
do que é sonho ao que é realidade.
A musa nem existe de
verdade..
Sâmara
sábado, maio 17, 2008
Escolha
Entre vento e navalha escolho o vento
entre verde e vermelho aquele azul
que até na morte servirá de espelho
ao vento que por dentro me deslumbra
Entre ventre e cipreste escolho o Sol
Entre as mãos que se dão a que se oculta
Entre o que nunca soube o que já sobra
Entre a relva um milímetro de bruma.
David Mourão Ferreira
entre verde e vermelho aquele azul
que até na morte servirá de espelho
ao vento que por dentro me deslumbra
Entre ventre e cipreste escolho o Sol
Entre as mãos que se dão a que se oculta
Entre o que nunca soube o que já sobra
Entre a relva um milímetro de bruma.
David Mourão Ferreira
segunda-feira, maio 12, 2008
Sóbria
O
medo
é
de
desmoronamentos...
De
gra
dar-
se.
Perder-se do
CONCRETO
OBJETIVO
DE
SER.
Não podes comer teu próprio vômito...
É disso que tens medo,
e isso é bom...
é muito bom...
medo
é
de
desmoronamentos...
De
gra
dar-
se.
Perder-se do
CONCRETO
OBJETIVO
DE
SER.
Não podes comer teu próprio vômito...
É disso que tens medo,
e isso é bom...
é muito bom...
Procrastinar
Esperando sempre o melhor momento para lidar
com os pequenos passados,
frustrações,
e minha sóbria capacidade em decidir
se vou ou se fico...
É claro que viajarei,
porque estou com medo?
Agora que acabastes de vomitar-te por inteiro,
e tenta, esforça-se para deixar o ar perfumado,
não podes olhar dentros de mis ojos...
Para cantarte o que nunca digo...
Farei poesia impetuosa,
ou deixarei o eu procrastinar a tal
equilíbrio... quando?
O tempo que eu tenho, quanto mais?
Os anos em galés acabaram...
E na própria realidade que eu descortino a cada
dia encontro a essência de viver, e é só isso...mesmo...
Domingo inteiro regado por muita cafeína,
Mas qual é o medo pra quem já sucumbiu a tantos desmoronamentos
da própria alma?
Voltar pra casa e juntar os cacos, nunca foi problema...
A maior-idade aos 25 faz alguma diferença?
O espelho acena dizendo que sim.
Os artigos sobre ética, moral também...
Meu senso estético, e ideal de liberdade,
de personalidade...
gritam, pedem-me símbolos.
Só peço ao Deus que Kant inventou para Lampe,
por necessidade; repreenda minha luxúria...essa maldita
que está em mim.
Como no dia de pentecostes, junto à minha lentidão taurina,
desça o espírito-virgem da independência emocional,
vaginal, visceral...
É teimosia ou fantasia?
Quem vai responder,
hein, Sâmara...
Sâmara, Sâmaraaaaaa
Vas embarcar?
ou proscratinar?
com os pequenos passados,
frustrações,
e minha sóbria capacidade em decidir
se vou ou se fico...
É claro que viajarei,
porque estou com medo?
Agora que acabastes de vomitar-te por inteiro,
e tenta, esforça-se para deixar o ar perfumado,
não podes olhar dentros de mis ojos...
Para cantarte o que nunca digo...
Farei poesia impetuosa,
ou deixarei o eu procrastinar a tal
equilíbrio... quando?
O tempo que eu tenho, quanto mais?
Os anos em galés acabaram...
E na própria realidade que eu descortino a cada
dia encontro a essência de viver, e é só isso...mesmo...
Domingo inteiro regado por muita cafeína,
Mas qual é o medo pra quem já sucumbiu a tantos desmoronamentos
da própria alma?
Voltar pra casa e juntar os cacos, nunca foi problema...
A maior-idade aos 25 faz alguma diferença?
O espelho acena dizendo que sim.
Os artigos sobre ética, moral também...
Meu senso estético, e ideal de liberdade,
de personalidade...
gritam, pedem-me símbolos.
Só peço ao Deus que Kant inventou para Lampe,
por necessidade; repreenda minha luxúria...essa maldita
que está em mim.
Como no dia de pentecostes, junto à minha lentidão taurina,
desça o espírito-virgem da independência emocional,
vaginal, visceral...
É teimosia ou fantasia?
Quem vai responder,
hein, Sâmara...
Sâmara, Sâmaraaaaaa
Vas embarcar?
ou proscratinar?
sábado, maio 10, 2008
olha...
Desde algum dia não movo as peças do tabuleiro,
como ventos do norte,
furacões, ou simplesmente
movimentos súbitos desse fluxo
dessa vida,
obscuramente hibernando,
quebrando espelhos,
buscando imagens.
Da mais bem-vinda rídicula palavra ânimo,
breves partidas também?
Eu ainda olho, olho.
como ventos do norte,
furacões, ou simplesmente
movimentos súbitos desse fluxo
dessa vida,
obscuramente hibernando,
quebrando espelhos,
buscando imagens.
Da mais bem-vinda rídicula palavra ânimo,
breves partidas também?
Eu ainda olho, olho.
quinta-feira, maio 08, 2008
O reconhecimento
Olha quem está presente...
Eis que tudo se faz novo,
as trombetas anunciaram o que o fogo
fez... e toda a purificação na formação
fidedigna da atual narrativa.
Na formação de valores pendentes, no resgate
da própria alma.
Agora tudo é revestido da mais pura lucidez,
a vida doa para a razão toda a praticidade,
mas mostra o produto final de hoje...
Como disse um amigo: É isso!
É tudo isso... eu digo!
Eis que tudo se faz novo,
as trombetas anunciaram o que o fogo
fez... e toda a purificação na formação
fidedigna da atual narrativa.
Na formação de valores pendentes, no resgate
da própria alma.
Agora tudo é revestido da mais pura lucidez,
a vida doa para a razão toda a praticidade,
mas mostra o produto final de hoje...
Como disse um amigo: É isso!
É tudo isso... eu digo!
sexta-feira, abril 11, 2008
quarta-feira, abril 09, 2008
Espasmos de lucidez
Minha predisposição suícida de lançar
ao abismo
partiu...
Achegou-se sentimentos que são filhos bastardos
da realidade projetada.
E agora eu os projeto.
Estudo, estudo...leio, leio...e no fim acabarei como
todos, no meu fim.
Tentam me enforcar durante o sono,
o que obviamente traz me o não bem-vindo torcicolo...
que coisa rídicula...eu e torcicolo, se a segunda é bem
mais real, parece que sim.
Mas agora a Doroty chega em casa,
e pensa uma forma de deixar as malas como estão,
pra que a partida seja em pronto..
Doroty às avessas...
O tempo me acaba, sobram café e livros..
Sâmara
ao abismo
partiu...
Achegou-se sentimentos que são filhos bastardos
da realidade projetada.
E agora eu os projeto.
Estudo, estudo...leio, leio...e no fim acabarei como
todos, no meu fim.
Tentam me enforcar durante o sono,
o que obviamente traz me o não bem-vindo torcicolo...
que coisa rídicula...eu e torcicolo, se a segunda é bem
mais real, parece que sim.
Mas agora a Doroty chega em casa,
e pensa uma forma de deixar as malas como estão,
pra que a partida seja em pronto..
Doroty às avessas...
O tempo me acaba, sobram café e livros..
Sâmara
terça-feira, abril 08, 2008
Soneto
Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
E tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!
Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na monumentalidade do NÃO SER!
Augusto dos Anjos
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
E tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!
Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na monumentalidade do NÃO SER!
Augusto dos Anjos
quarta-feira, abril 02, 2008
A Fausto
Aquele que parte em busca do definido,
o tornar-à-ser.
Grandes aspirações, prisioneiro e só.
Ondas propícias ao conquistar a vida;
ao se mostrar para o mundo e se afirmar
diante as Helenas.
Arrojado em terras estranjeiras,
coisa alguma ensinar que
aos púpilos sirva, entusiasmo ou dor?
Nas fotografias que não estás?
Sem cessar de meu peito,
promete o botão desabrochando;
enquanto flores tu já colhias.
Fostes presente e sempre o serás.
Já não há contentar um homem feito, e
nas vãs aparências desdenhando...
No úmido ou no seco, frio ou cálido,
novo sangue vivaz, incansável?
Pensei que não...
Nada tivera que me fosse próprio,
amor de verdade e doce apego,
que seja ilusões da vida, ardentes, livres,
restitui-me
agora!
E caminhai, com rapidez medida, desde o céu,
pela terra, ao fundo inferno.
Desejo beber contigo, mas não se cumpre amanhã o que
hoje não for feito.
E nem um dia só perder se deve.
Enfim, licença lhe dou de a si mentir algumas vezes,
que não dura isso muito.
Ânsia ou terror te dilaceram.
Basta já disso! Isso que tem de ser, enfim suceda!
Espera a tua amante, tudo no mundo achando
escuto e triste, não sais do sentido,
loucamente te ama.
Sâmara, a Margarida.
o tornar-à-ser.
Grandes aspirações, prisioneiro e só.
Ondas propícias ao conquistar a vida;
ao se mostrar para o mundo e se afirmar
diante as Helenas.
Arrojado em terras estranjeiras,
coisa alguma ensinar que
aos púpilos sirva, entusiasmo ou dor?
Nas fotografias que não estás?
Sem cessar de meu peito,
promete o botão desabrochando;
enquanto flores tu já colhias.
Fostes presente e sempre o serás.
Já não há contentar um homem feito, e
nas vãs aparências desdenhando...
No úmido ou no seco, frio ou cálido,
novo sangue vivaz, incansável?
Pensei que não...
Nada tivera que me fosse próprio,
amor de verdade e doce apego,
que seja ilusões da vida, ardentes, livres,
restitui-me
agora!
E caminhai, com rapidez medida, desde o céu,
pela terra, ao fundo inferno.
Desejo beber contigo, mas não se cumpre amanhã o que
hoje não for feito.
E nem um dia só perder se deve.
Enfim, licença lhe dou de a si mentir algumas vezes,
que não dura isso muito.
Ânsia ou terror te dilaceram.
Basta já disso! Isso que tem de ser, enfim suceda!
Espera a tua amante, tudo no mundo achando
escuto e triste, não sais do sentido,
loucamente te ama.
Sâmara, a Margarida.
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