O amanhã, o amanhã. Outro amanhã, dia a dia se escoam de mansinho, até que chegue, alfim, a última sílaba do livro da memória. Nossos ontens para os tolos a estrada deixam clara da empoeirada morte. Fora! apaga-te, candeia transitória! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa.
Macbeth,
sábado, agosto 01, 2009
sábado, junho 20, 2009
O que está feito, está feito...
Implica num retorno sobre si mesma e,
às vezes, surge uma certa ambivalência
com momentos de aceitação e de rejeição
que se acompanham de um sentimento de culpa.
Quando meu filho nascer,
não façam desta vida um estandarte,
nem acenem para ele com esperanças de melhores tempos.
Não que a vida seja uma causa perdida,
pelo menos nunca sabida.
E a felicidade talvez seja uma causa velha..
Quem garante?
implore a si mesma...seja paciente...espere a vida.
O que pode querer uma mulher em seu estado?
Só poderá querer uma coisa... deverá que ser assim...
ES muss sein, es muss sein
às vezes, surge uma certa ambivalência
com momentos de aceitação e de rejeição
que se acompanham de um sentimento de culpa.
Quando meu filho nascer,
não façam desta vida um estandarte,
nem acenem para ele com esperanças de melhores tempos.
Não que a vida seja uma causa perdida,
pelo menos nunca sabida.
E a felicidade talvez seja uma causa velha..
Quem garante?
implore a si mesma...seja paciente...espere a vida.
O que pode querer uma mulher em seu estado?
Só poderá querer uma coisa... deverá que ser assim...
ES muss sein, es muss sein
sexta-feira, junho 19, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
Desenvolvendo afetos
é turbulência,
insanidade,
hormônios insólitos...
Pode também ser brisa,
com toda essa chapação.
Desenvolvendo tal maturidade no olhar
para a simplicidade fugaz da vida,
do tal milagre...
Percebendo tanta futilidade
antes mascarada.
O ser visto numa praticidade pura e
recebida por quem tanto apreciava o não-ser.
A vida bem-vinda,
os afetos invólucros,
crescem.
insanidade,
hormônios insólitos...
Pode também ser brisa,
com toda essa chapação.
Desenvolvendo tal maturidade no olhar
para a simplicidade fugaz da vida,
do tal milagre...
Percebendo tanta futilidade
antes mascarada.
O ser visto numa praticidade pura e
recebida por quem tanto apreciava o não-ser.
A vida bem-vinda,
os afetos invólucros,
crescem.
sexta-feira, maio 08, 2009
Já não sei mais quem sou,
garota enxaqueca não terá mais tempo
pra mazelas...
Ah! conhecerá o amor incondicional...haha
É pra dar risada da espécie...é muita audácia!
A narração vai continuar no diário, no prazer e desprazer da
vida doméstica.
Pedia sentido, sentido...bem feito...agora tem.
Entender o valor do amor...haha bem feito, agora vai ser obrigada a sabê-lo.
garota enxaqueca não terá mais tempo
pra mazelas...
Ah! conhecerá o amor incondicional...haha
É pra dar risada da espécie...é muita audácia!
A narração vai continuar no diário, no prazer e desprazer da
vida doméstica.
Pedia sentido, sentido...bem feito...agora tem.
Entender o valor do amor...haha bem feito, agora vai ser obrigada a sabê-lo.
sábado, março 21, 2009
sábado, fevereiro 28, 2009
O Pálacio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
Antero de Quental
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Uma flor desidratada...
Ela espera o seu tempo.
Que seu tempo passe.
Parece carecer de algo, ela é muito pobre, mas isso é o que ela é..
indelevelmente pobre...
Já não quer mais se levantar,
Os dias vão passando deitados,
nos olhos úmidos, numa casa onde não sabem o que é o amor.
O sentido de estar ali também não se sabe mais.
Como se existisse sem vontade, mas tivesse a lembrança do que poderia
vir-a-ser...
Não há mais pelo que chorar,
Já não está mais condicionada em nenhuma dor,
ainda sim tem as palpebras inchadas, talvez sejam lágrimas
aprisionadas...
Já não se questina a melancolia com que trata seus dias,
como uma flor desidratada, só espera que seu tempo passe...
Já não brinda à Dioniso, à nadie...
Permanece estática... tem preguiça até de seus pensamentos mórbidos...
O que há com essa vida que não sabe viver, senão como uma bulha?
Não sabe o que lhe falta para que possa enfim contemplar, que seja bucólicamente
pobre, que seja... mas lhe falta contemplação.
Onde está o desejo?
E o prazer?
Onde foi que ela perdeu aquela singular satisfação de viventes que se limitam em viver?
Ou que ela possa contentar-se simplesmente em ser...
Não que ela não seja interessante, ela é sim, ou o é o suficiente para desprezar quem quer
que seja, mas isso também é pouco, ou é nada.
Ela não sabe qual o atual problema, nem há problemas aparentes,
nem conceitos, há somente uma vida que já não busca sentido algum e como poderia deixá-la assim?
Sei que não quer inventar nenhum sentido,
por isso temo que seu tempo passe pobre assim...
Que seu tempo passe.
Parece carecer de algo, ela é muito pobre, mas isso é o que ela é..
indelevelmente pobre...
Já não quer mais se levantar,
Os dias vão passando deitados,
nos olhos úmidos, numa casa onde não sabem o que é o amor.
O sentido de estar ali também não se sabe mais.
Como se existisse sem vontade, mas tivesse a lembrança do que poderia
vir-a-ser...
Não há mais pelo que chorar,
Já não está mais condicionada em nenhuma dor,
ainda sim tem as palpebras inchadas, talvez sejam lágrimas
aprisionadas...
Já não se questina a melancolia com que trata seus dias,
como uma flor desidratada, só espera que seu tempo passe...
Já não brinda à Dioniso, à nadie...
Permanece estática... tem preguiça até de seus pensamentos mórbidos...
O que há com essa vida que não sabe viver, senão como uma bulha?
Não sabe o que lhe falta para que possa enfim contemplar, que seja bucólicamente
pobre, que seja... mas lhe falta contemplação.
Onde está o desejo?
E o prazer?
Onde foi que ela perdeu aquela singular satisfação de viventes que se limitam em viver?
Ou que ela possa contentar-se simplesmente em ser...
Não que ela não seja interessante, ela é sim, ou o é o suficiente para desprezar quem quer
que seja, mas isso também é pouco, ou é nada.
Ela não sabe qual o atual problema, nem há problemas aparentes,
nem conceitos, há somente uma vida que já não busca sentido algum e como poderia deixá-la assim?
Sei que não quer inventar nenhum sentido,
por isso temo que seu tempo passe pobre assim...
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Gozei...
LXXV
Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilusão veio animar-me.
Na minh'alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.
Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.
Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.
Acordei do áureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...
Alphonsus de Guimaraens
Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilusão veio animar-me.
Na minh'alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.
Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.
Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.
Acordei do áureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...
Alphonsus de Guimaraens
Sonetos pra eu gozar...
"Último Credo"
Como ama o homem adúltero o adultério
E o ébrio a garrafa tóxica de rum,
Amo o coveiro este ladrão
arrasta a gente para o cemitério!
É o transcendentalíssimo mistério!
o nous, é o pneuma, é o ego sum qui sum,
É a morte, é esse danado número Um,
Que matou Cristo e que matou Tibério.
Creio como o filósofo mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substância cósmica evolue...
Creio, perante a evolução imensa,
Que o homem universal de amanhã vença
O homem particular que eu ontem fui!
Augusto dos Anjos
terça-feira, janeiro 13, 2009
Fa-Fa-Fa
I need a shot
I need a shot of ambition
I need a hit
I need a hit of nutrition
I need a fix
I need to fix my ignition
If you want to whip me into shape
I need a plan or a mission
Cause I'm gunna ride fast, going nowhere
And I left my brain in the past
I'm gunna ride fast
To where I don't care
Faa Faa Faa FA FA FA FA Faa
Datarock
sábado, janeiro 03, 2009
Meu deus
Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo?
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E que ele fará com os seus
Braços de amansar desejos
Boca de beijo
Corpo de tocar
Meu coração muito tonto
Quer sair de mim
Olhos flechando meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Tentação das mais safadas
Sem dor sem penar
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E o que ele fará com os seus
Braços de arrancar desejos
Olhos de gato
Sabor de hortelã
Meu coração muito louco
Quer chegar-se em mim
Olhos flechando os meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Conclusão das mais safadas
Sem dor sem penar
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais
O que quer de mim
O que ele fará comigo?
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E que ele fará com os seus
Braços de amansar desejos
Boca de beijo
Corpo de tocar
Meu coração muito tonto
Quer sair de mim
Olhos flechando meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Tentação das mais safadas
Sem dor sem penar
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Um homem bonito assim
O que quer de mim
O que ele fará comigo
Um homem bonito que planos
O que Deus me deu
E o que ele fará com os seus
Braços de arrancar desejos
Olhos de gato
Sabor de hortelã
Meu coração muito louco
Quer chegar-se em mim
Olhos flechando os meus zelos
Bem que o meu corpo já me mostrava
Conclusão das mais safadas
Sem dor sem penar
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais seria
Meu Deus, Ave Maria!
Se ele não é um dos Seus
Ninguém mais seria
Ninguém mais
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Passagem
As correntes foram soltas,
não há mais nenhuma algema...
Quando não se pega mais atalhos,
nem que seja somente uma vez,
segue-se em algum caminho,
dito certo,
eu digo fatal...
e mais um dia de término,
num ano,
numa vida.
Num pequeno pixel em alguma galáxia.
Numa consciência, numa ideia, numa imagem...
em todos os sentidos...
livres, alçando sei lá o quê...
sonhando beijos melhores que já sonhei,
Sonho, determino, aliás parece já estar determinado;
parece...
Levanto os olhos para o horizonte,
contemplo tudo e nada.
muita projeção num novo ano.
Como antes, entender o valor do amor
em mim.
não há mais nenhuma algema...
Quando não se pega mais atalhos,
nem que seja somente uma vez,
segue-se em algum caminho,
dito certo,
eu digo fatal...
e mais um dia de término,
num ano,
numa vida.
Num pequeno pixel em alguma galáxia.
Numa consciência, numa ideia, numa imagem...
em todos os sentidos...
livres, alçando sei lá o quê...
sonhando beijos melhores que já sonhei,
Sonho, determino, aliás parece já estar determinado;
parece...
Levanto os olhos para o horizonte,
contemplo tudo e nada.
muita projeção num novo ano.
Como antes, entender o valor do amor
em mim.
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Quando não se vê mais espectros nos espelhos,
ideais palpáveis, circunstanciais...
Vontade, pura vontade.
Não é possível ter dois,
quem diria que haveria tantos caminhos,
e pra que tantos?
Já não sigo dormente...
Não podem simplificar?
Fluxo...fluxo perfeito...
Não leve a mal é que realmente é hilário,
essa vida já me cansa dar-te as costas,
eu vou é te abraçar,
de uma vez por todas...
ideais palpáveis, circunstanciais...
Vontade, pura vontade.
Não é possível ter dois,
quem diria que haveria tantos caminhos,
e pra que tantos?
Já não sigo dormente...
Não podem simplificar?
Fluxo...fluxo perfeito...
Não leve a mal é que realmente é hilário,
essa vida já me cansa dar-te as costas,
eu vou é te abraçar,
de uma vez por todas...
sábado, dezembro 20, 2008
Retrato

Enfim magra, de olhos verdes, carão amarelo,
Com pés esquisitos, a meia altura,
o cabelo loiro que ilumina a figura,
traz nos dedos o fim vermelho.
No arco do vestido um sorriso
com propenso amor à ternura
e por carecer cor na mesma gravura
o preto, o branco do ciso.
os olhos pararam neste momento
Deram uma volta,
eternizaram o sentimento:
Eis Sâmara, que rabisca verdades ao relento;
lendo um retrato
num dia qualquer que se achou vivendo.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
abandono
mais um abandono de emprego...
que coisa...
que insistência em não ser persistente
de não submeter-se aos sacrifícios...
eu já cansei deles..
mas não vou me oferecer como próprio sacrífcio
numa bandeja...
I dont wanna...
ai, ai,
terapia...
mas é tudo tão consciente que agora só me faz bem...
a educação física,
a minha afamada educação física, um diploma,
que pede outro...
ótimo,
a objetividade é um ponto na parede que eu perco
de vista quase sempre...
mas agora não,
2009 é nascimento,
solares...
e...
e....
e.......
nada...
que coisa...
que insistência em não ser persistente
de não submeter-se aos sacrifícios...
eu já cansei deles..
mas não vou me oferecer como próprio sacrífcio
numa bandeja...
I dont wanna...
ai, ai,
terapia...
mas é tudo tão consciente que agora só me faz bem...
a educação física,
a minha afamada educação física, um diploma,
que pede outro...
ótimo,
a objetividade é um ponto na parede que eu perco
de vista quase sempre...
mas agora não,
2009 é nascimento,
solares...
e...
e....
e.......
nada...
terça-feira, outubro 28, 2008
Amor que morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
Florbela Espanca
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
Florbela Espanca
Inatingível
O QUE SOU EU, gritei um dia para o infinito
E o meu grito subiu, subiu sempre
Até se diluir na distância.
Um pássaro no alto planou vôo
E mergulhou no espaço.
Eu segui porque tinha que seguir
Com as mãos na boca, em concha
Gritando para o infinito a minha dúvida.
Mas a noite espiava a minha dúvida
E eu me deitei à beira do caminho
Vendo o vulto dos outros que passavam
Na esperança da aurora.
Eu continuo à beira do caminho
Vendo a luz do infinito
Que responde ao peregrino a imensa dúvida.
Eu estou moribundo à beira do caminho.
O dia já passou milhões de vezes
E se aproxima a noite do desfecho.
Morrerei gritando a minha ânsia
Clamando a crueldade do infinito
E os pássaros cantarão quando o dia chegar
E eu já hei de estar morto à beira do caminho.
Vinicius de Moraes
E o meu grito subiu, subiu sempre
Até se diluir na distância.
Um pássaro no alto planou vôo
E mergulhou no espaço.
Eu segui porque tinha que seguir
Com as mãos na boca, em concha
Gritando para o infinito a minha dúvida.
Mas a noite espiava a minha dúvida
E eu me deitei à beira do caminho
Vendo o vulto dos outros que passavam
Na esperança da aurora.
Eu continuo à beira do caminho
Vendo a luz do infinito
Que responde ao peregrino a imensa dúvida.
Eu estou moribundo à beira do caminho.
O dia já passou milhões de vezes
E se aproxima a noite do desfecho.
Morrerei gritando a minha ânsia
Clamando a crueldade do infinito
E os pássaros cantarão quando o dia chegar
E eu já hei de estar morto à beira do caminho.
Vinicius de Moraes
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