segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Céu de samambaia

Ao observar o céu da Serra
e toda a movimentação
das nuvens, do brilho das estrelas, da lua..da luz na lua refletindo no céu,
do ar do céu mudando durante a noite,
eu só procurava as estrelas fugazes
eu estava ali para fazer pedidos,
e ainda perguntava se Deus poderia me dizer..
Senti o mais egoísta possível
ao esperar dos céus
sinais
fogo fátuo..
Sentindo a rotação
e fugindo dos hormônios..
Não sei dizer da beleza do natural
e menos ou nada da beleza da arte,
enfim não sei dizer nada
nem versos
ir e vir em temas, seja do belo, do amor,
do movimento, do egoísmo,
do esperar que a vida movimente-se com suas
luzes efêmeras e extasiantes..
Só sei de mim..e,
o tom nem sei se ainda é de confissão,
resumindo eu
só peço a Deus, e isto é ridículo..
eu peço estrelas para fazer os mesmos pedidos..
ahhh
E agora, ao menos tenho flores num outro jardim
este que ainda nasce
tenho quatro rosas vermelhas
três margaridas laranjas
tenho flores secas num arranjo
dois cactos e dois cravos
tenho uma mini espada de São Jorge que eu não sei o nome...
tenho coração-magoado dependurado igual samambaia
e hoje eu já não peço mais nada. Eu cuido e águo, penso que confio...
em Deus florindo..

sábado, fevereiro 23, 2013

Para refluir...

Algo inédito passou batido
já que a semana foi bem agitada
restam-me rolhas de Catena Zapata e um cinzeiro gigante prata
roubado...
logo no dia que mais se agitam
eu digo, hora de descansar.. e nem vai pedir perdão?
e manter distância da esbórnia? e a vida sexta estroinada?
Depois da rebentação das ondas S sobre si mesmas, recuam...
Mesmo assim provavelmente
já se maquiou e sentindo-se algo sensual
também passou sabonete na cara.. e despiu-se
da máscara..
E não vai dormir segurando o falo, poeta de frases, com as duas mãos..
Afinal, num balanço prático
já não precisas de nenhum tipo de emoção
por hora..
Ainda há resquícios da desidratação de ontem
água,
mousse de maracujá
discussões inúteis
água
quieta
renuncia ao desejo
chega de paixões frívolas..
Não há necessidade de nenhum cúmplice hoje.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Nem sei.

A vitalidade moral vai se compondo,
numa breve perspectiva que tenho medo de duvidar, de não ser..
Pergunto-me se a esperança poderia fazer me esperar... 
e nisso o tempo passar, e no fim eu ter perdido tempo...
Pois é fato, não sou uma mulher prática,
e não sei bem o que a vida quer de mim
sabe os sentidos?
então eles não mentem, não é verdade?
e mesmo que o meu pranto não diga nada
diz muito a mim..
Eu só não sei se é medo da vida,
se é hormônio, ou Deus...
sim, eu insisto em sentir-Te
e hoje a tarde foi tão real..
não entendo esse tempo que está me dando
o meu dinheiro só acaba
e mesmo assim sigo tranquila
e não tenho medo de armadilhas do meu desejo.
Sigo numa confiança cega,
e as perguntas são....você pensa que não irá sofrer influências?
E eu junto Santo Agostinho, Tomás, Padre Pio, para demonstrar-Te
meu Deus, me sinto ridícula
parece insano
se as atitudes são quase um paradoxo...
Há luz nas trevas...blá blá blá blá
dramatização....luz, ação...
ah essa hora, você incomodando de novo, mas é a só a mim
eu não entendo muito bem,
será que são simplesmente hormônios que clamam a Deus?
não, eu sinto a Vida e a Verdade, mas e o Caminho?
Continuas a buscar o amor em pessoas,
que nem ao menos se conhecem...como podes?
se já sabes...e no fim nem sabes de ti, nem sabes do pranto,
nem sabes que mexer é com xxxxxxxxx,
x.....
deve ser tpm ou Deus, ou eu..
Ele que me perdoe novamente por contrapor sempre...

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Chifre testa espinha

Eu não sei mais onde fixar o olhar sobre os objetos
nada mais me preocupa
e isso é preocupante
eu tô pura antítese
e daí
sou síntese também
a minha percepção do tempo
está qualitativa
os intervalos estão cada vez mais interessantes
o que eu quero fazer?
conhecer..
interposição de eventos
não existe tempo pra mais nada
é tempo pra tudo
em limitadas dimensões
diferentes juízos
e também opostos
suspendendo o próprio juízo...
não é acreditar na ataraxia
tudo é verdade na natureza
só não nas pessoas, oóóó
delas sim ando julgando todo tempo...
e nem sou Deus...óóó
um ânimo pelos acidentes,
e representações.
Uma sensibilidade da negação
determinando a harmonia
da visão.
Sem busca ou determinação de alguma moralidade,
felicidade, humm..será?
Cognição temporal prazerosa
a verdadeira natureza, a atitude que devo tomar,
o resultado..
Com preocupações práticas aos efeitos
que valido-os como verdadeiros ou não..
Suspendendo-me...
sem fixar em objetos que podem ser de desejo ou não..
Resumindo um chifre espinha cresce na minha testa
e eu só devo dormir..

sábado, fevereiro 16, 2013

não dá pra dizer muito a esta hora..
03:30
perfeito pra sexta
nem é mais extraordinário
e o Mefistófeles do Fausto, não gostei
tava moribundo demais....
o profeta brilhou
eu não sei muito bem o que pensei
de tudo...
falei de tantas coisas
e parece que eu só queria era me esconder
embaixo daquela escada
eu fugi, fui aos quadros,
até perguntei pelo Mefistófeles Buda
mas no fim nem compensou pensar
o surfista profeta é sim extraordinário
eu tô tão abismada que se for tudo mentira
eu nem vou achar...! surpresaaaa...rs
e esse 3X4 de hoje que sorrisinho é esse?
ah que palhaçada Sâmara
até que agora tá bonita
mas nunca tão velha
que pessoa é aquela hein
que não se manifesta
e o bom mocismo deve ser canalhice...com certeza..rs
surfistas em Minas são irreais...
tudo mentira..
pessoa eletrocutada com certeza...rs
ah como eu gostaria de saber de tudo...
Mas Deus, só Deus, sabe..

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

03:57

Dormir enquanto os outros dormem,
eu preciso..
Uma rotina, por favor, não posso mais
morrer todas as noites...
É cinzas, a purificação deve começar,
não há sono, segunda noite assim
meu Deus...

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
  
Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-nos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
  
Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na Sacra História:
  
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos

Cinzas

Passados dias olhando para água e céu
as nuvens passando na minha limitada
visão entre muros
num chão de pedras que lembram o fundo
de açude
que seca e só há barro
existe um coqueiro e água azul do fundo
que reflete o céu..
um oásis..
volto 
carnaval
faço barulho
experimento
consuma
deixo encontrar Mefistófeles Buda
que ainda parece-me pouco deprimido
posso até ver-me 
vejo que a arte é virtualizada
e digna de sercomercializada
digo pouco intuitiva
e o meu gozo é do mesmo tamanho..
talvez só precise de uma assistente
que o impeça de devorar-se
mesmo assim sinto-me bem
até 
confesso-me ao som dos vinis
não desvio o olhar, fito-o
vejo as tintas
escondo a boca no pescoço
com um lenço vermelho
...
o Jesus bem pintado surfista que não salva pois suga
e aperta, uma beleza santa que engana
mas já não importa
imagens
o dia acaba
hoje já são cinzas
não há mais razão alguma para ter medo
nem inspiração pro soneto que havia prometido
em troca de algumas pinceladas tuas
e quem precisa?
lembro-me da textura da língua
dos pelos no peito, braços, barba
alguns fios brancos que cresceram desde a última
vez que o vi..
da compulsão
do apetite
que não é pra vida
é consumir-se absorvendo..
Olho o olho amarelo.. isso poderia se tornar substância decassílaba...
a noite em claro e o seu ressonar constante que impedia o meu repouso,
os meus olhos fechados, pareciam abertos..
Penso o que nos falta? Na verdade penso o que te falta, 
a mim nada..minto?
E quando digo que o amor está em Deus
até me surpreendo, pois me conforto
ao saber que posso manifestá-lo em mim.
Depois da carne morrer em cinzas 
do dever da conversão
penso em ti Deus, o conflito para ser resolvido é uma vida
devo preparar-me 
porém não há planos.
As cinzas lembram-me que sou pó
e não devo esquecer de ti Senhor.
O amor só pode ser manifesto através de Ti..em mim?
mesmo que menos, me consumo
ainda sou uma mentira
já que falo da Verdade que não vivo.. só sei que peço,
peço sempre, peço ao mirar o mundo..
e se a Verdade no meu discurso está fora
peço-lhe que preencha-me com teu amor..
Que eu não enrugue tanto a testa com tanta indiferença,
e que não diga mais que não preciso do outro..é o amargor
do engano, que não vive na morada de quem busca-O.
Sinto que a cada dia necessito mais de Ti,
porque peco sempre...
E quando apostam que cairei e O perderei  de vista
substituindo-O
nego, 
pois não quero olvidá-Lo
e perder-me novamente.





terça-feira, fevereiro 05, 2013

Bloco

A começar pela felicidade artificial
superficial
sei lá
de rito
com muitos tambores
tinir de sei lá que instrumento é aquele
que eu batia com tanta força e incessantemente
um sino quase
e diga me lá quarenta centímetros é muita coisa
que nem dá pra pensar..
enfim
um bloco
fechado
do pessoal do teatro, do Palácio....oooooooooooooohh
muita música do carnaval da Bahia e do samba
com direito a baiano branquelo com tanga
de Tarzan cheia lantejoulas verdes..e turbante..rs
e vai dizer que é não é divertido?
quem vai dizer o que é divertir?
todos ali?
eu acreido que sim
confesso que eu interpretei bem
afinal
eu estive no paralelepípedo...
e cantei alto e bebi e dancei e provoquei e,.........fiz tudo que os outros fizeram
rindo dizendo-me que se divertiam..

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Depois de madrugar e dormir algumas horas
não querer ficar na cama...estranho
ligar pra saber do cão
levar o lixo pra fora
ir ao supermercado
café, pão com queijo
Kasakow outra vez
sento-me e começo a rolar vidas
volto a ler-me ontem
e de repente o dia começa a escurecer outra vez
deve chover hoje também
o sol simplesmente mostrou-me um rápido olhar pela manhã
ainda bem que o vi..
e já não parece-me ridículo versos inúteis de uma vida
efêmera
como a luz se esvanece em meu quarto, torno-me a escurecer
e a pele dos braços diminuem a temperatura extremidade
e que venha a chuva
espero que ao findar da tarde dê-me uma trégua
pra que eu possa sair novamente e correr.
Pintar um pouco dos olhos
o relógio apita
sim..
ich rolando vidas de novo
aos olhos tintas...
uma chuva fina que já acabou
mais café e azul.



Espirrado

          À noite, quando os detentos foram recolhidos às celas, o moço, deitado na cama, pensava em sua amada. Parecia-lhe mesmo que, naquele dia, todos os condenados, seus antigos inimigos, o olhavam de outra maneira. Ele lhes dirigira a palavra e todos lhe haviam amigavelmente respondido. Lembrava-se disso agora, mas sem espanto. Não mudaram tudo? Pensava nela, recordava que tinha cumulado de dores. Evocava-lhe a face magra e pálida, mas a lembrança já não era remorso. Ele sabia com que infinito amor resgataria os sofrimentos que causara em Sonia.
          Demais, que significariam agora todos esses pesares do passado? Tudo, até o seu crime, a sentença que o condenara e o enviara à Sibéria, tudo lhe parecia longínquo acontecimento que não lhe dizia respeito. Ele estava, de resto, naquela noite, incapaz de refletir longamente e de concentrar o pensamento. Sentia, apenas. Ao raciocínio substituíra a vida. O espírito devia estar igualmente regenerado. 
          Sob o travesseiro havia um Evangelho. Pegou-o maquinalmente. Era de Sonia. Foi lá que ela lhe lera outrora a ressurreição de Lázaro. N começo do seu cativeiro, julgava-se perseguido por ela, com sua religião. Supunha que ela lhe ia lançar constantemente o Evangelho à cabeça e propor-lhe lições piedosas. Mas, com grande espanto seu, tal não acontecera. Ela não se ofereceu uma só vez para emprestar-lhe o livro sagrado. Ele mesmo lho havia pedido antes da moléstia dela e ela lho trouxera sem nada dizer. Ela ainda não o havia aberto. 
          Ainda agora não o abria, porém um pensamento atravessou-lhe rápido o espírito. "Sua fé pode não ser a minha, agora, mas pelo menos seus sentimentos, suas tendências, não nos serão comuns?..."
          Sonia ficara também agitadíssima naquele dia e à noite tornou a adoecer. Contudo estava tão feliz, de felicidade tão inesperada, que chegara quase a ter medo. Sete anos! sete anos só! Na embriaguez das primeiras horas, pouco faltava para que ambos considerassem os sete anos sete dias! Raskolnikov sabia que aquela vida nova não lhe seria concedida de graça e deveria ao contrário custar-lhe longos e bem heroicos esforços.
          Começa aqui, entretanto, outra história, a da lenta renovação de um homem, de sua regeneração progressiva, sua gradual passagem de um mundo a outro, de seu conhecimento progressivo de uma realidade totalmente ignorada até então. Poderíamos encontrar nisso matéria para um novo relato, mas este está acabado.

Fim de Crime e Castigo, Dostoiévski
A insônia podes fazê-la cheirar livros fechados por anos fazendo-a espirrar...e transcrever madrugada, nenhum ácaro cego com suas mandíbulas pinças pareceu-me malogrado.

SSSSSSSSS

Atenta ao que é
hoje
sem mais esperar pra ser
o que se quer
e ter de fazer..e não é ter, não pode ser ter..
não deve ser ter..
Os pingos caem
como num tambor
numa goteira que foi ontem incessante
hoje foi tirar as daninhas do jardim
e limpar a casa
o limo dos azulejos
o melhor foi derreter todo o gelo
com minha água esguichando
mais tango?
o que agora depois que todos já foram embora?
ah enfim eu
que bom
vai a trilha atual, mais piegas só se fosse o
Djavan cantando
"Kremlim, Berlim, só pra te ver e poder rir
luzes, jasmim
meu coração vaso quebrado
ilusão
fugir
da fronteira de to...nem sei cantar
sedução 
poder sonhar 
estupidez
você arrasa em mim,
arrasou
só pra anoitecer o que é escuro
ninguém me beijou mais puro
tô lembrando de você,
uma vez...''
fugir de mim.
besteira, a Gal é feia.
ilusão, fugir de mim.
sim tem de ser Kasakow
tem de ser
o suspense que anuncia
e sim depois do pavor de ver-me só
seguirei assim
não perguntarei mais como
nem como se deve
farei tudo a meu modo
sem musos Mefistófeles
ou gozos que mais clamam do que
sobem aos céus
descendo numa manhã cinza
deprimidos depois de nos matar
não nos faremos mais companhia
já não suportamos ver tanta verdade
e mentira juntos..
Foi bom, eu soube do vão anestésico gozo
inútil
e ainda seu olho pela manhã era tão amarelo e marrom
quem dera fosse o mel que quisera lamber-te
mas virei-o todo no chão e passei nas paredes
como sempre
é tão triste não crer em mais nada
somente no Deus da minh'alma
e parece estranho pensar assim
mas não é.
Sei que mira-me a espernear
de maneira debilmente
por ser uma ingrata
e questionar a fortuna
mas não é desta
os vícios do ser
hoje não,
agradeço-te por fazer ver-me
sim, se faz presente
mesmo quando sangro
para exterminar minha acidez.
Não sei mais quais são os prazeres meus,
sei que são meus, não dos outros.
E ir rolando os acontecimentos das vidas
descritas virtualmente
tudo é tédio
menos música e tinta, os violinos
todos eles
que não mentem
e falam de si, sem ter quem os interrompa
ou não ouçam..ou nem vejam, sinta
a loucura de estar no parapeito acuada
ainda sim zombando
olhando toda a miséria humana, a tua!
Busca mais, imola-te, torna-te um sacrifício
carne ácida na noite
sua tola, com vermelho na boca e a língua insatisfeita
afinal é tudo mentira.
Mentes também, mostra-te feliz, satisfeita, anuncia a todos
tua vitória infame.
Mentira!! há honra, sim... e pra que isso?
Se enfim com os outros está só e ninguém a vê como és..
Quisera poder ver em outra boca, em outro olhar, o meu...
Quisera...
Mas enfim, isso já não importa
já que o domingo acabou, as tintas estão quase no fim
e eu ainda tenho muitos olhos a pintar na porta do banheiro
pra quando eu estiver ali como sou, a lavar-me, ver todos
a mirar-me
e todas as gotas que escorreram propositalmente
água limpa dita pura
formando um mar em ondas SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS.
Sem odiar ou amar
vivendo na crista prestes a reclamar o tombo
vendo na sombra dessa onda
que aparenta falta contudo vejo engano
uma espuma que espera
ser absorvida pela areia
sugada pra voltar
e encher-se outra.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Adiamento

   Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...  
   Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,  
   E assim será possível; mas hoje não...  
   Não, hoje nada; hoje não posso.  
   A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,  
   O sono da minha vida real, intercalado,  
   O cansaço antecipado e infinito,  
   Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...  
   Esta espécie de alma...  
   Só depois de amanhã...  
   Hoje quero preparar-me,  
   Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...  
   Ele é que é decisivo.  
   Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...  
   Amanhã é o dia dos planos.  
   Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;  
   Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...  
   Tenho vontade de chorar,  
   Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...  
  
   Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.  
   Só depois de amanhã...  
   Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.  
   Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...  
   Depois de amanhã serei outro,  
   A minha vida triunfar-se-á,  
   Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático  
   Serão convocadas por um edital...  
   Mas por um edital de amanhã...  
   Hoje quero dormir, redigirei amanhã...  
   Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?  
   Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,  
   Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...  
   Antes, não...  
   Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.  
   Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.  
   Só depois de amanhã...  
   Tenho sono como o frio de um cão vadio.  
   Tenho muito sono.  
   Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...  
   Sim, talvez só depois de amanhã...  
  
   O porvir...  
   Sim, o porvir...

   Álvaro de Campos

Estoy lista..

E agora invisível?
começas a esquecer memórias insistentes
mentira
só ignora
dia comum sem amor com doce de abóbora
e coco
a ver Anna Karenina ahora
só depois de amanhã
eu vou saber do cumprimento das promessas
por hora, nada.
Plano A e B, qual viverá?
mais essa tpm de merda e hoje nenhum regalo
passiflora.
Eu fico pensando por que sua carne branca me aparece
se o desejo é pigmentação?
Depois de amanhã serei outra
tudo mudará numa lista
Por enquanto não sou nada.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Passiflora

Teríamos uma desculpa pra dizer qualquer verdade
terminar o que não compensa começar
preparar-se pra sangrar
numa falta vazia
de objetos de desejo
de nada.
E o bom é que só escreve, a própria alma
ler depois,
e o ser carecente é só abafar,
sem precisar deixar alguma fumaça escapar
inacreditável
a hora perdida em sonhos
pensa que é viver ali?
projetando
naquela piscina verde quer era mar
sendo a beleza corrente, a fantástica
que nadava..
Não era nenhuma botija de gás prestes
a explodir..
então,
ficas em casa, passas a roupa,
já que só chove...
biscoito frito, macarrão, corre a tarde..
Tenta ao menos desprender de todos desejos,
mantendo a acidez..
Passiflora..óh graças a Deus...passiflora...pra não inculcar-se com nadie..
passiflora |ó|

s. f.

[Botânica]  Género de passifloráceas, também chamado martírio ou flor-da-paixão. rs




domingo, janeiro 27, 2013

A comodidade da fragilidade

Destruir a força? que força?
quando que um dia fostes forte?
nos momentos em que estava mais frágil?
Fazes melhor não buscar na memória...
Para destruir deves ter sido, não?
ah sim algumas vezes
é confortável mostrar-te frágil?
será que é isso mesmo?
que fim?
que fim?
como podes dizer do fim?
ah vai esfolar-te lixa alma
depois de elogiar-te
e julgar-me num jogo
sim, a carência pode ser criticada
somente, e isso meu caro é tão óbvio
que se faz desnecessário
eu não tenho imagens, nem referências nada
dois, três
merdinha pra você que já consegue se desprezar...
vocês filósofos, tenho medo de mim
de tornar-me mais desprezível do que posso..
destruindo tudo
não, eu não quero assim..
Não dar-se créditos mesmo que sejam tolices..
São minhas
e as valorizo por ser eu,
mesmo que não valham nada...iludo-me?
tu dirá?
dane-se outra vez...
ah comodo...
e não se acomodar nunca ou parecer isto
sabe negando, a vida, o ser
ah quer saber..blá blá, se fuder...rimaaaaaa! olhaaa...
esforça-te Sâmara, deves parecer forte, a fragilidade
pode ser ridicularizada como uma vontade de potência
inútil e intencional......um despropósito.

'Cantem comigo'

Poema: 'Cantem comigo'


cantem comigo, todas as tristes coisas —
loucos em casas de pedra
sem portas e janelas
leprosos fumegando o amor e o cantar
um sapo a tentar
o céu alcançar;
cantem comigo, todas as tristes coisas —
dedos fendidos numa forja
a velha idade como uma almoço envolto
numa couraça
livros usados, pessoas usadas
flores usadas, amores usados
de ti preciso
de ti preciso
de ti preciso:
que fugiu
como um cavalo ou um cachorro
perdido ou morto
sentimento de fato
implacável
inexorável.

Charles Bukowski

sábado, janeiro 26, 2013

Mefistófeles Buda lindo

tratando bem de enlouquecer antes de 03:26                                          (Manuel Carvalho)
e que estação é?
ah é artista?
não diga
quem não é?
não sei qual estação
essa que eu tenho aqui no vinil
tan tan tan tannnn
tan tan tan tannn
ainda bem que eu fugi
hoje foi muito pra mim
demasiado
e eu não poderia transformar-te
em meu Buda já que foi Mefistófeles
lambendo como se o mundo fosse acabar
porque seria isso o que eu faria
você tem patrocínio
já vende
é universal
nem precisa fazer beicinho nem usar chapéu mais
eu só precisa chegar em casa
isso é possível
e Manolo é muito espanhol regressão pra mim
no puedo
Vai Vivald, não agora é o que?
chega de Itália
Alemanha melhor
Handel
e dane-se se você me ler
posso escrever  o que quiser no meio da tarde
da noite
e a tela maior está preenchida
espaços brancos, claro
acho que não vende, Manolo
depois de Tio Vânia e o público lixo
como digo eu, não você
num drama psicológico achando graça
e Gilberto no café
e o Ainsterbg mais o Lolo no Maleta
e a fuga..depois de vista a exposição
e chica que tentou Filosofia, sua concorrente de merda
em frente
e o Flamengo e os protetores trabalhadores descendo do ônibus da Fiat
assistindo
a chegada em casa, nem uma rua tu correste hoje, Sâmara
mais o diário infantil sem poesia
com a Hilda Hilst na bolsa.
Ah e não tem nada de burguesia no Tabacaria
eu sei.
tudo o que fui me desce a boca eu engulo
eu poderia ter dito o que decorei pra dizer
mas não disse
são fragmentos
suficientes pra ti.
Pouco demais pra mim,
sigo
agora impossível dormir
fazer o que?
sem tinta
só discos e letras
sem telas
pé no piso frio
banho
mais inútil que a bolha de sabão
o gozo com a água do chuveirinho
outro vinil
eu não consigo cuspir-te sem ao menos saber a
textura
mas eu gozei pensando no cinza escorrendo lambendo
aquele cinza escorrendo na tela de 3,20 metros
chega de Alemanha vai pra Áustria
com Flauta Mágica
estou apostando a hora
apostando
sem tirar a toalha
assim inflamando
vai, vai pra praia da Estação amanhã
hoje
depois faz a prova de São João
duvido
O leviatã, O crepúsculo dos ídolos
mentira, nada, nada..
O amor é desejo?
Não Hobbes arcaico
desejo eu acho que sei
amor nunca vi
ah sim Deus, Santo Agostinho..
ah agora que começou a flauta
e esse tanto de violino?
sempre
é o murmurar som sentimento em mim
ranger estridente suave lindo
não sei imitar
como no início Kandinsky..
a lua mistério entre prédios
mais as projeções do projetor
e daí impressões pra que valem agora?
nem tem letras pra eu imitá-las
e eu achando que iria me mostrar "arte"
ah sim "arte"
e o objeto de desejo o que vale agora?
nada
infimamente abaixo de tudo isso..
tudo que não é nada pra quem deveria dormir
agora
impossível
nem vai digerir todas as impressões antes disso
impossível
ah tá filósofa

filósofo
(latim philosophus, -i)

s. m.

1. Pessoa que é versada em filosofia.

2. Amigo do saber, da ciência.

3. Pessoa que está acima das paixões, dos acidentes da vida.

4. Ânimo forte.

5. Incrédulo, livre-pensador.

6. Pessoa que vive afastada da sociedade e é indiferente às coisas do mundo.
7. [Popular]  Excêntrico.

porra nenhuma.. 
vai dormir.
poetisa que pinta o abstrato, e não é menor, só não é grande.
Já passou do meio e ainda não está no final, só chove..
Sem aurora por hoje, sem nirvanas Buda...é só de água mesmo
que preciso.. vestir roupa...essas coisas..
a rosa custa a abrir, está como ontem, ou pouco mais, nem percebi
sem gatos gemendo a noite toda, 
afinal eu não a tenho mais
e como é só pingo
eu vou dormir pelada.
Amanhã tudo isso é nada. 04:19
Melhor em poucas horas..
Eu apostei mais e chega de vinil e inflamar-se 04:25
o último tá muito cedo pra perder tudo isso 
a ver
que?
Strauss cama
ah acho que podia ser outro
humm
Paganini niña pagã..ah o q foi isso?
desligaaaaaaaaaa
tá..
ui o estômago, é agora...






sexta-feira, janeiro 25, 2013

Amor fati

Tá agora embriagar com os violinos todos
amigos, vinho, discos
tango
o toque da rosa vermelha
é do amor
amor de pele com poesia
chocolate
improviso
Pierrot Lunaire um pouco,
mas tá bom pra essa hora
depois
ahora melhor piano, piano
piano
de Grieg
nome de galã, e o que eu vejo
é meio russo e italiano
ah é filósofo
ahhh quem precisa?
Conhecer?
tamanha pretensão
de quem não sabes
calmo o bastante
aquela que hoje corre na chuva
trompetes
violinos
flauta
e piano
piano
piano..
sente sente
nem mente
pululam as notas
e as palavras
nem sei o que penso hoje
eu não sei nada para escrever
há uma tela branca no horizonte
da parede
e a música transubstancia qualquer
alguma substância prós versos
afinal hoje não há contras
ah não ser inflamar-se fumegando
quem é que pensa e sente?
sente pensa e escreve?
quem é?
sente
não há estranho ou abismo
espasmo
nódulo dor espanto
como se hoje nada temesse
sim! não houve temor..
e termina com Tristão e Isolda
amor fati
ao eterno retorno..