terça-feira, junho 30, 2015

Rose is rose, is rose, is rose

I see Vênus e Júpiter
lado a lado
eu antes via só um
agora vejo dois
não me afogarei no Tejo
terei o Natal e Reveillon
vinho, vinho, vinho
a roseira se iluminou quando parei diante
a luz acendeu!
eu tomei um susto
algumas pétalas já estavam no chão
I see
rose, is rose, is rose, is rose...
comi pêssegos com castanhas
e não pareço mais doente de amor...
pareço feliz
mudarei daqui
Vênus e Júpiter da cama pela janela...
não sei mais
eu luneta, eu astronauta,
eu chega daqui
eu mudar
e levar todas as imagens comigo.

quarta-feira, junho 24, 2015

What you see?

Qual o conceito daquela roseira branca entre o dia e a noite,
naquela luz que se esvai
e ali permanece, todos sabem, aquelas rosas serão brancas durante a noite
ela é uma obra de arte?
ela é beleza?
ela é uma planta?
ela é simplesmente uma roseira branca...
What is you see?
Is what you see?
what you see is what you get?
Eu já sei a diferença entre textos e a vida
eu sei do espanto quando se vê o sol que se põe todos os dias
o espelho na lagoa do céu, as cores sem conceitos, aquilo é rosa? aquilo é lilás?
os pássaros voando em círculo perto da ilha
antes disso à margem...
eu sei da dor e da chama em cada homem
eu fico muda com a dor nos rostos..
é de não saber de onde, pra onde, nem pra quê...
é de construir pedra sobre pedra sem saber de nada...
eu sei do amor que se sonha
eu sei dos sonhos, das montanhas de tantos países
dos verdes espalhados pelo mundo
de uns céus mais cinzas e altos que outros..
eu sei da filosofia contemporânea que é feita nos EUA
eu sei que este quarto não será mais meu
e eu sei que esta cidade tampouco é minha...
e ontem no café olhando o passeio do centro da cidade,
os que passavam, eu pelo vidro olhava e pensei: aqui pareço pertencer,
mas não pertenço!
e quando estiver em Porto sentirei o não pertencimento...
e eu sei que não tenho raízes
e sei olhar pra rosa e ver sua indiferente beleza a olhar pra mim.

sábado, junho 20, 2015

Os Três Mal-Amados



João Cabral de Melo Neto

Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia
"Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

quinta-feira, junho 11, 2015

Llagas de amor

Esta luz, este fuego que devora.
Este paisaje gris que me rodea.
Este dolor por una sola idea.
Esta angustia de cielo, mundo y hora.

Este llanto de sangre que decora
lira sin pulso ya, lúbrica tea.
Este peso del mar que me golpea.
Este alacrán que por mi pecho mora.

Son guirnaldas de amor, cama de herido,
donde sin sueño, sueño tu presencia
entre las ruinas de mi pecho hundido.

Y aunque busco la cumbre de prudencia
me da tu corazón valle tendido
con cicuta y pasión de amarga ciencia.


Federico García Lorca

quarta-feira, junho 10, 2015

Hilda


Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

©Hilda Hilst
In Da noite, 1992

terça-feira, junho 09, 2015

Erosqueleto


meus dedos caminharão em seu corpo lentamente
depois disso darei um mergulho em sua boca
sabendo da impossibilidade de entrar em ti
com a língua
será tua vez de encher-me com sua carne
possuída
depois disso irei para o meu Porto
e só,
talvez sinta falta do teu corpo,
não será possível inventarmos amor
já que sabemos o que nos espera
nosso fim esqueleto.

Inventa a ressurreição! Profetiza alma minha, diga as palavras de vida ao pé do meu
ouvido
é preciso crer, é preciso crer!
Amor, amor, ressuscita o morto! Vida, vida, vida
Para que volte a gozar e amar!
https://soundcloud.com/fernando-cerro/llenate-de-mi

Poema erótico imaginário

Quero fazer um poema erótico
sem corpo
um corpo imaginário
sensações imaginárias
enfim, tudo se fazerá
e será inventado.
A pele que trará arrepios
os beijos que não terão fim
o abraço que de tão bom doerá
e depois desse poema
imaginário
eu vou dormir
já é 00:02


domingo, junho 07, 2015

O RIO DA POSSE

Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade. Só nos parecemos de longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns.
Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo.
O homem que sonha em cada homem que age, se tantas vezes se malquista com o homem que age, como não se malquistará com o homem que age e o homem que sonha no Outro.
Somos forças porque somos vidas. Cada um de nós tende para si próprio com escala pelos outros. Se temos por nós mesmos o respeito de nos acharmos interessantes, (...) Toda a aproximação é um conflito. O outro é sempre o obstáculo para quem procura. Só quem não procura é feliz; porque só quem não busca encontra, visto que quem não procura já tem, e já ter, seja o que for, é ser feliz (como não pensar é a parte melhor, de ser rico).
Olho para ti, dentro de mim, noiva suposta, e já nos desavimos antes de existires. O meu hábito de sonhar claro dá-me uma noção justa da realidade. Quem sonha demais precisa de dar realidade ao sonho. Quem dá realidade ao sonho tem que dar ao sonho o equilíbrio da realidade. Quem dá ao sonho o equilíbrio da realidade, sofre da realidade de sonhar tanto como da realidade da vida (e do irreal do sonho com o de sentir a vida irreal).
Estou-te esperando, em devaneio, no nosso quarto com duas portas, e sonho-te vindo e no meu sonho entras até mim pela porta da direita; se, quando entras, entras pela porta da esquerda, há já uma diferença entre ti e o meu sonho. Toda a tragédia humana está neste pequeno exemplo de como aqueles com quem pensamos nunca são aqueles em quem pensamos.
O amor perde identidade na diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que só torna seu se não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia — os amores todos que são os absurdiandos do amor.
No terraço antigo do palácio, alçado sobre o mar, meditaremos em silêncio a diferença entre nós. Eu era príncipe e tu princesa, no terraço à beira do mar. O nosso amor nascera do nosso encontro, como a beleza se criou do encontro da Lua com as águas.
O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente.
O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.
Metafísico. Mas toda a vida é uma metafísica às escuras, com um rumor de deuses e o desconhecimento da rota como única via.
A pior astúcia comigo da minha decadência é o meu amor à saúde e à claridade. Achei sempre que um corpo belo e o ritmo feliz de um andar jovem tinham mais competência no mundo que todos os sonhos que há em mim. E com uma alegria da velhice pelo espírito que sigo às vezes — sem inveja nem desejo — os pares casuais que a tarde junta e caminham braço com braço para a consciência inconsciente da juventude. Gozo-os como gozo uma verdade, sem que pense se me diz ou não respeito. Se os comparo a mim, continuo gozando-os, mas como quem goza uma verdade que o fere, juntando à dor da ferida a consciência de ter compreendido os deuses.
Sou o contrário dos espiritualistas simbolistas, para quem todo o ser, e todo o acontecimento, é a sombra de uma realidade de que é a sombra apenas. Cada coisa, para mim, é, em vez de um ponto de chegada, um ponto de partida. Para o ocultista tudo acaba em tudo; tudo começa em tudo para mim.
Procedo, como eles, por analogia e sugestão, mas o jardim pequeno que lhes sugere a ordem e a beleza da alma, a mim não lembra mais que o jardim maior onde possa ser, longe dos homens, feliz a vida que o não pode ser. Cada coisa sugere-me não a realidade de que é a sombra, mas a realidade para que é o caminho.
O jardim da Estrela, à tarde, é para mim a sugestão de um parque antigo, nos séculos antes do descontentamento da alma.
s.d.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.
 - 273.

sexta-feira, junho 05, 2015

Tres retratos
con sombras


La canción,
que nunca diré,
se ha dormido en mis labios.
La canción,
que nunca diré.

Sobre las madreselvas
había una luciérnaga,
y la luna picaba
con un rayo en el agua.

Entonces yo soñé,
la canción,
que nunca diré.

Canción llena de labios
y de cauces lejanos.

Canción llena de horas
perdidas en la sombra.

Canción de estrella viva
sobre un perpetuo día.


García Lorca
Você não deve estudar Epistemologia agora?
chega de amor em Merleau-Ponty
carajo,
internalismo, paz? paz?
mi gustaria desnudar ahora...

Acostumada com a dor e o sonho.

Preparando para entrar no meu inverno
ao tentar entender sentimentos que por ora são inventados
mas isso nada importa, já que são verdades
preparando para saber como vou povoar o meu mundo
e senti-lo sobretudo...sobre todos
sobre mim
já sei a poesia me acalma, faz expulsar emoções estanques
a música roda o pensamento, o tira dos vícios destas emoções
a arte representando um não-sei-quê de imagens robustas
enfim, meu mundo é povoado por estas
o meu esquema, os meus sentimentos
eu vou modificando, o meu olhar, meu olho vai inchando...
ontem o esquerdo, hoje o direito
será uma luz nova?
uma sexta na qual seletivamente meus prazeres se resumem
no desejo de fazer filosofia apenas,
escrever sobre o amor sem propriedade alguma.
Mas agora digo o que quero dizer a partir de algumas citações
seja por Proust ou Merleau-Ponty, ou cantando Janis,
ou lendo Lorca, Pessoa, Cecília..
Há uma concordância e uma paz de não desejar inventar sentimentos...ou prazeres.
Sinto a paz de uma lua cheia indiferente.
Há uma transfiguração de meu esquema corporal, atormentado ainda,
sabendo daquelas incontroláveis emoções, ou sentindo sem medo...sabendo
que são assim...
mas lutando pela modificação
agora o esquema é outro...começo a pensar em coisas que me povoava
dez anos atrás,
um tempo perdido...viver é perder tempo....
acho que esse treco de dar sentido pra vida vai caindo aos poucos...
sejam filhos, sejam amores, tudo arbitrário, inventado...
não sei, me acostumo a ficar só, sinto prazer agora, estou feliz por isto.
Isso não me parece bom numa análise, ich...me confundi...mas, me sinto melhor
em conformidade com o próprio tormento que é a vida e como significá-la.
Enfim, se vive, em família, como assim me sinto em casa, ao mesmo tempo
sei que todas estas casas não são minhas...mesmo esta que é.
Aumenta cada vez mais a minha fé em mim, sinto a obrigação de pensar em Deus que é amor.
Sim por que peço a Deus que não seja uma vida insignificante, não posso ter vindo aqui pra nada...
parece uma necessidade novamente de dar sentido, um humanismo, desprezível?
ah não sei...me confundo novamente....
Onde está o amor?
Está em mim? Acho que não.
Então como podes acreditar em ti? se não acreditas no amor?
Acredito que me amo e amo minha família, mais a mim...
Não sei, a filosofia me parece cada vez mais desprovida de paz, devido a multiplicidade
de significações possíveis que vou absorvendo,
mas fico em paz filosofando, mas é hoje
tu sabes que o conflito é saber que não se explora o mundo por textos...
ah hoje os hormônios devem ser naranjas por si mismos...estão em paz...
pareço ficar mais forte, mesmo que me veja fraca.
Sigo lutando por mim.
Pelo amor, já não sei mais. Mas se me amo, e luto por mim, luto pelo amor, certo?rsrs
Eu sou amor..rs pootz...Eu sou deus? ich....
Eu sou Sâmara, eu não sou um nome...rs
eu sou isso aqui que amo...ama? como? ah sei lá...
Enfim, acostumada com a dor e o sonho.

domingo, maio 24, 2015

como siempre cuando enamorada
una metáfora de la luna cabe
y hoy ella sorri en el cielo
no pasa nada, yo sé que todo eso es ridículo
pero me pasa.

quinta-feira, maio 21, 2015

estás siempre en el horizonte de mi pensamiento
e isso é real
sí, hay maderas cantantes
por unas manos mágicas
transformam unas
almas que se ponem naranjas
todavia un querer determinado a
un corpo en el mundo..
o tempo será outro quando entrelaçada
num novo mundo e em ti
yo seré yo?

terça-feira, maio 19, 2015

Esboço de uma teoria fenomenológica - Sartre

consciência das emoções como consciência reflexiva para psicólogos
estado de consciência
mas a consciência emocional é primeiramente irrefletida
a consciência emocional primeiramente é consciência do mundo
é evidente que aquele que tem medo, tem medo de alguma coisa
é de certos aspectos do mundo que temos medo
mas parece que a emoção se afasta do objeto para se absorver nela mesma
retorna ao objeto e dele se alimenta
a emoção é uma certa maneira de apreender o mundo
ação x mundo
irreflexão x reflexão
palavras como exigências de uma atitude irrefletida
não há necessidade de se saber consciente de si para poder agir
emoção uma transformação do mundo
caminhos modificados e devemos agir
captura de relações e exigências novas
a consciência tentar captar e se adaptar
isto é transforma-se para transformar o mundo.
através de uma mudança de intenção como numa mudança de conduta
apreendemos um objeto novo ou um objeto antigo de uma maneira nova
consciência irrefletida que capta agora uma nova conduta e ordena
e serve de elemento à intenção nova
 mas a conduta emocional não é efetiva
na emoção o corpo que dirigido pela consciência, muda suas relações com o mundo
para que o mundo mude suas qualidades.
não alcanço as uvas, digo que estão verdes
um animal feroz vem em minha direção, desmaio como proteção
conduta de evasão, uma negação do fato
ação mágica sobre o mundo
emoções mundo mágico usando nosso corpo como meio de encantamento
hahaha falsidade não é uma característica lógica das proposições mas qualidade existencial..hahaha
a falar da imensa variedade de emoções
o ator imita a conduta, mas não a sente
a falsidade vem de uma fraqueza essencial que se apresenta como violência
a verdadeira emoção é acompanhada de crença
a emoção é sofrida
não se pode sair dela a vontade
se esgota espontaneamente mas não podemos interrompê-la
a emoção não é simplesmente representada, não é comportamento puro, é comportamento de um
corpo que se encontra num certo estado
aparece num corpo perturbado que mantém uma certa conduta
a perturbação pode sobreviver à conduta, mas a conduta constitui a forma e a significação
da perturbação
para crer nas condutas mágicas, é preciso estar perturbado
a emoção é um fenômeno da crença
vive o mundo novo que acaba de constituir
vive-o diretamente, admite suas qualidades que as condutas esboçaram
quando os caminhos estão barrados, a consciência  precipita-se no mundo mágico
da emoção
precipita-se por inteiro, degradando-se, ela é a nova consciência diante do mundo novo ,
e é com o mais íntimo nela que o constitui
com essa presença a si mesma, sem distância do seu ponto de vista sobre o mundo
a consciência que se emociona assemelha-se muito à consciência que adormece
a consciência muda de corpo
somente a conduta decidirá se a perturbação será crescimento ou diminuição da vida
a origem da emoção é uma degradação espontânea e vivida da consciência diante do mundo
a consciência da emoção é cativa
ela não domina esta crença que se esforça por viver , porque a vive e se absorve em vivê-la
ela não se conhece senão no mundo
a emoção tende a perpetuar, sofrer, a consciência emociona-se sobre sua emoção, ela exagera
apoderam-se da consciência
a libertação deve vir de uma reflexão purificadora ou de um desaparecimento total da situação emocionante
o que é constitutivo na emoção é que ela capta no objeto algo que a excede infinitamente.
há um mundo da emoção
e a relação com a consciência é sempre mágica
mundo da emoção como mundo da loucura, dos sonhos
com sínteses individuais que mantém entre si qualidades e relações
através da emoção uma qualidade esmagadora e definitiva da coisa nos aparece
é isto que ultrapassa e mantém nossa emoção
emoção intuição do absoluto
uma intuição obscura que se apresenta como tal
percebemos um sinistro profundo através das emoções
há vezes é o mundo que se apresenta mágico
quando emocionados
a emoção como modo de compreender o mundo
possui sentido e significado para minha vida psíquica

quinta-feira, maio 07, 2015

A superação da metafísica mediante a análise lógica da linguagem- Rudolf Carnap

1- Introdução

Sempre houveram opositores à metafísica, muitas críticas
algumas diziam que se opunha à experiência, outras diziam que era um conhecimento se excedia a nossa capacidade de compreensão
com o desenvolvimento da lógica moderna, novas respostas são dadas a este problema
que por meio de análise lógica tenta decifrar o conteúdo destas proposições científicas
a análise lógica de proposições metafísicas aponta para um resultado negativo
destas proposições serem sem sentido e seu uso estéril
é como levantar questões por exemplo: qual era o peso médio dos habitantes de Viena
cujo número telefônico termina en 3?
proposições que não nos dizem nada, sem sentido, são pseudoproposições

2-O significado de uma palavra

palavras com significados são conceitos
se a sua significação é somente aparente e a realidade não o possui
falamos de um pseudoconceito
palavras sem significado, como podem ter sido introduzidas na linguagem? pergunta Carnap
cada palavra tem significado, que pode mudar com o tempo, pode ser que uma palavra perca seu antigo significado sem chegar a adquirir um novo, assim surge um pseudoconceito
como descobrir o significado de uma palavra?
1. de que proposições  deriva ou podem derivar tal proposição
2. em que condições é falsa e verdadeira tal proposição
3. como pode ser verificada
4. qual é seu sentido

por exemplo artrópode e sua definição
são animais que possuem corpo segmentado com extremidades articuladas e cobertos por quitina

a coisa x é um artrópode
devem derivar premissas
x é um animal
x possui um corpo segmentado
x possui extremidades articuladas
x tem uma cobertura de quitina

cada uma dessas proposições derivam de  uma elementar que é a primeira
e estas derivações afirmam sua possibilidade de verificação
 e sentido e sobre seu critério de verdade
assim fixa-se o significado de artrópodes


portanto há

proposições de observação e proposições protocolares, e assim se obtém o significado das palavras

em teoria do conhecimento se costuma dizer que
proposições se referem ao dado, mas não há unanimidade sobre o que é o dado
se o dado são qualidades sensoriais ou sentimentos (como cor, calor)
mas também há outras teorias que dizem das proposições se relacionarem entre si
referindo a experiências globais e relações de semelhanças entre as próprias proposições
(parece se referir a Russell e Quine)
outras dizem que proposições dizem de objetos...

mas Carnap diz que independente dessas opiniões a respeito do que seja uma proposição
ele afirma que as palavras só possuem sentido  se foi fixado as relações de derivação de proposições
protocolares
qualquer que seja as características destas

o significado de uma palavra se define mediante seu critério de aplicação( que é esta prática de derivação
e verificação
isso seria um critério de aplicação de cada palavra
isso eliminaria  a falta de significado e o uso de pseudoproposições
assim cada palavra receberia seu significado exato
O significado está contido neste critério e o que deve ser feito é mostrá-lo a partir dele

suponhamos que alguém invente uma palavra tago
e há objetos tago e outros não
para descobrirmos o que significa tago perguntaríamos sobre seu critério de aplicação

assim é...como determinamos em um caso concreto se um objeto dado é tago ou não é...??
se depois de aplicar o critério de aplicação descobrimos que
não existe signos empíricos de taguidade, assim somos obrigados a negar o uso dessa
palavra
e se há pessoas que insistem em usar a palavra afirmando que há objetos que são
tagos e outros não
Carnap diz que será um mistério, um segredo eterno, um mero flatus vocis....(universais não tem realidade objetiva) corrupção, liberdade....


e se a pessoa insiste em usar a palavra tago, inferiremos somente o fato psicológico associado a tal
palavra e seu uso, como imagens e sentimentos, mas não por isso adquire esta algum significado
são mera pseudoproposições

(há o exemplo de palavras que são sinônimos de outras) mas,

para resumir esta análise de Carnap
a condição suficiente e necessária para uma proposição ter significado são as formulações a seguir
1- Que o uso empírico da palavra seja conhecido
2- Que se estabeleça de quais proposições protocolares é derivada
3- Que as condições de verdade tenha sido estabelecidas
4- Que o método de verificação seja conhecido

3. Palavras metafísicas carentes de significado

então Carnap conclui que muitas palavras usadas na metafísica não satisfazem
ao critério que ele propôs e são carentes de significados
por exemplo a palavra "princípio"
princípio do mundo ou das coisas, ou da existência, ou do ser
e muitas são as respostas dos filósofos....como ex: água, número, forma, movimento, vida
e por aí vai.....
com o intuito de descobrir o intuito que possui a palavra princípio

assim Carnap quer aplicar o critério à palavra princípio
que seria  perguntar aos metafísicos em que condições uma proposição da
forma "X é o principio de Y" é verdadeira e em que condições é falsa...

o metafísico responderia  aproximadamente como:
"X é o princípio de Y"
que quer dizer que Y surge de X
o ser de Y reside no ser de X
Y existe em virtude de X e por aí vai.....
mas estas expressões são ambíguas e com muitas interpretações possíveis
poderia tbm acontecer de o metafísico dizer que há uma relação causal entre ambos,

mas o que o metafísico diz por significar não é esta relação empírica e observável
assim seria correspondente ao observar uma lei física, mas não é....
assim o pretendido signficado metafísico que se supõe possuir quando em contraste
com o significado empírico, não existe!
inclusive quando se observa o significado original
da palavra, arqué nos gregos e principium no latim a palavra
diz de começo, e não como nos metafísicos usam como
uma prioridade diferente e metafísica
faltam critérios para esta especificação metafísica
a palavra foi desprovida de seu significado original  e foi lhe atribuído algo
novo, uma casca vazia diz Carnap....

depois analisa a palavra Deus
que designa algo que está para além da experiência
não corporeo
o seu significado também é descrito por pseudodefinições metafísicas
como o absoluto, o inconcidicionado, onipontente, onipresente, autônomo...e por aí vai
não possui nem uma proposição elementar como X é um Deus
seu uso teológico é mitológico e metafísico
podem ter um uso empírico sobre o emprego a palavra Deus quando se referem mitológico..

resumindo o uso de palavras metafísicas são sem significado
como por exemplo ( a ideia, o absoluto, o infinito, a coisa-em-si, essência, ego)
e é o mesmo que se passa com o exemplo da palavra tago
não tem sentido, não declaram nada, querem significar algo mas são meras ilusões
de sentimentos e imagens
são pseudoproposições

4- O sentido de uma proposição


agora Carnap quer mostrar palavras que possuem significado, mas que reunidas de uma forma
que o conjunto não tem sentido
algumas combinações de palavras são admissíveis outras não
assim a linguagem não exclui estas combinações inadimissíveis,
como por exemplo ele vai tentar mostrar

1- César é Y
2- César é um número primo

a sequência das palavras é correta, a forma gramatical também
mas a proposição 2 carece de sentido, Número primo é um predicado dos
números, não pode ser afirmado ou negado a uma pessoa
aparenta ser uma proposição mas não é
não declara ou expressa nada, nenhuma relação existente ou inexistente
é uma pseudoproposição

mesmo não violando as regras da sintaxe gramatical
não se trata de uma proposição correta
A é um número primo
é falso se e somente se A é divisível entre um número natural distinto de A e de 1
neste caso é evidentemente necessário substituir A por César

ou seja a linguagem cotidiana permite a formação de pseudoproposições
sem que sejam violadas as regras gramaticais
não há correspondência exata entre sintaxe gramatícal e sintaxe lógica
se assim fosse não formariam proposições sem sentido
Carnap considera que poderia ser feita uma divisão e classificação dos substantivos
em diferenças classes de acordo com as propriedades de cada um
numa tentativa de evitar o uso sem sentido
então conclui que mesmo que as proposições da metafísica sejam gramaticalmente
corretas não possuem sentido e não expressam nada
assim segue a importância da tarefa da filosofia que é de elaborar uma sintaxe lógica,
trabalho dos lógicos.

5-Pseudoproposições metafísicas

no quinto capítulo Carnap pretende analisar algumas proposições metafísicas
que ele afirma a violação da sintaxe lógica,

ler passagem de Heidegger

"Somente deve ser investigado o-que-está-sendo e ademais_ nada; o-que-está-sendo e fora disso_nada. Qual é a situação em torno deste Nada?... Existe o Nada somente porque existe o Não, quer dizer, a Negação? O sucede o inverso? Existe a Negação e o Não somente porque existe o Nada?... Nós postulamos: o Nada é mais originário que o Não e a Negação... Onde buscamos o Nada? Como encontraremos o Nada?...Nós conhecemos o Nada...A angústia revela o nada...Diante e por que nos angustiávamos era "propriamente"_nada. De fato: o nada mesmo_ como tal_estava aí....Qual é a situação em torno ao nada?...O nada mesmo nadifica." Heidegger, SEr e Tempo...

Carnap vai fazer uma análise destas passagens, comparando com proposições que tem sentido

tentar mostrar a análise

ele diz que a deficiência da linguagem metafísica é comprovada
e diz da diferença de uma linguagem logicamente correta gramaticalmente
mas numa mistura de palavras com sentido e outras sem...









quarta-feira, maio 06, 2015

nadificando

hoje não consegui fazer nada
quer dizer fui às aulas...da manhã
as da tarde não pude...
abalos psíquicos...
não consegui ler Kant...ok é irrelevante...ou não
nem projetos, nem nada...
para quem faz Filosofia
vou pra outra aula agora?
devo..a chuva parou..eu já dormi pela tarde
podia ter nascido outro dia...mas não
minhas emoções estão fatais hj.
vou ver um  pouco da Crítica da Razão Pura....
puta que pariu.
preciso tomar um banho pra isso...rs

terça-feira, maio 05, 2015

Da realidade virtual à Virtualização da realidade- Slavoj Zizek

psicanálise
a entrada em uma operação de função simbólica
felicidade simbólica
ver a realidade efetivamente como ela é
quando confrontando com o Real com todo esse horror insuportável, o sonhador acorda, i. e. escapa para realidade..
realidade é constituído exatamente sobre o modelo de felicidade simbólica

O que isso tem a ver com o computador? No início de 1954 Lacan indicou
que no mundo de hoje, o mundo próprio da máquina, o caso paradigmático para
a “felicidade simbólica” é o computador,

produzida em campos variados e realizada em âmbito universal (nós
“programamos” nossas atividades;

claro, nós sabemos que ele é “inanimado”, é apenas uma máquina; no entanto,
na prática nós agimos para com ele como se ele estivesse vivendo e pensando...

Duas das principais reações são
a "Orwelliana" (o computador como encarnação do Grande Irmão, um exemplo do
controle centralizado do totalitarismo) e a "anarquista”, na qual, em contraste,
vê-se no computador a possibilidade para uma nova sociedade autogerenciada,
“uma cooperativa do conhecimento” a qual vai permitir qualquer pessoa controlar
"de baixo”, e, deste modo, fazer a vida social transparente e controlável.

: uma primeira tentativa
de simular o pensamento humano mais remotamente possível com o computador,
trazendo o modelo o mais perto possível ao humano “original”, até certo ponto
significa o contrário e isso cria as questões: e se esse “modelo” já é um modelo
do “original” ele mesmo, e se a inteligência humana ela mesma opera como um
computador, é “programado”, etc? O computador cria, na forma pura, a questão
da aparência, um discurso que não pode ser um simulacro: é claro que o
computador em alguns sentidos apenas “simula” o pensamento; como a
simulação total do pensamento se difere do pensamento "real" ?

A objeção usual contra a “inteligência artificial” é aquela que em uma análise
final, o computador é apenas “programado”, que ele não pode em sentido real
“entender”, enquanto atividades humanas são espontâneas e criativas.

Aqui os
proponentes da cultura do computador procuram o elo entre ciência e arte: na
essência, não apenas empírica, não totalidade e inconsistência do computador -
não é dessa maneira a atividade auto-reflexiva do computador homóloga à
composição de Bach que constantemente toma o mesmo tema?

real”.
Nisso consiste o elo do mundo do computador com o universo da ficção
científica: concebemos um mundo no qual tudo é possível, podemos arranjar as
regras arbitrariamente, a única coisa predeterminada é que aquelas regras devem
então ser aplicadas; isto é, aquele mundo precisa ser consistente nele mesmo.
Ou, como Sherry Turkly colocou: tudo é possível, ainda que nada é contingente -
o que é em conseqüência excluído, é precisamente o real. Essa realidade, a
realidade do outro que é excluída aqui é, evidentemente, a mulher: o outro inconsistente por excelência.

 ????

consistente, caminhando na
posição estrutural de um parceiro intersubjetivo, o computador é um "parceiro
não-humano" (como Lacan fala da senhora em amor elegante) [6]. Pode-se
inclusive explicar a partir disso o sentimento de algo não-natural, obsceno, quase
terrível quando vemos crianças falando com um computador e obcecadas com um
jogo, esquecidas de tudo à sua volta: com o computador, a infância perde sua
aparência de inocência.

Através da
miragem da "realidade virtual”, a realidade "verdadeira" ela mesma é posicionada
como um simulacro dela mesma, como uma simples construção simbólica. O fato
de que "o computador não pode pensar" significa que o preço para nosso acesso à
"realidade" é também que algumas coisas devem permanecer impensadas.

a imagem do homem é o corpo
a poesia é a subjetividade do discurso universal
a filosofia é a linguagem universal racional...como se de todos os homens...
eu viajando...
a cidade precisa do discurso da filosofia,
quem precisa da poesia?
eu..
e de sementes pra por a alma laranja.

Sementes naranja

Hoje eu vi
como fazer a alma por se em color naranja
percebi que a árvore ao lado da minha janela
que me faz companhia ao explorar o mundo pelos textos...
eu me pergunto se isso é explorar...e este é o conflito maior..
ok
o pássaro azul se aproximou
tinha uma semente laranja no bico
foi muito além de ver uma obra de arte
depois vi um verde, antes eu só queria ver mais de perto o azul
de plus um verde...
eles tem alma cor laranja...com certeza...
já lhes contei...os bem-te-vis são amarelos, mas comuns
eu descobri que os frutos desta árvore tem sementes laranja.
depois de quase dois anos ao lado da árvore, enfim
é a primeira vez que vejo seus frutos, os de mais dentro do fruto...
Comerei sementes laranja,
eu as tirarei donde? dos textos?
descobri que o meu projeto tem perguntas demais....
ok, sementes laranjas, agora eu preciso descobrir
onde estão. E a minha árvore?
Na filosofia, na poesia, na arte?
Sâmara os passarinhos azuis, amarelos, verdes somente vivem
e comem sementes laranja da árvore ao lado da sua janela.