sábado, março 01, 2014

Quartos a noite com barulho de carros e solidão de prédios que envelhecem.

não sei se é mais razão
só sei dos sentidos que não sentem
como antes a paixão
agora que ficou mais fácil
saber o que é bom
sei das ilusões que me prendem
e são necessárias
escuto minha voz e meu nome
estou só e medito olho para a copa
da árvore que vejo da minha janela
o céu ora cinza ora azul
e eu ora sinto vontade de conhecer a China.
E não sei das condições de espaço e tempo
parece-me que agora não há diferença do barulho
da Antônio Carlos e daquela rodovia de um dia
eu estava sozinha e me sentia livre
agora não
devo ler muitos livros para ser quem eu quero
antes não
agora o ente não está doente
e o ser parece preso no ente
que quer viajar para lá
para estudar
mas no fundo é muito mais
é como resgatar
o ser
de alguma forma
mas no mas en carreteras
pero en classes
y nadie parece mui diferente
apesar de saber que estou diferente
envelheci.


ontem a noite

sim são ilusões
um vinil novo
um carnaval sem folia
a chuva cai com estranhamento
de solidão
linear


sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Ilusiones para una vida toda

Si, si
estoy aprisionada
en una ilusión
y no hay nada mas que una
fijación de ser mui buena
y amada
filosofia como forma de pensar
mi alma soñada
un dia un dia un dia
sóla sóla sóla
pero para leer y mirar y pensar
sobre todo
es así
como una árbol
que refleja su respiración
y deja su fotosíntesis
en un rincón
de una calle cualquier
donde el sentido de la ilusión que abrazo
sólo
traerá el sentido
con el amor que sueño
vale todo por ilusiones
mayores q otras...

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Mais alguns minutos..

Quase todas as horas ocupadas
num preenchimento quase completo
da vida
posso dizer que faço muito
e tenho duas horas nas terças e quintas para
pensar e parar 
e voltar a correr
para comer, trabalhar, estudar, malhar,
salvo a yoga e terapia
todas as teorias e línguas que me levarão
ao ser que me proponho
e ontem quando eu deixei de ir à academia
para conversar por uma hora embaixo do pé de goiaba com o dileto
que tentou um beijo
eu assustei, logo eu, tão experiente...ahhhh quanta experiência inútil
quantos projetos e sonhos efêmeros
eu poderia isolar-me e buscar com genuína dignidade todo o conhecimento
que quero possuir
mas no fundo eu quero mostrar,eu quero aprovar-me para ti..
todas as atividades em que eu me ocupo podem não me levar a lugar
algum
falarei as línguas que me proponho, ahhh será que um dia filosofarei
em grego ou alemão
eu me sinto idiota demais...
tenho medo de estar só, sendo o ser que quero ser... ele vai parecer 
mais idiota ainda...acumulando livros nas estantes...
Eu não sei...tenho esperança, e sonhos demais
mas tenho medo de estar sempre só.
Enfim, eu descubro que sou só eu.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

eu sonhei com o ideal
saudade de o ver descendo as escadas
do meio
para o centro da minha vida
e quando o sinto lembrando
percebo
minha imersão
ao ideal que é sonho.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

eu olho no dicionário o que é
crença, saber, informação, conhecimento
o que todos dizem
eu pergunto aos sábios eles não querem dizer não
não sei dos black-blocs
de projetos de lei
de manifestações
tenho medo e não faço
revoluções
acho graça quando diz da luta
não sei o que é classificar alguém de fascista
nem a realidade me oprime
não sou cientista
não quis ler Foucault
e a cibercultura de que falas
não é a que eu quero falar
eu só falo de relações
comunicação
de mim
num blog
que diz da voz
velada
num vão da rede.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

vou te falar a verdade
eu cansei de jogos de amor
e pensar em dividir realidade
se não houver fidelidade
e eu não creio
se não criarei nada além de receio
rimas inúteis
DE FATO
hj fui aceita por um dos deuses
Sâmara vc está certa disse do alto do  Olimpo
eu assustei
defendeu-me dos colegas
fantástico
mas o exemplo
era do Olavo
eu continuo nada
amei-o ele tbm acha Descartes
um nada
e se eu for nada sem verdade
prefiro ser nada com verdade.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

00:20

gostaria de confessar todas as minhas impressões
e reconhecer o que eu vi e senti
colocar todas as questões necessárias
e a verdade da minha experiência
elucidar o que se passou abstraindo
os nódulos que atrapalham sempre pulsando pinceladas
a projeção deve ser ovulação
na hora que desabotoei os botões a fuga
eu não sei mais o que querer
do outro
eu só preciso comer frutas
e ir ao Yoga
e ler os 9 livros empilhados em cima
do puf
ah se no fim era dormir agora nos braços
que envolveriam as espaldas massageando
as pulsões os pulmões
e contar para o outro
meu amor para absorver a falta de amor
e no meu gozo abraçar a natureza da realidade
estrutural
do meu corpo
será?
mas ninguém me pergunta ou exige de mim
alguma verdade de hoje
por isso eu imagino ilusões
ok estou presente
e durmo.
ah  eu soube me defender
e importa muito.


sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Louva deus

Eu quase esqueci de chorar pelo luto
mas na terapia foi lá
com lencinhos umedecidos de lágrimas
veio o fato a calhar
e saber de como aprender a amar tudo
que amava antes de tudo que sou agora
do voo solo
e lidar agora com as escolhas
do meu orgulho de ser assim
tão eu e só
e ter todas essas risadas ridículas
de um prazer histérico
nas aulas
apaixonar-me em segredo por cérebros
sem saber como lidar com os corpos
já que o ser sexual sofreu uma grande poda
e o amor venceu
e ficou orgulhoso de mim
eu aprendo agora a me afastar
mas é para aprender a lidar
e será que as descrições aqui valerão de algo?
nada
se neste exato momento um louva deus
pousa na minha cortina num quarto do terceiro andar
tá voando alto
e agora veio dormir comigo e está olhando
para a parede será que pensa? se reza...
e eu sei que isso pode significar só pra mim
aliás nem sei o que poderia
que depois de subir pela parede ele cai deslizando
tudo isso porque não ficou quieto rezando
Agora subiu e está no criado-mudo
e nem quis saber de passear pelas minhas flores
eu com medo dele olhado para minha cara
pensava no ataque do louva deus
e pude ter medo
esperava ser atacada por esse bicho origami minúsculo
e essa experiência é  a verdade que vem devagar como
ele voa e eu salto de susto
estalando o trapézio pulsante que doeu a noite inteira
ele se esconde por trás
da cortina de novo
eu o vejo saindo e subindo a parede
e penso que ele ao menos não tem músculos
nódulos pulsantes doloridos
ele se esconde novamente com seus 5 olhos
tô achando este louva deus muito inquieto
deve estar com fome!
fica girando com as patas da frente
agora assim com as palmas das patas juntas
rapidamente
eu levanto-me, abro a cortina
e digo vá embora
já lhe abri o caminho
é só mergulhar
e cuidado com os morcegos!
ele continua e se vai depois que eu dormi
e toda descrição da minha realidade é tão insignificante
mais importante é a existência do louva deus
que já voou.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Viva demais para resistir...confronto confessado.

não sei o que fazer com estas imagens
é o sexo daquele que eu cuidava
que tenta enfiar
a força
eu digo não
é vc meu irmão
não dá pra brincar com isso não
dói
e eu morro
e vc morre em mim
a memória
a percepção
o testemunho
meu Deus, eu penso
vc não!
eu morro de novo
eu fico velha com a dor
que deixa marca
no meu coração
quase meia-noite
a hora da minha poesia
e eu desde sábado
morro
OO>OO
OHHH
como podes?
se transformar num escroto
minha grande admiração
jogada no ralo
eu só lembro da minha
força
e do seu caralho
forçando eu dizer não à realidade
que era vc louco
que impunha
e assustada eu vacilava
em admitir o fato
não acreditava
meu Deussssssssssssssssssssssssssss
eu morro
de novo...
fui vencida
agora renasço
para estar definitivamente

e não há sangue
que eu possa confiar
a verdade da realidade
faz eu voltar-me para mim
sempre.
E saber da força que mantenho
para resistir aos golpes.

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Touch


Touch
I remember touch
Pictures came with touch
A painter in my mind
Tell me what you see

A tourist in a dream
A visitor it seems
A half forgotten song
Where do I belong?
Tell me what you see
I need something more

Kiss, suddenly alive
Happiness arrive
Hunger like a storm
How do I begin?
A room within a room
A door behind a door
Touch, where do you lead?
I need something more
Tell me what you see
I need something more

If love is the answer you're home
Hold on
If love is the answer you're home
Hold on
If love is the answer you're home
Hold on

Touch
Sweet touch
You've given me too much to feel
Sweet touch
You've almost convinced me I'm real

I need something more
I need something more

Daft Punk


sexta-feira, janeiro 24, 2014

Os homens ocos


"A penny for the Old Guy"
(Um pêni para o Velho Guy)
Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.
V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.
(tradução: Ivan Junqueira)
T.S.Eliot

Terapeuta de férias seguido de obscurecimento passageiro das faculdades mentais.

Fiquei espantada, tudo certo
a vida enfim,
uma energia inigualável
ir para o clube andando
ir para o trabalho andando
e depois chegar em casa e ir
correr na orla da lagoa fedorenta
estupendo!
quando havia chuva, subir e descer os 
degraus do primeiro ao terceiro andar
até a energia acalmar-se
ah fogo no rabo, diz minha senhoria
poderia ser uma velha irascível se tivesse dinheiro
afirma, sim Eu sou muito brava! aaaaaaaaahhhhhh rsrs
mas agora é pobre, ser brava com quem? não tem mais
criados!rsrsrs vira síndica..hauahaha
finge ares de humildade
sofre por ter perdido tudo, todo dinheiro e todo amor 
que teve na vida
então, volta a coisa da Sâmara como bode expiatório
só enriquecendo minha realidade
vendo como o outro reage diante do meu ser
eu gostaria de dar provas
para não pensares que estou louca e que confabulo
retaliações ou qualquer tipo de teoria da conspiração
mas não há nenhum plano secreto ou fofocas
ah sim, claro imagino as fofocas... de velhas, santas, mal amadas...rsrs
Dona Rosa me disse que vc gosta muito de andar, né?...vizinhas...
essa política de boa vizinhança, uma balela..vai pros EUA Sâmara,
lá deve ter..
uma senhoria tão respeitável ora insinua a loira burrice
ou o fogo no rabo, hoje disse que tem um percevejo mordendo
meu rabo
se percebo o percevejo lhe daria quem sabe um beijo..rsrs
quanta audácia para uma serva de Deus
da Congregação Cristã do Brasil
imagino quando ora a Deus usando  seu véu...ahhh quão angélico!
deve pedi-lo pela minha alma...rs
que eu não tenho paciência de esperar nem a máquina terminar 
de lavar
que eu molho a casa inteira quando chego da rua molhada de chuva,
que eu não fico quieta, 
por favor digam é por causa do meu cabelo? do meu olho? de eu querer
ser uma filósofa? ler no lugar de ver novela?rsrs
eu digo, que a falta de paciência é por ter que aturar certas energias
incompatíveis 
certo desamor
certa inveja
será prepotência minha? não Deus! eu quero relacionar-me bem,
eu quero aprender, eu estou para o diálogo...eu estou na minha, tÔ 
focada..................
ok eu tbm vou ficar bem velha
mas não terei os bigodes que possui, Deus me guarde!
e cheguei a conclusão que no fim não admitem tanta força
que há em mim
sem nenhuma estrutura ou pouco apoio
como podes? sozinha neste mundo, com tanta energia
com tanta vontade, ser tão feliz e não
não ter ninguém para mimá-la
trazer carnes ou ovos do interior
tudo para meu sustento
mandar dinheiro e mais dinheiro, etc...
milho, linguiça, pq não traz caralho
do interior tbm?
me dá um?
um caralho sem agrotóxico!rsrs
ah! é nessas horas que eu percebo o quanto
sou forte
e tentam fragilizar-me com hostilidade
provinda da incapacidade de compreensão
da minha força 
da minha solidão
de portas cerradas para não escutar a novela
ou qualquer assunto, inútil
medo dessa força
que veio justamente por eu ter concebido a realidade
assim
tão só
porém
há a Graça de Deus em minha vida
há sempre um sorriso 
há sempre o amor e a sinceridade da alma
e o meu assombro frente a tua implicância
eu posso pensar no belo, do sentimento
ser subjetivo, da razão ser universalizável,
qualquer teoria fará do objeto uma obra de arte?
para mim não..
enfim,
filosofar, aprender o grego, o alemão, blá blá blá
ah o marido que meteu os chifres e perdeu toda a fortuna
era alemão..rsrsrs todo dia eu escuto um SCHEIßE
nesse fim de mundo, nesse Brasilzão das bundas...
hilário...
vou,
tomar sol, ler O vermelho e o Negro com meu dileto
assistir os crássicos que nem sempre são crássicos
ler O mínimo para não ser uma idiota
ouvir todas as críticas possíveis de todos os possíveis críticos
irritar esquerdistas de merda
posso ir na outra casa
posso buscar a cama
e ser feliz com tudo isso
ou com só isso!
o que poderá incomodar minha Senhoria...
que vai ser deportada para a Espanha
por ficar sozinha na merda aqui
melhor morrer na Europa,
mesmo que seja na ESpanha...rsrs
e ficarão as santinhas de tão pouca idade
tão puras e castas 
com sorrisinhos na cara já prontos
tão sem energia e comilonas
que acumulam gorduras nos quadris
por serem tão virginais
ah quanta hipocrisia!
mas como eu não vou estar em casa mesmo!
Posso não incomodar ninguém!
Como eu sou injusta......................e tenho fogo no rabo,
loira burra, filósofa de merda,
que só pensa merda e só vê bunda....é, isso que é verdade!
ah que nada a verdade é a realidade!
Eu sei da verdade da minha realidade?rsrs
ich...a minha representação vai bem,
obrigada. Tudo acima, foi espasmo.
Peraí, todo esse delírio é minha realidade?
anem...
tá bom, realidade de ontem...ufa! ????

domingo, janeiro 12, 2014

A falta de um almoço de domingo

Quando se há mais razão
depois de dormir a maior parte do domingo
e descansar só num dia de silêncio
nestes que precisamos de almoços
especiais
principalmente agora
penso
numa janta daquelas
ahhh  
mas não há
e vai de bolo de chocolate mesmo
sanguinária por sal
lembra-se das doses de dopamina da
paixão da última semana
das conversas olhando para a piscina
da verdade da realidade
e a sua dúvida do real
da ideia muito mais natural
e os hormônios que dormiram bem
e se alimentaram mal hoje
tens um olhar que
tenta enxergar o dileto com
exatidão
depois disso
um gozo de sofá
com o Faustão gritando por sua
atenção
terminado isso
levanta e
ajeita algumas roupas espalhadas
pela casa
selecionando os papeis que devem 
ser conservados
são tantos papeis
discute com aquele que chega
da França, mas é o mesmo
e primeira coisa que faz é comprar uma
moto
aquele que outro dia tu fostes
visitar, lembrando: todo ralado do tombo
minha opinião não interessa
se não vês a tua própria involução
é fato que quero e necessito mostrar-te o que penso
e se há via da verdade e da opinião
eu suponho as duas..
faz muito calor e muitos pernilongos
me comem
eu enfim, não sinto falta de nada
a não ser da janta
ponho a Janis pra gritar na vitrola
e volto pra arrumar meu quartinho 
de amontoados que ficarão
trancados
pois eu já mudei daqui.

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,

está no pensamento como idéia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.
Luís Vaz de Camões

 

sábado, janeiro 11, 2014

Ao dileto que vive agora no meu peito.

Sei que estou submergida
tento nadar em direção a alguma projeção
falho no intento
mas lembro da sua voz e me parece
que é verdade todo o meu querer
não ser em vão
ao teu discurso e poesia
recitas são meus olhos?
que nada Sâmara, é Camões!
e minha esperança
não deverias dizer não
sei que sonetos que fazes
dizes ao meu coração
do teu querer
será meu o teu desejo?
e se dissermos sim
e encontrarmos naqueles
caminhos
verdes
nosso cinza terá fim?
nas incertezas criaremos o amor
sim?
Oh dileto,
quisera eu ser a musa de todos os
teus sonetos
quisera eu inspirar-te toda sonoridade
e rimas de tua poesia
cheia de certezas e o contrário
disseres que está repleto de significados
completos...
Quisera eu encontrar-te nos meus dias
ansiando como agora
mas titubeio
também não sei do que se trata o meu anseio
e minha imaginação
nem afigura o pensamento
só sei do sentimento
as projeções não avançam
para fora peito
e meu juízo nem existe
pois não há relação de nenhuma representação
para que eu assimile tal sentimento
é só desejo
de ter-te aqui dentro pulsando no
coração.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Canción de Amor

Amor, deja que me vaya,
déjame morir, amor.
Tú eres el mar y la playa.
Amor.

Amor, déjame la vida,
no dejes que muera, amor.
Tú eres mi luz escondida.
Amor

Amor, déjame mirarte.
Abre los ojos, amor.
Mis ojos quieren quemarte.
Amor.

Amor, déjame quererte.
Abre las fuentes, amor.
Mis labios quieren beberte.
Amor.

Amor, está anocheciendo.
Duermen las flores, amor,
y tu estás amaneciendo.
Amor.

Rafael Alberti.

O vermelho e o negro

Sigo uma rota de desejante aspiração
num largo tempo que demonstrou-me
que esquecia do dia que se findava ali
e tão depressa passava eu mais carecia
de não chegar onde não queria
para caminhar contigo
bruscamente parecer que daremos
as mãos
mas não!
São um encostar rápido no balançar dos braços
que se cruzam em lances
que simplesmente
não dizem se querem um pouco
de ilusão
Vas a entender o que sentia?
Eu penso que não..
Ora verde e ora cinza
oscilavam meus pensamentos
muitas vezes vida e outras morte
meu desejo consumia
não sei bem como
meu coração surpreso
sabia algo que eu não sabia...
Olhava o verde a nos abraçar
e no fim eu esperava por seu abraço
naquelas trilhas com portões fechados
as grades eu não conseguia
um cadeado aberto
um trinco emperrado
eu só te queria
enfim...meu fim cinza por te ver ir
e distante não ouvir-te ou sentir,
eu sei,
sou ridícula, por pensar assim.
Não há pausas nas lembranças vivas de ti.
E todo meu universo anseia
que eu só te encontre.
Sim! ridícula, eu sei.

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Isso que não é mais o mesmo

Meu Deus, eu sou tranquila
eu sou uma pessoa tranquila e calma
como pode ser?
eu passo horas em silêncio
eu possuo a voz macia
sou prestativa
e adoro conversar e ouvir.
Gosto de nadar e exercitar
fazer amigos
meu Deus, eu sou isso mesmo?
Eu estou sendo...
eu nado no fim do dia, vou pra casa calmamente
como algo
e cuido do que devo cuidar
converso sobre a vida
e o mundo..
Meus Deus, eu saí do inferno...
Eu já sabia da dualidade, ali a Sâmara se escondia
era realmente a caverna
afinal a paz sempre foi a fuga dali
mesmo quando eu ia para outros
infernos
ali era energia de traumas
mãe, pai, irmão
loucura, agressão
agora não é preciso fumaça
ou chapação
portas fechadas
ou qualquer fuga
a vida acontece tranquilamente
de manhã, a noite, no trabalho
tenho amor agora, o meu amor mesmo
sem precisar pedir algum pelo
muro, ou ir ver se está nos outros quartos...
Meus Deus, é isso mesmo?
Eu lhes digo um ambiente mal
representado pode nos aprisionar
por muito tempo...
na verdade são os fatos que aconteceram
que podem ser representados
mas o ambiente afigurou tudo...todos
os estados...
Um teatro mental habitualmente manifesto
ali
pode nos escravizar...por uma vida...
Portanto, libertação é necessário
é preciso ir viver em outras casas,
outros quartos
outras pessoas..
para se mudar a vida
e o teatro
Graças a Deus...
eu atuo diferente agora.
Putz, que alívio!
eu não tÔ acreditando...
que podemos mudar tanto
eu pergunto se é isso mesmo
é porque sei que não é mais o mesmo
nem a mesma Sâmara
aquele que buscava o amor e a paz
num ambiente marcado pelo contrário
que agora morreu, ou simplesmente
ficou no passado.

terça-feira, janeiro 07, 2014

OO:oo

eu estalo
penso no beta vermelho
nem sei porquê
no  que não É você, um outro qué o ser que era
e continuo sentada na cama
eu levanto

tomo banho
e leio os arcanjos 2014 presente positivo seis de paus
presente negativo reis de espadas
3 que caminho a situação tomará rei de ouros
4 resultado final a força
o estado do consulente 5 a roda da fortuna
das cartas nua na cama
com dores no corpo
 fome e sede
somente vou até a geladeira
e vestir pelo menos uma calcinha
e amontoar as roupas que sobraram
em cima da cama
em algum lugar
neutralizo os bichos no pé
e as manchas na cara
depois de duas horas como
um misto
e visto um pijama de cetim rosa
sexy velho.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Beta transcende..

O Dionísio morreu semana passada
envolto numa gosminha branca
naquele minúsculo aquário com pedrinhas
azuis
virou cinza escuro e nem boiou direito..
tá, betas são descartáveis, me disseram..
já que o meu primeiro morreu.
Ok, as malas estão prontas
depois de dar uns beijos no portão
vai despeça dessa casa
faz a mala gigante preta
roupas..ah quantas roupas
não é mesmo Sâmara
ah outro universo, meu mundo
outro mundo
e os bichos ainda me comem o pé
estes bichos coçam...
deixarei a vitrola, o segundo do relógio
da Janis que não passa mais,
fica tentando mas só faz o barulho
enquanto o ponteiro tenta avançar
mas volta pro mesmo lugar..
Ah meu amor
você faz o que da vida?
ahahahahaha
Muitas coisas, vc quer saber tudo de uma vez só?
Eu sei que é pensar em coisas inúteis,
e minhas emoções parecem confusas
é medinho né?
tÔ sabendo..eu acho..sim, do novo.
ok, ok.
mais nada, é só isso que muda
meu mundo
a mudança
aaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhh
quero todas as informações daqui
deixar tudo aqui
é como sair da caverna
e deixar de ver as sombras.
eu acho que é,
mas se eu vejo uma grande bagunça
é muita informação
parece tudo tão eu
fodas! é a minha arte
que eu digo
ah vai comigo
acho que vai ser refúgio
coça os bichos do calcanhar esquerdo
vai tomar banho, passar a pomada
e mudar
ahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh
aas roupas em oito montes em cima
da cama
um chiclete que já deve ter mais de uma hora
eu rumino a vida que acabo de comer por muito
tempo
Putz, ah eu já sabia, o beta vermelho foi pro quarto andar
e o laranja sou eu que pulo..
aahhhhhhhhh é o Beta transcende... significa algo
a tela, a e tudo que eu significo significando
ah blá blá
transcende
mudança...
tzi tzi tzi
ok eu pulo para fora do aquário
para as ondas.

Mudo cedo e tarde, mudo tudo agora.

Ahhhaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhahhhhhh!
mudo amanhã cedo
nem acredito o quanto mudo
mudo muito ao mudar de casa
mudo a vida toda
vou a pé para o futuro de agora
apenas alguns metros de quase todo
meu universo dos hojes
ali encontro todas as teorias
e pessoas que quero
algumas chegam até mim
em outras eu chego.
Mudo amanhã de manhã.

Num dia novo
numa casa nova
com pessoas novas
a Sâmara pode se virar
para o novo sol de um novo
dia
com um outro olhar que vai morar
e dizer
que ir viver em outro lugar
morar com o novo olhar
é mutare metanóia
conjugada no presente.


Nós não somos o que gostaríamos de ser.
Nós não somos o que ainda iremos ser.
Mas, graças a Deus,
Não somos mais quem nós éramos. 

Martin Luther King

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Primeiro do primeiro do décimo quarto de 2000

¨Eu fui até ao campo com grandes propósitos
mas lá
só encontrei ervas e árvores
e quando havia gente
era igual a outra.¨ o mesmo Tabaria de sempre ..Álvaro de Campos
chego em casa isso me passa
os outros nem são infernos mais
eu não sou divertida em algumas festas
onde há
os mesmos sem filosofia
a vida e minha necessidade de sentido
de linguagens que se juntam num todo
o meu pensamento é muito pouco
meu todo limitado
o fazer é o comum
ali
a mesma verborragia cerverjística
idiota
a montanha era outra
eu tomando o sol inteiro
queimava
o céu era outro
as flores
e eu deixei minha tela lá, meu pesar
esqueci
fiz
meu enigma era o lilás daquelas florerzinhas
um novo ano
é hoje
com o crepúsculo fazendo a luz chegar
até mim passando por entre os caules
das árvores à beira da estrada
e incitava-me a mirar no horizonte
ver o risco final do fulgor do amarelo e laranja
daquele que se punha
bem próximo da borda duma montanha azul
sem enigma algum
só o óbvio
o belo
é imitado insatisfatoriamente.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Tá se a verdade é a realidade
ok ótimo
eu já esperava que fosse
enfim
se é tudo o mesmo ou sempre o mesmo
insistente
se é diferente
é sempre
logo,
eu devo lavar as vasilhas e arrumar
organizar livros e papeis
calçados por tantos pés de meia soltos
e umas roupas sujas outras limpas
espalhadas por quase tudo
todos
num quarto
pensando e cantando
deitados
agora recolhendo
aaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

domingo, dezembro 29, 2013

Outras mesmas palavras.

Estamos em crise, não sei se penso em tudo, 
se o tudo é o agora fazendo o depois
ou é a estrada passada
eu não viajei, acreditei,
digo que fiz o quanto pude
e todas as minhas medidas parecem uma grande
mentira
vivi, nem amei como deveria, a mesma ladainha
criei novas visões
daquelas de saída
pra ver a via láctea
mas ainda continuo o fim do ano
em casa
sem ler
cybercultura
estética
talvez não tenha base alguma para conversar
com seres superiores, talvez sorria e fale de mim
dos meu juízos inúteis
ainda estou em casa
e não mudo meu mundo
meu cachorro nem quis viajar
veio pra casa pra fazer-nos companhia
tive passagens na mão para a metrópole grande
ver mais família e como o mundo é grande e eu
pequena...ohhhhhhh   e numa infantilidade
sonha com caras masculinas..
e fica em casa com vestido azul
comprido on-line.
A política e as festas são tão importantes
hummmm
e no vinil do Caetano
Outras Palavras...
por favor, Sâmara
outras palavras...
penso só em mim.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

17 pingos em cada goteira a cada 2 segundos

sei de nada não,
amor
natal é família
analfabetismo aspirante à Filósofa
Frohe Weihnachten
ah filosofia
quanta emoção
survivor
I dont know, I dont know
vai dormir, Sâmara..
ah poesia
não sou indiferente ao real
imito? repito?
escuto o segundo não passando
E é batida
é cada segundo tentando pássaro
dá uma folga para o ponteiro
vira o relógio
Dionísio bóia..dormindo.
Vai dormir..
o segundo passa de novo
aqui e na África.

VIII

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.

IX

Um mulher suspensa entre as linhas e os dentes.
Antiquíssima ave, marionete de penas
As asas que pensou lhe foram arrancadas.
Lavado de luzes,  um deus me movimenta.
Indiferente. Bufo. (Hilda Hilst)





sábado, dezembro 21, 2013

Eu com a minha pele somente
passo pela tela de minha teletela
invento um l'amour
com minha ovulação retrospectiva
o ano foi bom
minha estrela da vida inteira
foi construtivo? eh isso que disse
em relação a algumas conquistas
resumindo foi bom
eu digo de coisas
de pessoas
das minhas representações
a espalda está mais forte
a cabeleira amarelada
só isso¹



sexta-feira, dezembro 20, 2013

É tudo mentira, eu não amo e nem nunca amei,
nunca soube disso.
ficava na roça dias e dias com minha vó,
esquecia que tinha mãe, pai, irmãos...
Como disse meu irmão hoje: eu não tenho coração...kkkk
ignoro-o pois se sei de uma coisa que tenho
é coração...
mas então, senti um certo conforto num abraço hoje
pensei que deve ser a lembrança da mesma textura
num cabelo macio que provavelmente lembrava
daquele primeiro objeto que eu devo ter desejado
nos primeiros anos...O nome do pai que está morto.
ok, ok.
eu escuto os segundos passando, e lembro-me do que é importante
para a vida prática,
vi uma república mista imunda...prefiro viajar quilômetros que viver
em 2 metros quadrados...meu Deus, vivem pessoas em centímetros, verdade?
não ok, mas passemos...o ano passou, o amor....ah o amor....vai se fuder!
afinal, hoje é sexta a noite, amores se fodem maravilhosamente...
Ah Sâmara, pensas que amar é o que?
ich...mensagem...putz....
vai tomar banho, pelo menos vc trabalhou, resolveu aquela burocracia inútil
começou a olhar repúblicas
malhou, viu o ex sarado na academia que quer trair a atual contigo
se sentiu a mesma de sempre,
e dane-se o amor que não fode
pois precisa do outro
que
viajou
para a casa do Caralho.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Um soneto

De terrena feitura ou graça humana
Comparar-se não pode a semelhança
Co'a bella, de quem trago na lembrança
Subtil indício vivo, que damna.

Confusa e perturbada a mente ufana
Atar-se não consegue à temperança
Pois de cousas celestes a obridança
Acontecer não soe, que o peito sana.

Assi desta fremosa o lindo gesto
Apressou-se a chagar-me tam maltreito
Co'aprazível falar e douce riso,

Que, se não causa pejo o manifesto
desvairo, pera vã alma sem defeito,
A mi não censureis que perca o siso.

Mateus Alves, séc. XVI !

terça-feira, dezembro 17, 2013

Sonate für Violoncello und Klavier, op. 38

Somaram-se os toques do piano aos meus violinos imaginários
soube ser humilde em perceber a beleza que há na vida me ensinar
e saber do aprazível som e sentido que posso criar
soube-me ela suspender-me para ver minhas paranoias e medos
numa produção de sentido carecente...
aquela lei que criei de esperar a agressão, nem te conto não...
hoje soube da fragilidade que há
aprender a amar...sempre, aprender a amar...
e como sou covarde, fujo da entrega
finjo não entender por medo já perder...
Enfim, existirá um dia a possibilidade do cuidado?
Mas eu sei, eles sempre dão o melhor que tem,
todos,
o melhor que sabem, imagino...
Queria pintar amores para ti,  que representasses todo
o seu desejo de preenchimento como o que te envio agora,
fala de novo meu "anjo brilhante",
queres o meu amor?
Corando de vermelhidão intensa rubro toda a cara quando me
vem este sentir
que descontrola-me e desorganiza...
ah meu amor, eu te crio com tanto medo, há um bocado de tristeza
quando sinto que posso aprender a amá-lo...
Sim! é a maior invenção humana! é o que de mais forte posso sentir!
Ah será que são destas as tantas verdades "altas, nobres e verdadeiramente
lúcidas" que diziam o poeta?
Será que no fim do dia alguns como eu sentem que querem a glória de
serem amados?
não quero fazer disto uma aspiração inútil...
ah Sâmara, sua musa canta hinos românticos, desperta-a!
Sim! realizáveis! e minha história marcará, nem que seja na imaginação...
Eu vivo o amor? este ruborizar, o medo, o pensar, isto é amor?
não Sâmara, inventa algo mais nobre e sublime, vamos! tenta, tenta!
Ontem mesmo eu dizia que minha salvação era a arte, pois no fim estava
a sós com esta...
agora, fico com este sentir que transcende meu ser...
seria igual a teoria da arte que transcende as meras coisas,
o amor transcende o ser...em busca do outro???? ah me ensinem, me ensinem...
Mas a música, e na arte é o belo que quero, belo belo belo vê-lo velo o quero
e no amor? é sentir esse treco no peito? é belo isso?
Eu escuto Brahms pela segunda vez, pareço estar calma
pareço amar
minha alma parece não ser imune...
sinto sempre o quanto sou ridícula numa razão tão, tão, tão
tão sem razão...se o que importa são
cada segundo
no meu relógio de segundos
e o sentido que vou criar para a minha vida.
E um dia a realidade veja que a
Sâmara soube amar gloriosamente...
pois deixou de ser ridícula...

Trago seu amor

Por determinar como percebo eu
digo
num treino com fim de bolero de Ravel nas alturas
eu só
digo
que te amo sem tê-lo
em meio a fumaça e em cima de todas as roupas na minha cama
(neste momento estão sobre o teclado que não toco)
Eu o amo.
Não sei se invento,
escuto o ponteiro de cada segundo e sei que nos
últimos que passaram
eu te amei.
Não sei como, pois pareces meu irmão e não conheces mi habitación...
Eu sei que finges, (fuga e proteção) pois nunca está presente e sempre
chega de repente, só sei que sempre que está
eu o amo.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Teatro mental

As impressões são irrelevantes, afinal é só o meu teatro mental
eu posso acreditar que são melhores? um engano!
eu mergulhada na projeção de um ideal estético como afirmação
do meu ser antropológico
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh suprema beatitude de pensar-me consciente de mim
observando o real...
que falácia...és uma grande fraude...
és como Raskolnikov, um estudante miserável que sonha, acredita
ser um gênio...tens um machado, uma teoria? tens algo que possa dividir?
não interessa o que pensas
tu, com o que ameaças?
é demasiado amarelo!
"e há tantos gênios-para-si-mesmos sonhando,
com tantas certezas, eu, que não tenho nenhuma, sou mais certo,
ou menos certo? Não, não creio em mim...Há tantas
aspirações nobres e lúcidas e quem sabe se realizáveis, a história quem
sabe, não marcará nenhum" (lembrando da Tabacaria, Álvaro de Campos)
Agora que meu irmão foi pra guerra, para a África,
com tribos muito desenvolvidas
que saltam, e não vão até o chão como a gente...e campos de refugiados...os maiores do mundo...
outros ficam aqui, pensando...para a Guerra e para a África, tem noção?
o importante pra se dizer nesses lugares, hein Sâmara??
aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
cavo a própria realidade que me exaure de tanto enrugar
a testa
como se fosse tão complexa e representasse algo no mar infinito da realidade,
eu sou só mais uma que mergulha...
pra que?
me digam para que?
Ah..por que fazer arte é amplo demais... numa pergunta de quem ainda não sabe nada
da vida...é uma iniciante.........foco, foco..foco..rugas na testa...
o foco está ali...
eu o vi, logo quando cheguei, foi como um tiro, eu senti o peito num espasmo de uma palpitação inútil,
e quanto mais o tempo passa, mais ridícula me sinto... mais presa no meu próprio teatro...
a terapia, eu não sei mais...acho que não sei...
o fluxo....eu estou cansada, diria do amor agora, mas hã???? férias, é melhor...
Muitas provas seguidas, aprovada Sâmara? poliglota?
quero ver...
A forma estética aprovada vinda de discursos, um projeto aceito,
uma utopia antropológica...Uma mistura de A última gargalhada que
veste um papel que se aprova e se faz homem ali, junto ao Homem que ri, aquele
mostra ao outro, sorrisos cirúrgicos...mas e o concreto, o real?
Este, agora, só aquece...só é quente...e eu fico lembrando de todas as minhas
reações ridículas perante a minha realidade, o meu olhar que diz do coração que pula
no peito, vendo o vermelho vestido descendo as escadas sem encontrar com o meu amarelo,
há lentes, há cigarros, livros e eu lhe digo, que não há nada Sâmara, a não ser o seu 
teatro mental,
e tudo isto me parece tão inútil..afinal, eu não sou Danto, nem Wittgenstein, Kant...porra nenhuma...
E pretendo falar como se fossem eles...ahhhhhhhhhh como vc é ridícula, Sâmara.
Poderia dizer as suas míseras impressões políticas na Antônio Carlos, das pichações pintadas no viaduto, eram importantes as pichações revolucionárias, rsrs do outdoor da Coca-Cola com a foto do Papai Noel dizendo: Otimismo, um pouco a frente e da chegada à Universidade, um jipe do exército saindo com um soldado negro lindo no seu teatro mental de poder que sorri. Me vi, enfim, pensando-me como filósofa que acima observa a realidade e sorri, poderia tentar ter considerações nobres, altas e lúcidas..poderiam ser úteis...tamanha ingenuidade...
Poderia dizer da Mostra de filmes de Expressionismo alemão...mais inútil ainda...dizer o que?
o quanto me apraz sentir obras primas como aquelas? o que importa para o mundo, todos já sabem dos clássicos, Sâmara...
Poderia calar-me, mas não posso. Como ignorar meu testemunho?
Por mais inútil que seja,
é precioso, pois é realidade concreta e, não do dever-ser...que cansa!!
Mas se o meu concreto tá cristalizado no meu teatro mental? é possível?
O que fazer?
duvidar de tudo não vai resolver, só sentir tbm não...só contemplar tbm não...
ich...Eduque-se, cresça, apareça, mude...
"Ela significará o indizível ao representar claramente o dizível." Witt
Ich möchte ein Bier! vai, pede uma cerveja dizendo com sons que saem da garganta seca
do alemão, Uiiii que genial, aaarrrhhh Sâmara..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

quarta-feira, novembro 13, 2013

Eu a vi hoje..

Conseguiu, virou um ser amarelo de vez
em todos os pêlos possíveis...
Tá mas o que muda?
estetização do amarelamento?
ah eu assumo que mudo pintando a cara,
a cabeça, a sombra sobre os meus olhos...
E dane-se o olhar do outro, eu tô tão eu que não importa-me
a sua aprovação, reprovação...
Tô me achando maravilhosamente artificial...
Como um artífice disfarçado tingido
manipulo minha estética que viola a sua imaginação
impondo-me a mim mesma muito mais
iluminação chamando o olho para a visão.
Eu, agora o ser sem medo de ser ridícula..
Sem medo de pós docs...
E sem assediar ideais...afinal, eles existem somente.
Melhor não fazê-los descer dali.
Eu subo até aí...pra depois criar outros, ou perdê-los de vez.

A estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Bandeira

sexta-feira, novembro 08, 2013

REestetização

Bom, tudo está muito bem desde a desartifização da arte
para uma nova estética
no meu peito um teste, uma visão, ela como coração da Filosofia
diga-me como Danto, explique-me melhor, argumentos...please
Tá, eu a vejo como a primeira sensação do mundo, depois a linguagem..
talvez por isso..
Mas vamos lá, filosofar sobre as sensações, só depois de senti-las..
A Kant vai diferenciar sensação de sentimento, ok
mas não vai ser agora que eu vou pra Königsberg com a Crítica da Razão
Pura embaixo do braço...
Mas enfim, eu não precisei ir até eles...vieram até mim,
eu sinto, deve ser o verde e o amarelo que há em mim
procura de subjetividade nenhuma talvez
não se subestime
Sâmara
nem tudo é desejo objetal...nem tudo é indústria cultural...
ah...para...foi ver qual é, tenho certeza...
e eu querendo me exibir...que droga...
pura insegurança...
ah, não preciso provar mais nada pra ninguém
informiere
deklariere
e se vários exemplos citam Schoenberg, eu com meu
Pierrot Lunaire, pra que?
diz o que pro mundo,
ah minha sensibilidade estética não está no meu batom..
ah dane-se, para uma nova reestetização, inteiramente..
Putz, eu perco o rumo com tantos bons,
mas nem a eles eu quero me prender.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Uma cama de ferro e unhas limpas, um sonho...

Ok, eu desisto
de amar o desespero da prisão
do riso máscara na solidão dos dentes
todos juntos
do olho direito mais fechado num sorriso
de soslaio
ok, eu desisto
das leituras no clube nos fins de tarde
dos vinis todos
da minha bagunça
enfim
no fim
é sempre assim
devolve-se todas as coisas
e não inventa-se mais motivos para sermos felizes ou
infelizes
inventamos outros motivos para o nosso prazer e desprazer...

seja nos poemas eróticos que nem sequer foram
presenteados para o Ideal
uma desculpa banal do medo, da fraqueza
ok..não arrume desculpas para a sua dor
vc mesmo disse: Minha cabeça quer doer...!
doa, quando quiser, assim eu sei que o faz...
mas por favor pare de amar tanto o limite
livre-se das grades, do comércio, da vida doméstica velha com os mesmos
problemas,
do cordão umbilical...ou não...seja como é...
Mas peço-lhe, tente fluir as emoções de forma menos
vermelha na pele...tente...eu peço...
eu o amarei sabendo disto.
Seja feliz, eu espero vê-lo bem, é o que quero.
E preciso de ideais, ok. Já disse o que significam,
sinto muito se não consegue lidar com isto...
e não precisa deles...
não conseguimos lidar com muitas coisas...
porém não desistiremos..da unificação!
Obrigada por me lembrar como é amar...
ok, ok, ok, ok, ok...
o que é ok?

terça-feira, outubro 22, 2013

Beta Transcende entrega

Digo para não assustares comigo,
de fato, permaneceu pálido..
Entrego o salto para as ondas que balançavam
em tuas mãos,
levanta-te e pões todo o mar logo a minha frente
quer que eu mire...
Uma metáfora interessante diz,
eu me apego à tua expressão,
digo do curso, da lógica, do seu jeito
pareces simples agora,
não mais à postos para atacar ou defender-se...
Digo da linguagem, digo de gostar
e no fim eu não sei se eu queria era te abraçar..
E beijar tua nudez, que falaria à minha alma toda
a sua filosofia...
E agora eu sei, não quero me curar disto.
Eu sou meu universo, e nele você é o melhor dos
meus ideais.
Eu não minto, se é o que sinto.

terça-feira, outubro 08, 2013

Sim, no eu creio...

Não, não creio da minha unificação
ser coagulada de fora para dentro
mesmo que todos neguem tal fruição
que sente e representa no centro
o eu sinto.. sim! a necessidade da substância
que se faz presente em todo momento
para conferir linearidade às circunstâncias
Em toda percepção há somente minha mudança...
pra que ser negado?...não adianta fugir mais
quem pede amor perde os ais inflamados
daqueles intensos mares da paixão
desce daí! do ideal, da projeção..
Afinal, ser somente estados, nem mete sentido..
Liberdade, finalidade, vontade...todas invertidas..
vistas como efêmeras, investidas do ambíguo
no eu que viu, lábil já sumiu...
Então, a fuga fincou seus pés, diante à janela e disse:
-Eu não poderia ter ido!
tentando ver algo novo na paisagem, não mentiu
Ficou pra saber o que sentiu..sente o ente..

segunda-feira, outubro 07, 2013

Aforismo: Fugir no presente não mudará as sensações passadas..

Com teu gozo, perdi-me na clareza de senti-lo cada
vez mais próximo
o medo de ficar presa entre a janela e grade, gritou...
Para o bem da Filosofia,  que seria o meu bem,  eu só pude pensar na fuga..
pois eu sempre fujo...quando a intensidade da paixão
se propõe a representar o amor...é nessa hora que 
eu "pico a mula"..
Mas é medo do desconhecido ou é medo do igual?
Medo da repetição...
Sim, eu sou ridícula, 
desejante da representação do amor, 
mas a lava é paixão...
agora amor, não pergunte-me como,
nem quando, o amor está no supermercado
no sábado a noite...eu acho...
E agora a representação é escolha?
Ou estou tentando racionalizar sentimentos?
Sentimentos são racionalizáveis?
ok, sem extremos, eu não vou mais fugir...
"Sie wird das Unsagbare bedeuten, indem sie Sagbare
klar dastellt." Wittgenstein


sexta-feira, setembro 27, 2013

Eu nado no nada, e a Hilda inunda tudo..

I
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

II
E só me veja
No não merecimento das conquistas.
De pé. Nas plataformas, nas escadas
Ou através de umas janelas baças:
Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias
E só me veja no não merecimento e interdita:
Papéis, valises, tomos, sobretudos
Eu-alguém travestida de luto. (E um olhar
de púrpura e desgosto, vendo através de mim
navios e dorsos).
Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes.
Mas sobre mim, intensas, ilhargas juvenis
Machucadas de gozo.
E que jamais perceba o rocio da chama:
Este molhado fulgor sobre o meu rosto.

III
Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como que come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.

IV
E por que, também não doloso e penitente?
Dolo pode ser punhal. E astúcia, logro.
E isso sem nome, o despedir-se sempre
Tem muito de sedução, armadilhas, minúcias
Isso sem nome fere e faz feridas.
Penitente e algoz:
Como se só na morte abraçasses a vida.
É pomposo e pungente. Com ares de santidade
Odores de cortesã, pode ser carmelita
ou Catarina, ser menina ou malsã.
Penitente e doloso
Pode ser o sumo de um instante.
Pode ser tu-outro pretendido, teu adeus, tua sorte.
Fêmea-rapaz, ISSO sem nome pode ser um todo
Que só se ajusta ao Nunca. Ao Nunca Mais.

V
O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não.
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planície e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.

VI
Tem nome veemente. O Nunca mais tem fome.
De formosura, desgosto, ri
E chora. Um tigre passeia o Nunca Mais
Sobre as paredes do gozo. Um tigre te persegue.
E perseguido és novo, devastado e outro.
Pensas comicidade no que é breve: paixão?
Há de se diluir. Molhaduras, lençóis
E de fartar-se,
O nojo. Mas não. Atado à tua própria envoltura
Manchado de quimeras, passeias teu costado.
O Nunca Mais é a fera.

VII
Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus.
Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos
Porque me fiz tanto de ressentimentos
Que o melhor é partir. E te mandar escritos.
Rios de rumor no peito: que te viram subir
A colina de alfafas, sem éguas e sem cabras
Mas com a mulher, aquela,
Que sempre diante dela me soube tão pequena.
Sabenças? Esqueci-as. Livros? Perdi-os.
Perdi-me tanto em ti
Que quando estou contigo não sou vista
E quando estás comigo vêem aquela.

VIII
Aquela que não te pertence por mais queira
(Porque ser pertencente
É entregar a alma a uma Cara, a de áspide
Escura e clara, negra e transparente), Ai!
Saber-se pertencente é ter mais nada.
É ter tudo também.
É como ter o rio, aquele que deságua
Nas infinitas águas de um sem-fim de ninguéns.
Aquela que não te pertence não tem corpo.
Porque corpo é um conceito suposto de matéria
E finito. E aquela é luz. E etérea.
Pertencente é não ter rosto. É ser amante
De um Outro que nem nome tem. Não é Deus nem Satã.
Não tem ilharga ou osso. Fende sem ofender.
É vida e ferida ao mesmo tempo, "Esse"
Que bem me sabe inteira pertencida.

IX
Ilharga, osso, algumas vezes é tudo o que se tem.
Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.
E pensas maravilha quando pensas anca
Quando pensas virilha pensas gozo.
Mas tudo mais falece quando pensas tardança
E te despedes.
E quando pensas breve
Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano
Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha.
E quando pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas
Luta, ascese, e as mós vão triturando
Tua esmaltada garganta... Mesmo assim mesmo
Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...
Canta o começo e o fim. Como se fosse verdade
A esperança.

X
Como se fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisse
Com colibris na boca.
E candeias e frutos, como se fosses amante
E estivesses de luto, e Ele, o Pai
Te fizesse por isso adormecer...
(Como se se apiedasse porque humana
És apenas poeira,
E Ele o grande Tecelão da tua morte: a teia).
Como se fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO...
O amor e sua fome. 

Hilda Hilst

sábado, setembro 21, 2013

Ele, o real candente

Depois de flores, isqueiros, muita água e filosofia que é vida
vi que sou feliz ali
quando digo e vivo o mundo da maneira que
o compartilhamos no entendimento
pois somos ambulantes que amam
ansiando
saber os porquês da vida, amando tanto
sem saber o por que
e mesmo que critiquem-me por
ansiar um amor justificado
o qual dizem não ser possível
eu sei que estou no caminho
e a realidade finca e sustenta
todos os dias, pra que eu encontre-me
sempre, e  não esqueça jamais que já me perdi
Pois meus olhos viram um risco de Deus no céu da minha realidade
infinita

e
s
t
r
e
l
a
-
c
d
e
n
t


s. f.
Fenómeno luminoso provocado pela deslocação de um corpúsculo sólido, quase sempre de pequenas dimensões, tornado incandescente em consequência da fricção nas camadas atmosféricas.
outra vez
e a queda que anseia ascendência no desejo não foi por amor
logo, não me reconheci, que raro
como assim?
a vida inteira foi só isso que eu pedi à realidade
Há algo de errado..
ou eu inventei o amor que mira em discurso..
pensamentos que pedem aplausos reverenciados,
acordo de seres que anunciam
e pedem também
olhar, atenção, admiração, embate, encontro, continuação, imaginação
criação, aplicação ao coração apoiado no real dos sábios
tá bom, isso suponho semelhança ao meu sublime amor
numa sapiência sexual e sensual interminável
E ali nos apaixonamos a cada dia mais
e tudo vai surpreendendo-me por ser tão certo
tão inteiro, em tamanha conformidade com minha forma, que me assusta...
E tenho medo de novo, de ser tudo sonho.. ok, la vida es sueño...
Mas como sonho se a minha verdade é realidade agora?
Ah...é só medo de cair do voo..
será agarrar-me numas asas abstratas?
Como pode negar tua nova invenção do real?
Se não sabes lidar com tanto amor por ele
pois o medo agora é de morrer e deixar de amar
o todo que é, unido ao eu sou.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Óide a dor



E no dorso pulsam os nódulos
será na expressão plácida vá toda tensão viver ali?
Algo de sereno, e obviamente hormonal aquieta-me no resto,
As ânsias foram para trás, em meio às escápulas..o serrátil sendo agulhado
especificamente.
E se eu soubesse escrever sobre a dor
diria do meu serrátil pulsante?
Que quimera inútil...

Estalados mudos, radiados num espaço minúsculo do dorso
formam a minha corcova de descargas,
de impulsos elétricos
sem nenhuma expectativa...
Aliás, vai ver é no rombóide maior...
Rombo+ óide
rombo = arrombamento
óide = ?

Que rima com
imbecilóide e principalmente
debilóide






óia o óide aê...

Do grego antigo εἶδος (eîdos) ("aspecto", "aparência").

Ou seja, digo das picadelas no dorso aparência...na fenda do aspecto.





quarta-feira, setembro 18, 2013

Bom conselho

Se tens razão e coração, mostra somente um deles,

Por ambos te condenariam se os mostrasses juntos.

Friedrich Hölderlin

sábado, setembro 14, 2013

O ideal como ser necessário..

No CEU foi só poesia,
E o ideal perdeu-se frente ao real..
Que bom!
Agora o ideal é o real.
Talvez isso seja ser feliz.
Ser o que se quer,
e as "aspirações altas e nobres e lúcidas"
seria reconhecer que o ideal
é amar o real.
Porém, nego,
não concebo suprimi-lo, seria como estacionar-me
na vaga do presente..
o ideal deve existir como sentido unificante,
não impedindo o presente de ser pleno
e sim impelindo-o pra si
no rumo do desejo que é centro
do ser que se faz necessário..

Devaneios cortantes no xadrez da pele..numa epiderme que pede calma pra alma..

Agora eu escrevo pelo olhar do outro
aquele que queria ser destruído
mas se refaz..ao menos é o que diz,
e eu de fato gostaria de vê-lo inteiro..
Não como heroi, ou anti-heroi
mas como aquele que deixa de ser coisa
e assume-se humano, que se conserva em uma
filosofia do abraço...sem punição, seremos sarados
Como a consciência que busca unificar-se em
algum sentido,
que seja filosofia, formas e cores, natureza,
abraços..
Inultimente a moral faz-me aconchegar em sons de violino
que gritam sem cortar a pele, pois já o fazemos na alma..
sem entender o sentimento, os centímetros que nos separam,
e parece-nos como a cura para ambos...
Numa cura afoita, que pede abraços de novo..abraços novos.
O vinil já acabou, e agora, qual será a trilha da sexta treze
que não fez mais pessoas se transformarem em coisas
mas em subjetividades plenas de vida, complexas e falantes.
Continuo no Paganini? sim, vou só virar o lado do disco..
ah, agora são muitos violinos, nem tão cortantes
como um só...
Na noite passada tive um sonho,
me manipulavam pelo mamilo,
sem poder pensar, pelo toque que ligava o desejo e impedia-me
de ser livre,
por isso não fui sair pra ser coisa hoje...
E voltei com uma aliança ao lado, que com herdeiro
não soube ainda dar sentido..Mas o que passa, com o humano
que ri, com a boca aberta e os dentes todos à vista?
E me cheira, sem escrúpulos?
Sou eu, que canto violinos que abraçam?
sou eu?
O sangue que me tiraram hoje, foi só um exame..
A cerveja, foi só um deslanche pra ir embora com minha companhia
de narinas que escorreram em pura carência de aromas,
a mesma que eu me identifico...na busca.
Eu que busco o cheiro do ideal que não faz cortes em xadrez
num jogo mutilado, pois já estamos fartos dos cortes,
afinal o ideal é platônico quer queiram ou não..
por isso, estou em casa, na sexta treze,
sem ser coisa, o desejo melancólico hoje se tornou sublime
por aspirar e vislumbrar o belo que não nos humilha
ao nos tornar contentes por viver..
E ver, a vida que escolhemos ter,
afinal escolhemos tudo,
e não somos mais vítima,
somos filósofos,
seja no negro possuindo o ponto branco,
ou brancos contidos no ponto negro,
somos assim,
humanos..
Livres, para amar e sermos felizes...com finalidade de
ética nicomaquéia e comum aos comuns...
e não digo de discursos ilusórios,
digo de verdades de cada um..
E é tudo, a realidade não nos consome mais,
pois sou e você que a unificamos em nosso ser, ou pelo menos
tentamos..
Os violinos não cortam mais,
eles cantam o belo e o sublime.
E agora, ainda preciso de outro tom, para finalizar o pensamento,
posso escolher, as modulações,
a ver..pera..
Ópera de Verdi, pra anunciar meu grito
que tende a sonorizar as minhas misérias que não são definitivas.
Ich, acho que essa ópera não diz nada de mim,
meu grito não é sóbrio e harmonioso,
melhor tirar..pera...
Vai de Tristão e Isolda de Wagner..
e agora sim...tá lindo...
quase romântico,
mas tudo é invenção do meu romance..
E nada é em vão..muito menos o fim de Tristão e
Isolda...
que poderá não ser triste no fim do hoje,
pois somos inteiros e nos abraçamos,
sempre,
depois do beijo no canudo do suco
de maracujá do Mc Donalds...
após nossa dialética anti-capitalista do sujeito
como objeto-coisa.
Espero que amanhã faça sol pra eu ir ao CEU...

Primeira sexta treze, na qual eu pude recusar as sensações
pulsantes de homens-objetos, bailando numa batucada infinitamente
sem nenhuma subjetividade que vem dos rebolados das ancas...

quarta-feira, setembro 04, 2013

Corações e florzinhas...

Agora eu percebo a infantilidade loira que permite
que eu sonhe cenas eróticas e românticas
naturais e livres...numa fantasia sem pai,
Sâmara, eu lhe digo não se ama o que deseja e deseja-se o que não se ama...
E eu digo, fodas!
Vou continuar floreando e colocando coraçõezinhos
na minha realidade
hoje ridícula...
pois, poix, Portugal é lindo, inteligente e tradutor e veio
falar-me da emancipação
do espectador em Ranciére e eu apaixonei-me no mesmo dia,
instantaneamente,
e no outro dia, hoje, eu vejo o quanto eu alimento ilusões
inúteis...
como sou ignorante no que diz respeito às expectativas
ao amor
ao desejo
ao outro...
Tudo que há em mim é sonho,
minha percepção do outro não é compatível
com a intenção deste frente a minha expectativa
infantil e carente..
Somos seres racionais, dizem-me os homens,
pensamos com duas cabeças
e vc aí com corações e florzinhas..
Ai de mim,
que sou ridícula..