sábado, dezembro 13, 2014

The field phenomenal

Percepção não é sensação nem julgamento, é descrita inadequadamente por categorias conceituais..
Merleau-POnty não se contenta em somente criticar e apontar os problemas
 mas,
"he also tries to diagnose those errors by describing the tendencies inherent in ordinary perceptual life that motivate and sustain them." (Carman, 62)

a visão joga com os significado das palavras que se atribuem às coisas...
não é só a busca de um nomear o que se sente,  mas compreender, fazer com que tenha sentido.
ao olhar o mundo já todo codificado teoricamente as descrições das coisas podem ser distorcidas...
sentir X conhecer...
o olhar de uma criança...para o fogo...blá blá...criança é criança, merda...
passividade....MP  não quer receber o mundo e depois dar significado...

a critical philosophy, in the last analysis, accords no importance to the resistance of passivity... It thus tacitly assumes that the philosopher's thinking is not subject to any situation. (MP, PP 75, 61, 71)

isso faria a construção de um mundo subjetivo...
 Experience, in this sense, is "the communication of a finite subjective with an opaque being from which it emerges, but to which it remains bound [engagé] (MP, PP, 253, 219, 254)

sabe-se que ao olhar o mundo, há uma rede de significados,  o contexto, o background, mas é para olhar de perto, apenas...........................sacar as características, curtir o espetáculo...rs gostei!


the perceptual world could be conceived as consisting of nothing but such qualities only if perception itself were nothing but the relentless, focused inspection of discrete features: The pure quale would be given to us only if the world were a spectacle and one's own body a mechanism that some impartial mind acquainted itself with. (MP, PP 64, 52, 61)

perder a familiaridade, tornar-se imparcial
um certo uso do olhar...

the sensible quality, far from being coextensive with perception, is the product of an attitude of curiosity or observation. It appears when, instead of abandoning my entire gaze to the world,
I turn toward the gaze itself, and when I ask myself exactly what it is I see. (MP, PP 261, 226,263)

sem aplicação de conceitos...é o corpo que conhece não a mente...  PP, 168

 ??
o campo fenomenal está impregnado de significados..
diz de um campo sensorial subjcente ao do julgamentos explicítos...

Merleau-Ponty thus wants to draw our attention back to sensory background underlying our perception of isolated qualities and our formulation of explicit judgments. He calls this background the phenomenal field, which suggests that is neither an object in our experience nor merely a subjective effect cut off from the world; "This phenomenal field is not an 'inner world', the 'phenomenon' is not a 'state of consciousness' or a 'psychit fact' (MP, PP 69-70, 57, 66)


uma imanente significação...
há o background que é o campo fenomenal
sabemos que outro homem não é um objeto
um direcionamento que nos conduz a fins mas ao mesmo tempo sentimos a nós mesmos
Merleau-POnty sugere que encorporamos formas de ocupar o mundo...diz de atividades encorporadas
de habilidades...
não nega os aspectos sensoriais....
sentimos e nos comportamos..

The phenomenal field constantly pushes us away from itself, and this is
why “Nothing is more difficult than knowing precisely what we see,”
for “perception hides itself from itself … it is the essence of
awareness to forget its own phenomena” (PP 71/58/67).

Percepção é sempre perspectiva..

 o mundo nos empurra para todos os significados que o damos, cada vez é mais difícil
saber o que vemos
não é tudo uma mera coleção de fatos
e também o outro não é um pacote de sensações e julgamentos...

o mundo é um lugar onde está os objetos e suas qualidades aparecem para nós..relativas a nós..
é uma condição transcendental de nossa percepção aberta para todo o mundo.


vai lá arrebenta MP..hahaha

phenomenology, alone among philosophies, speaks of a transcendental field. This word indicates that reflection never has the whole world and the plurality of monads arrayed and objectified before its gaze and that its view is never other than partial and of limited power. (MP, PP 74, 61, 71)

o campo transcendental é muito menor que o fenomenal..A reflexão não pode conter o mundo
perspectiva perceptual orienta a experiência até os fins desejados
como uma atitude incorporada, o comportamento fazendo a percepção trabalhar
significando o mundo como mundo. 
A perspectiva particular não pode ser abolida..

the thinking Ego can never abolish its inherence in an individual subject that knows all things in a particular perspective. REflection can never bring it about that I cease to perceive the sun as two hundred yards away on a misty day, or see it "rise" an "set", or think with the cutural apparatus provided me by my education, my past efforts, my history. (PP 74)


quinta-feira, dezembro 11, 2014

Judgment, algumas ilusões minhas...

if we see what we judge, how can we distinguish between true and false perception? How will we then be able to say that the halluciné or the madman "think they see what they do not see"? What will be the difference between "seeing" and "thinking one sees"? (MP, PP 44,34-5,40)

ver e pensar que vê...mesmas sensações...alucinação...ilusões de ótica
a mente pode reduzir o fenômeno a um simples erro, erro de julgamento.


If I judge falsely, it is because my judgment is motivated by an appearence that is not itself a judgment, but rather "the spontaneous oraganization and the particular configuration of the phenomena". The auxiliary lines break up the parallelism, "But why do they break it up?(Carman, 58 (MP, PP 45, 36, 41-41)

Zölnner's Illusions



Just an Illusion, crássico!!!!hahaha


But why I continue to make the mistake?
o fenômeno aparece como é organizado naturalmente...
a percepção não erra???
o intelectualismo não reconhece a personificação e contextualização 
da experiência, como o faz M.P.....
o conteúdo perceptual é dado para estes...intelectualistas
como que para um sujeito sem corpo.....

Perception is thus thought about perceiving. Its incarnation furnishes no positive characteristic that has to be accounted for, and its haecceity is simply its own ignorance of itself. Reflective analysis becomes a purely regressive doctrine, according to which every perception is just confused intellection, every determination a negation. It thus does away with all problems except one: that of its own beginning. The finitude of a perception, which give me, as Spinoza put it, "conclusions without premises," the inheritance of consciousness in a point of view, all this reduces to my ignorance of myself, to my negative power of not reflecting. But that ignorance, how is it itself possible? (MP, PP 47-48)

perception is a judgment, but one that is unaware of its own foundations, which amounts to saying that the perceived object is given as a totality and a unity before we have apprehended the intelligible law governing it. (MP, PP 52)

o objeto é dado em sua totalidade antes de qualquer apreensão inteligível,
Descartes diz de inata inclinação da mente
Marlebranche julgamento natural
Merleau-Ponty:
"The result is that the intellectualist analysis ends by rendering incomprehensible the perceptual phenomena it is supposed to explain." (PP 43, 34,39)

"perception is not an act of understanding. I have only to look at a landscape upside down to recognize nothing in it. (PP 57, 46, 54)

diferença percepetual não se resolve com mudança intelectual..
Você pensa que vê, porque aceitamos sempre isso?
Percepção não é o mundo que a ciência escreve...supõe que os fatos serão todos descritos por eles?  
eles quem?? os cientistas....os filósofos...ah sim estes sabem... rsrsrs
 não...são os pintores, romancistas....eu..rsrs

The child lives in a world he unhesitatingly believes to be accesible to all around him; he has no consciousness of himself or of others as private subjectivities, nor does he suspect that we are all, himself included, limited to a certain point of view on the world.... Men are, for him, empty heads turned toward a single self-evident world. (PP 407)

não sei se isso é metáfora já cansada...acho que é...enfim o que Minha Pica sugere é a volta para um mundo antes de significado??  diz de préreflexivo....préteorético... como o de Cézanne...

vai pintar Sâmara...rs


Rainer Maria Rilke - A Gazela

A Gazela
                            Gazella Dorcas

Mágico ser: onde encontrar quem colha
duas palavras numa rima igual
a essa que pulsa em ti como um sinal?
De tua fronte se erguem lira e folha

e tudo o que és se move em similar
canto de amor cujas palavras, quais
pétalas, vão caindo sobre o olhar
de quem fechou os olhos, sem ler mais,

para te ver: no alerta dos sentidos,
em cada perna os saltos reprimidos
sem disparar, enquanto só a fronte

a prumo, prestes, pára: assim, na fonte,
a banhista que um frêmito assustasse:
a chispa de água no voltear da face.

Rainer Maria Rilke 
(Tradução: Augusto de Campos)

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Implica a intencionalidade juízo?
seduz para construir??
experiência
sentir e julgar
ganho um prêmio com isso?
o conhecimento?
aparência que deseja possuir?
validar o exato momento da minha vida
ou para outras mentes
atuais, possíveis
possuir aparência de verdade
resposta
conhecimento verdadeiro?
"The testimony of phenomena will therefore everywhere be imupugned."
claro, (MP)
Meu Pau agora.

Sensation, association, memory, attention, and judgment. Espasmos..

o conceito de sensação é obscuro
listar as sensações é descrever a percepção?
a sensação é é uma percepção sensorial interna?
ou são coisas externas?
objetos, pessoas, lugares, eventos?

The concept of senstaion "corresponds to nothing in our experience" (MERLEAU-PONTY, PP 9[3[3-4)

?????

percepção é sempre de algo, num meio...percepção pura não é percepção..
temos a tendência de projetar nossas percepções às qualidades dos objetos que percebemos
o que sabemos do objeto pode ser encaixado à nossa percepção que temos deste...mistureba do caralho...
que acaba só confundindo a percepção.... manipulamos nossa própria percepção...

são as mesmas sombras.... White's illusion

nossa percepção não é clara e pode ser enganada por ilusões... risada maléfica...rsrs
vemos perfeitamente as cores dos objetos? são mesmo tão distintas ao nosso olhar?
E além disso, ao olhar uma cadeira já sabemos previamente que um objeto para sentar,
a percepção é também uma prática de atribuição de significados ao mundo.
Quando foco em alguma coisa, as demais que existem no meu campo visual não desaparecem simplesmente.


what is behind my back is not without some element of visual presence, for it still has a kind of perceptual availability as something there to be seen when I turn to look at it. ( PONTY, PP 12]6]6)
The perceptual field thus cannot be equated with that range of objects directly affecting my sense organs at a given time. (Carman)

so, while it is tempting to define sensations in terms of stimuli, there is no isomorphism between the contents and the causes of perception.(Carman)

For the ordinary notion of sensation is meant to capture how things look. Since stimuli do not line up in any neat way with how things look, the concept of sensation they motivate could only stand in a dubious relation at best to the phenomenology it was meant to describe.(Carman)

Sensação sentir como as coisas são?
como aparecem?
como nós vemos?
..........................................................
sensação é uma palavra obscura

é um feixe de impressões a experiência, como diriam os empiristas? o percebido, um agrupamento de imagens que reaparecem sem razão?
A percepção possui coerência? não é uma coleção de pedaços de sensações?
mas as coisas são uma união de características??

"the unity of the thing in perception is not constructed by association, but is a condition of association" (PP 24]17}19-20)

Merleau-Ponty diz constante flutuação entre estados de tensão e equilíbrio, com uma unidade própria do objeto percebido como uma espécie de solução, ou antecipando uma solução, para um problema não registrado intelectualmente, mas em uma "vaga forma de inquietação"

o trabalho de atribuir significado ao mundo já foi feito...
"as long as we keep trying to construct the shape of the world, life, perception, the mind, instead of recognizing as the immanent source and as the final authority of our knowledge of such things, the experience we have of them" (PONTY, PP 31]23]27)

The concept of sensation is incoherent, since it is meant to serve two incompatible functions: first, to capture the actual content of perceptual experience; second, to explain how that experience is brought about by causal impingements on our sensory surfaces. The concept fails in the first effort precisely because the phenomena adequately, it explains nothing, and when it is subsequently invoked, along with auxiliary hypotheses concerning association and memory, to explain away the manifest phenomena, it no longer describes them as they are. (Carman)

São várias as hipótese que dizem do isomorfismo entre estímulo e percepção. São coisas que vemos que contrapõem suas qualidades?
Consciência perceptual, para Merleau-Ponty, é um produto da atividade cognitiva, não é passividade, receptividade.

It is not as if our experience is a muddle and then the mind operates on it and sorts it out, rather, perceptual indistinctness is always only a matter of failing to attend carefully and judge correctly."What intellectualism lacks," Merleau-POnty observes, "is contingency in the occasions of thought" (PP 36;28;32)

A ambiguidade nas sensações, eu odeio anchova, (eu descobri isso ainda..rsrs) por que dá arrepios?
sensações geram juízos...intencionalidade implicando juízo.

Experiência e julgamento
não é possível deliberar sob as nuvens...aham
eu julgo 2+2=4 sem atribuir qualidade alguma......ok. Dormir.

Ordinary experience draws a very clear distinction between sensing [le sentir] ad judgment. For it,  judgment is the taking [prise] of a position, it aims at knowing something valid for me at every moment of my life, and for other minds, actual or possible; sensing, by contrast, is giving oneself over to appearance without trying to possess it and know its truth. This distinction disappears in intellectualism, because judgment is everywhere pure sensation is not, which is to say everywhere. The testimony of phenomena will therefore be impugned.
(Merleau-POnty, PP 43,34,39)


Intencionalidade e Percepção....devaneios..09-12-14

Another way to put this to say that our ordinary notion of seeing is a success notion, for it logically requires that wat I see be there to be seen, otherwise, I am not really seeing it. I might have thougth I saw it, but if it wasn't there, I didn't. So too with remembering, folowing, and ignoring: you can't remember something that didn't happen; you can't folow someone who isn't out ahead of you, and you can't ignore something that isn't there. ( Taylor Carman, Merleau-Ponty, pg 34)

Merleau-Ponty's phenomenology is an attempt to free perception from this semantic-representational paradigm by insisting on the literal rightness of our naive understanding of intentionality as orientation in and directedness toward the world itself. That naive notion is not just a vaguely suggestive metaphor,but literally right, for intentional states are realized in bodily attitudes situated in a concrete physical and social environment.  We do not just "have" grasp, posses or contain- the contents of our perceptual experience. (Carman)


lembrei do yo soy yo y mi circunstânica
essa próxima página diz tipo isso
depois do mundo chamar
nossa intencionalidade ingênua
está atenta a estes chamados (deveria)
e não busca o mundo conceitualizado 
é o tal do mundo préobjetivo que ele quer, sugere....
Hurssell também voltar às coisas mesmas
descrever...
ainda ficou pouco..
digo:
Phenomenology is a descriptive, not an explanatory enterprise.
A phenomenology of perception is thus an attempt to describe
perceptual experience from a first-person perspective, from the point
of view of the experience being described. (Carman)

Mas se vai usar conceitos, caralho...rs
eu não entendo....tá...volta 

The world is there before any anlysis I could carry out... Perception  is not
a science of the world, it is not even an act, a dliberate taking up of a position;
it is  the background from which all acts stand out, and is presupposed by them (Merleau-Ponty)


Merleau-Ponty's phenomenology is not a theory of mental representation, but a
descriptive account of perception as a mode of being in the world, an existencial condition
of the very possibility of representations- imaginative, semantic, or otherwise cognitive-
intervening between ourselves and the world. (Carman)

ahãm....explica isso direito...
ah próximo redução fenomenológica...humm mas diz que vai além....?

The best formulation of the reduction is no doubt the one given by Eugen Fink, Husserl's assitant, when he spoke of "astonishment" in the face of the world. Reflection does not withdraw from the world toward the unity of consciousness as the foundation of the world, it steps back to see transcendencies rise up before it, it slackens the intentional threads that attach us to the world in order to make them apparent... it reveals that world as strange and paradoxical. ... in order to see the word and grasp it as paradoxical, we must break with our familiar acceptance of it, and... from this break we can learn nothing but the unmotivated upsurge of the world. The greatest lesson of the reduction is the impossibility of a complete reduction.... If we were absolute spirit, the reduction would be unproblematic. But since on the contrary we are in the world, since even our reflections take place in the temporal flux they are trying to capture... there is no thought that embraces all our thought. (PP viii-ix}xiii-xiv]xv)

sou chamada à familiaridade que vivo
nomear o mundo não é tão simples
sensação X feeling
julgar pode ser muito mais agir instintivamente......
descrever o mundo não é fácil...................são poucas as palavras...


For of course experience is rife with with feeling inwardly interwoven, haunted by the past, focused against a back-ground, and intelligente. What Merleau-Ponty criticizes is not our pretheoretical understanding of what we ordinarily call "sensation" and "judgment", that is, but the technical redeployement of those terms in abstraction from what they are originally called upon to  describe. In dismissing the psychological concepts of sensation and judgment, he is arguing that perception cannot be understood either as the passive registration of sense data or as free and spontaneous intellectual activity. (Carman)


The word "sensation," Merleau-Ponty observes, is perfectly at home in ordinary language, and the notion at first "seems immediate and obvious." Once uprooted and transplanted in the domain of psychological theory, however, it turns out, "nothing could in fact be more confused" (Merleau-Ponty, PP 9-3-3)





terça-feira, dezembro 09, 2014

montanha-russa
lá o object
no alto da montanha
ah ok
2 minutos atrasada.

Dolor común

Cállate, corazón, son tus pesares
de los que no deben decirse, deja
se pudran en tu seno; si te aqueja
un dolor de ti solo no acíbares

a los demás la paz de sus hogares
con importuno grito. Esa tu queja,
siendo egoísta como es, refleja
tu vanidad no más. Nunca separes

tu dolor del común dolor humano,
busca el íntimo aquel en que radica
la hermandad que te liga con tu hermano,

el que agranda la mente y no la achica;
solitario y carnal es siempre vano;
sólo el dolor común nos santifica.

Miguel de Unamuno

domingo, dezembro 07, 2014

não quero mais me narrar
não sei....
chega de confessionalismo
eu gosto de acessar e inventar memórias
aqueles flashes bem prazerosos
do que sinto
quando vejo
a cara do amor me lambendo.....
é sempre a mesma história
que me deixa cansada.
XV
        
         Para poder morrer
         Guardo insultos e agulhas
         Entre as sedas do luto.

         Para poder morrer
         Desarmo as armadilhas
         Me estendo entre as paredes
         Derruídas.

         Para poder morrer
         Visto as cambraias
         E apascento os olhos
         Para novas vidas.

         Para poder morrer apetecida
 
Me cubro de promessas
Da memória.

Porque assim é preciso
Para que tu vivas.

Hilda Hilst

terça-feira, dezembro 02, 2014

The mistery is, in a word, perception. What is so mysterious about perception? Not simply that it occurs, or that i has this or that qualitative feature, but that it discloses a world.
(Taylor Carman, Merleau-POnty, pg7)

domingo, novembro 30, 2014

Glosa a chegada do outono.

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera: este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.


Jorge de Sena

segunda-feira, novembro 24, 2014

O Kant me falou hj de manhã
que a razão só existe pra conduzir a vontade
se a felicidade for dada pelos instintos...
pode até ser..mas não! a razão deve conduzir
a uma boa vontade...
ah tah...
e a felicidade deve ser aspirada por esta
Kant não tinha um corpo cheio de desejos?
acho que não....
ignorar as inclinações e focar no dever
no caráter...aham...sei....

Mas o que prescreve a felicidade é geralmente
constituído de tal maneira que vai causar grande dano a algumas
inclinações, de forma que o homem não pode fazer ideia precisa e 
e segura da soma da satisfação de todas elas a que chama felicidade;
por isso não é de admirar que uma única inclinação determinada,
em vista daquilo que promete e do tempo em que se pode alcançar
a sua satisfação, possa sobrepor-se a uma ideia tão vacilante.( Kant, Fundamentação
da Metafísica dos Costumes, pg 29)

Ele não entende que o que tem aparência de amor
pode ser amor, enfim depois de um tempo saberei
que o que tem aparência de felicidade pode ser felicidade...
é um chato, dever, leis, inclinações não importam! Bem supremo razão
em desprezo ao corpo...vive em dicotomia....
ahhhhhhh
Não sabe da tensão no corpo, do mundo que nos chama
para nós a aparência é realidade. A verdade veredito da razão
bleahhh
saberei depois,
em novas situações e aparências.
Mas que merda, verdade é o agora.
blá blá blá
Kant vai fala comigo.......bleahh




domingo, novembro 23, 2014

Hildaaaaaa Hilst

Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor


I

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)
Chuva para dormir
não precisa de música de pano de fundo
que lhe faça dormir
enfim
parece que não dormir
era 333333333
ok
a ver sinestesia....rsrs
vai
virar um zumbi sinestésico?
sqn

sábado, novembro 22, 2014

nasce Âmaras
concebe o teu corpo
que pensa outros mundos...

Devaneios X POnty

Há portanto uma certa consistência de nosso "mundo", relativamente independente dos estímulos, que proíbe tratar o ser no mundo uma soma de reflexos _uma certa energia de pulsação de existência, relativamente independente de nossos pensamentos voluntários, que proíbe tratá-lo como um ato de consciência. É por ser uma visão pré-objetiva que o ser no mundo pode distinguir-se de todo processo em terceira pessoa, de toda modalidade das res extensa, assim como de toda cogitatio, de todo conhecimento em primeira pessoa_ e que poderá realizar a junção do "psíquico" e do "fisiológico".
M.P, de novo.

Não se trata de fazer tal junção de maneira a descrever com termos objetivos, uma forma mista de ser...não se trata disso. É um corpo em tensão que sabe da sua potência para agir, o mundo lhe chama, convida-o sempre.
Pois é...e vc tá aqui lendo no quarto.
como "sujeito normal",
(ele não precisa, para pôr-se a caminho,
de uma percepção clara e articulada de seu corpo: basta-lhe tê-lo
"à sua disposição" como uma potência indivisa, M.P falando
do membro fantasma...........................e eu pensando naquele fantasma
que é o que eu quero ser.......ah q nada...
eu sou outra.

Amplidão

Âmaras um corpo novo?
algo como mãos novas,
um sorriso esclarecedor
de contentamento
com o exterior
com um abdômen contraído
um diafragma sentindo a vida
sem um mundo intelectualizado prévio
à la Merleau-POnty
aquele ideal...
ainda falando de ideias Maurice? hahaha
ah, sim, como a beleza
também vai lidar com ideiais â? ideiasua? ideiasminha?
ideianua
ideiavinha
ah ok
bora voltar pra ler do corpo...........................now! corpo!
ué, Âmaras não é outro corpo?
ah ! sim pode ser outro...hahaha
qual é o nome desse músculo mesmo?
poootz esqueceu do trapézio Sâmara...?
ops!
o trapézio de Âramas
tem outra "situação"
mas ela lê o Ponty
numa Ponte...
que tem cadeados
ich...
psicanálise...haha
chavinhas...ê....chegou ao ponto
chavinhas...
ahhhhhhhhh haha tem que rir...
e o trapézio pulsa
em minhas fibras mais inferiores
acho que é o rombóide maior...
deve ser..
que amplidão!

Não resisti....

O reflexo não resulta de estímulos objetivos, ele se volta para eles, investe-os de um sentido que eles não receberam um a um e como agentes físicos, que eles têm apenas enquanto situação. Eles os faz ser como situação, está com eles em uma realização de "conhecimento", quer dizer, indica-os como aquilo que ele está destinado a afrontar. O reflexo, enquanto se abre ao sentido de uma situação, e a percepção, enquanto não põe primeiramente um objeto de conhecimento e enquanto é uma intenção de nosso ser total, são modalidades de ser no mundo. Para aquém dos estímulos e dos conteúdos sensíveis, é preciso reconhecer  um tipo de diafragma interior que, muito do que eles, determina aquilo que nossos reflexos e nossas percepções poderão visar no mundo, a zona de nossas operações possíveis, a amplidão de nossa vida.
(Merleau-Ponty - O corpo, Fenomenologia da Percepção, pg. 118-119)
quisera volver
ai ai
que tal um lloro de Andaluzia
una canción perfecta...
I know
fortalecer os músculos
contraindo e relaxando
um pouco de treinamento de força
para causar lesões e aumentar o número
de pontes cruzadas....
ok que tal um adesivo kinesiológico
nos ombros?
ah...

quarta-feira, novembro 19, 2014

Corazón Coraza


Porque te tengo y no
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza

porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.
Mario Benedetii

segunda-feira, novembro 17, 2014

Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade.
Frida Kahlo

A felicidade não é um ideal da razão, mas da imaginação. (Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes, seg. Seção, pg 56)

Yo

Não quero nada
Já está muito tarde
Faltam Vinte para três
Eu olhei pra sua foto
Na cara já perdestes
Algo que eu não sei
O que é
Agora vejo mais feiúra
Acho que é vida
Pulsante
Mutante
Sua cara começa a ficar
Estranha
E parecíamos tão bem
Juntos
Devo configurar meu corpo
Querendo você
quando
A imagem chega distorcida
Lembro de
Como não se alegrara
Quando eu parecia
Que amava
pareço tonta
E prestes a sangrar
Usually...

domingo, novembro 16, 2014

"Man wird nie betrogen, man betrügt sich selbst".
Goethe
Chega de confessionalismo
impossível
como falar de outras vidas?
como se o mundo que vejo
é a partir dos meus olhos?
eu realmente crio expectativas demais...
fui direto ao ponto
sei o que é sentir o que quero sentir
de fato
quero muito mais
e dane-se
não preciso doar minhas falas
tentar fazer delas alguma poesia...
quem quer saber?
eu continuo a mesma
ridícula
em domingos
que se lê Kant...bleaahhhh
que chora por medo de não ser amada
nunca...fica só sempre...ahhhhhhhhhh
os sentimentos nascem com o tempo...
ah vai pra puta que pariu
por acaso eu tô plantando uma horta?
não sentes nada significativo?
então, suma!!

não há estórias de crápulas pra serem inventadas
há só o que eu sou....
e todo o mundo que vem até mim,
seja pelo passado ou futuro
que concebo...
merda....
vamos fazer outras viagens
ÂMARAS?
inventa...
bora partir do mundinho da
Sâmara?
ah tah...até os crápulas tem necessidade do belo e de amor?
aham...
tá bom...
eu não quero saber dessas histórias,
vamos a verdades que se vivem,
coisas que eu vejo
que de fato estão no mundo,
pleaseeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
ah! e pensando bem
eu prefiro facínora
a crápula.
E????
Fundamentação da Metafísica dos
Costumes...now!

sábado, novembro 15, 2014

Âramas

Não quer expressar nada
Sabia que aquilo tinha data de validade
bem vísivel
mas não esperava aquele fim
de fato ela esperava
amor
e não ouvir aquilo
tinha a sensação
que queria agredi-lo
dar um lhe tapa na cara
lhe chamar de canalha
não! de crápula!
isso só se vê em filme
quando o óculos resvala pro
maxilar e abre as hastes
e nem sente o tapa
mas o crápula
quer que acabe ali
pra ficar com a palavra
e depois desamassar os óculos
 quem não quer ser um crápula?
eles sabem o que é necessário.
pouco importa se acabou
o crápula fica
afinal
crápula é um adjetivo vazio...
lembrar de Drácula
não solicita nada
associação errada
um crápula pode ser belo
e até amável
ou não ser nada disso.


sábado, novembro 08, 2014

Lá do alto ela gigante
olha a iluminar a noite sem sono
com vontade de luto
já se passaram duas horas do meio na noite
as noites assim possuem paz?
sim, não há nada a temer
dissolver problemas, não criá-los
Ergue-se na cadeira
parece procurar alguém
não!
imagine as possibilidades
ou simplesmente recorra aos textos
usar a imaginação na madrugada
pra fazer projeções sobre o nada
cansaço
não!
vamos para "a febre dos hiperlinks"
agora
melhor
sobre "quão distante é o ensino
à distância da educação..."
Quero mudar o discurso
agora sabendo que escolho
o que não pode ser
padrões emocionais.......viciados.
Basta!
Saúde emocional Sâmara, união dos sentidos...
Ver o mundo nascer
como o vê uma criança,
please.
O mundo me olha, quer que eu o ame.

segunda-feira, novembro 03, 2014

parece que um raio esclarecedor
na fatalidade de ver
aquela imagem
que
iluminou meus sentidos
quando
eu sentada no sofá
e você vinha livre para eu beijar
todo pele
sim!
pensando bem
o que eu amo é te comer...

você me impede
não quer deixar fluir e muito menos fruir
não lida bem com os afetos
cria espaços
de secura
não deixa o desaguar destes "meus"afetos
pensa como Nietzsche,
ou como Freud...ou qualquer outro autor
você mesmo, eu não sei...
deve ser....de pensar,  de moralizar afetos...
deve ser.... de pensar, algo como uma ilusão necessária
mas não pra ti
coisas menores que podem ser comparadas
com doutrinamento, religião, algo assim...algo bem
senso comum, abaixo do campo semântico que tu alcanças
Rechaça o presente momento que não se pode
negar
prazer...e sim, alegria...eu sinto alegria,
invenção, sim pode ser invenção
talvez, esta seja uma questão...
quando a chave vira e muda de tesão lazer
pra outra coisa...
quem sabe cuidado, quem sabe nada...
nada disto faz sentido,
não o seguirei mais,
voltarei-me para minhas coisas,
meu quarto, minha janela,
meu falatório inútil.
Sabe pode ser interessante, pode ser instigante,
enigmático, esse
 tom de mistério
mas eu quero é verdade,
sabe
essa que tá vida vivida...
essas outras coisas, todas cheias
de análises e teorias uma hora cansam...
Quem pensa demais,
realmente não casa.,
e quem não casa
quase sempre está sozinho
e sem amor. Não que o contrário aconteça,
pode ser...ou não...
dane-se
Fodassssssssssssssssssssssss....
eu sei que é, ilusão
e eu quero todas...todas
es muss sein!
tem de ser assim...

sexta-feira, outubro 31, 2014

Parece q não possuem sentido
Nem as pessoas pensadas
Ou as práticas
É uma sensação de estranhamento
quase meia noite
Prüfung deutsch
Cedo..
Dores nas costas
A ideia de amor ou sexo

Foram descartadas
Descrever não parece revelar algo
TAlvez ordem
Familiaridade
Mas tá.... É.... Isso aí...
Deu fome...ótimo! Algo bem mais
Claro ...quanta clareza de percepção..... Hummmm
Cansera..opa....mais uma...quanta sensação..Hahaha
Vai rezar...Deus...me dá! Forças...amor...
OK vai dormir...

quinta-feira, outubro 30, 2014

Casa nas montanhas...quem sabe, na quinta fase...

a tagaralice pode voltar a reinar
desta forma
e o quietismo? mais falatório?
humm...dissolver problemas...
penso num efervescente
ele dissolve efervendo
pode ser...
tantas coisas que podem até ser somadas
ou quer trilha sonora?
blá blá blá com significado????
Você está feliz?
você tem um bom coração?
não são perguntas objetivas
esta é a única vida pra mim?
eu ainda não sei.
claro, há muitas possibilidades,
mas é esta que escolhi.
Quem sabe um dia,
não mais filosofia em apartamentos,
vai de filosofia das montanhas
é bem melhor
dane-se a solidão
pode-se ter cachorros
ovelhas
marido....hahaha
vai dormir, agora!!!

ovelhas pastando comendo o jardim, né?
ahhhhhhh
casa no campo...sei...não!
nas montanhas!!hahaha

segunda-feira, outubro 27, 2014

toda essa libertad tamanha
aparece-me como tamanha soledad..
então defina esse tal amor livre...
quando aparecer, acontecer de querer
não há que pensar duas vezes
que lindo!!
o amor nunca será sério,
não há que decidir-se
nem pegar a minha mão
Agora tem que ficar sério, não isso não....
afinal
é comparado com a religião
pode ser...quase uma doutrina
o devir... o que acontece
também gosto
não há mais cuidado moral
não há mais que livrar-se do que não há intencionalidade
não há que suportar a vida com amor.....palhaçada
me sinto mais ridícula ainda...
enfim....
eu sinto e sei que posso criar
coisas muito interessantes
pra não dizer belas
meu combustível de criação
de realidade
afirma a diferença
e o cuidado de
mim
ok sem ser refém de alguma recompensa
toque
gozo
afetos
não quero mais ser um corpo consciência docilmente passional
chega!
quanta sensibilidade rechaçada filosoficamente!
vamos inventar mecanismos para inventar distâncias..
pra aproveitar o que me acontece, uma atitude
pra criar realidade...com desprendimento..
uma energia real, uma vida intensa.

quarta-feira, outubro 22, 2014

eu não sei
não pode ser novamente
hormÔnios
cara sempre esses caras
ok
vamos no ritmo
poucos parágrafos
um comprimido
um pouco de relaxamento
não posso passar a vida assim
mas sem essa de morrer
ai que merda
como estes músculos doem
e eu preciso estudar
caralho
é ...traz um caralho
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
ai
 eu preciso sair desse quarto
mas não vai ser pra ir
a alguma
aula
bandejão
ou academia
normal...à padaria!
tem que rir...............
depois de um relaxante muscular
afinal
nem Merleau-Ponty tá segurando a onda...
e são 12:45
é preciso comer
e não surtar.



domingo, outubro 19, 2014

Algo prático: estas emoções e palpitações é meu coração fazendo musculação...
não há mais o mais importante.....
tudo agora
é importante.
humm sensação
vai dorme não
mais alguma sensação?
humm?
lembrança?
rosto?
ou já pode dormir?
claro....
o chocolate
foi comido.
eu deixo mais um último gole
de suco de uva com soja..
pootz o André ainda tá vendo filme
então
acho que não é necessário dormir não...ão ão
poesia de ótima qualidade
só que não
de novo.
gostoso..
ich vou ter que ir no banheiro de novo...hahaha
ahhhhhhhh narrativa inútil....agora ...agora...
bom, hoje
bom...sentimento
bom...sensaão
ahhhh filosofiia

fenomenologia
ah claro
só que não de novo....
ahahaha
nada é revelado
melhor apagar a luz
e dormir.

sem música sem sono
ah última
depois
é nada
é indigestão
não
é noite
de dormir
como sempre.
eu sou um humano de carne e osso
e outros órgaos
e preciso de amor?
bom, algumas devem ser consideradas
a procura
e pano de fundo
as cores
não ser
as luzes da cidade acesas
acendendo a mesma imagen
pode se dizer se quiser
sobre o que?
a mesa?
é realmente um chocolate amargo
pode te fazer voltar pra terra
mas o pano de fundo?
o suco de uva e soja?
a geladeira cheia de sucos
ahh você
meu universo

mentira
é só tonteria
de hormÔnios
é bebedeira
aquelas das tpms
sabe...sabe...
é, eu posso te sentir aqui
daqui...
ah o quanto isso é estranho
fenomenologicamente
indescrítivel
ahhh isso é viagem....hahaha
acha que estes sentimentos dão alguma substância pra
uma vida
em Contagem?
só que não!haha
parece que sim, né...
ahhh Sâmara
quando eu penso que você muda
você parece-me igual...
estranho
normal
ok
temos chocolate
e hoje tentamos amenizar a tensão testa
da disciplina do segundo olho que se cria
disciplinarmente durante a semana
ó...quão órgulhosa
ó...
ó....
o que você quer? méritos?
teorias??? humm..q tal? teorias?
desenvolver algumas de calcinha nas tardes
quentes desta estação?
deste tempo agora, tão seco....
tão...
ah vai de chocolate de novo, pequena suja...
sem pensar, esse nem tem folha de estanho...haha
e música...
é...essa hora...
pede música
ich....tem vida ali falando
publicamente
será que vou lá?
será?
ah...cansei dessa virtual...que fala...
não, a voz aqui é outra.
fodas.
meu trato é diferente,
na rede.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Devaneio

Estou com medo
pareço não mais escutar as vozes
só as que me interessam
as belas
prefiro os sonhos
estive muito cansada neste fim
fui até à exaustão
são cores e imagens que eu não sei
de onde são
aparecem assim
dois nódulos também voltaram
há dias que pareço outra
tenho receio do que está acontecendo
dentro de mim
é desconhecido
devem ser hormônios
agora eu gostaria que fosse
porque há diferença no modo de ver
o mundo e o outro
coisas estão claras demais
e muitas parecem ter perdido o seu brilho.
De repente aquela emoção invade o peito
queima subindo ao meio
penso que isso não seja
bom....
não sei o que do que se trata
é uma emoção de entendimento
e ao continuo numa tarde ensolarada
estudando de calcinha
com o ventilador ligado...não posso ter a pretensão
que estou a perceber o mundo, posso????
ahhhhhhhhhhhhhahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

segunda-feira, outubro 13, 2014

Deixa arder..hahaha

Preto e branco
queimam sob o céu azul
depois do sol descer pro Japão
o horizonte queima
ah nem é de paixão
quisera, quisera
depois de tantos icebergs derreterem
inundariam aqui ou não?
quisera, quisera
afundar tudo isso sem razão
mentiraaaaa,
falta água,
isso não acontece,
a chuva nem molha o chão
também sumiu...
eu
ardo,
ardo
ardo
o fogo em mim.

domingo, outubro 12, 2014

ao falar com o coração na mão
ponho tudo a perder
parece que minto pra mim
sabendo que não receberá
tamanha ilusão
se ao menos a criássemos juntos
um dia cairíamos dali
mas e daí?
e se durasse uma vida?
seria possível...
acho que não
depois de tanta razão
na filosofia
não há beleza que perdure
não há amor que insista
depois que tudo passar
eu saberei o que for
verdade
quando outro amor
vier...
hahaha palhaçada
depois de 3 minutos
eu acho o q escrevi ridículo...

sábado, outubro 11, 2014

Paredões montanha de pedra serra

ao passo que pensas sobre o que sentes
depois de caminhar na serra quatro horas
caminhou todo o tempo vendo tudo que via
pensando no que sentia
depois da exaustão
de três mergulhos
gostaria de entregar-se àquelas àguas
foi quando ignorou o medo e pulou
foi até o fundo
e subiu rapidamente
nesta hora não pensava
sentiu
aquilo foi real
quando chegou e disse
do que pensou
a indiferença
à tudo que dissestes ou pensastes
sugerindo insignficante
sentindo
sempre acontece algo
mas nada acontece pra muitos
eu vi aqueles paredões gigantes de pedra
que ali respiravam
e provavelmente permanecerão respirando
com aparência de pedra morta
devem alimentar 
com o vento
em seus alvéolos verdes
há tantas flores do cerrado
mas eles como são pedras
parecem não se importam
e simplesmente ignoram
qualquer movimento
todo o meu falatório inútil
não traspassa nenhum sentimento
ao vento
que passam tocando
insignificantemente
nem olha para o vento
a pedra
tocando a superfície verde
um toque,
passa
um toque
algum afeto?
aquelas águas
caíram
passando primeiro por seus sulcos
e como eu foram também pisaram no fundo
daquelas pedras
sobre ti amontoavam seu fluído
para que eu pudesse mergulhar.
um pouco de morte
dos paredões de pedras
que estão vivos
no fundo...
por que não me faz desaparecer?
Com o vento
Pois o que toca
Não é dentro... Blá blá blá

quinta-feira, outubro 09, 2014

As coisas estão ali, não mais somente, como na perspectiva do Renascimento, segundo sua aparência projetiva e segundo a exigência do panorama, mas ao contrário, de pé, insistentes, esfolando o olhar com suas arestas, cada uma reivindicando uma presença absoluta que é incompossível com a das outras e que, no entanto, elas têm todas juntas, em virtude de um sentido de configuração cuja ideia não nos pode ser dada pelo "sentido teorético". Os outros também estão ali (eles já estavam ali com a simultaneidade das coisas), não de imediato como espíritos, nem mesmo como "psiquismos", mas tais, por exemplo, como os enfrentamos na cólera ou no amor: fisionomia, gestos, palavras às quais, sem pensamento interposto, as nossas respondem, a ponto de, algumas vezes, voltarmos suas próprias palavras contra eles antes mesmo que nos tenham atingido, tão seguramente, mais seguramente, do que se tivéssemos compreendido- cada uma prenhe das outras e confirmadas por eles em seus corpos.


Penúltimo páragrafo do ensaio O Filósofo e sua sombra, Maurice Merleau-Ponty

quarta-feira, outubro 08, 2014

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando Pessoa

sexta-feira, outubro 03, 2014

Eu não sabia
Mas agora sei
Que também
Chora
Vontade de confortar-te
Quando quiser
Chorar...
Te abraçar
Dar um beijo
Meu amor todo seu
Saberá quando está cheio
estar contigo
Verá a transparência
E quando eu quiser
Morrer
Será q vai acontecer?
Talvez no mas
Puxarei muito ferro
E mostrarei minha força
Pra vida
E
Você
Eu quero você eterno...

quarta-feira, outubro 01, 2014

cansera

não sei o que é o belo
não amarei mais aquela projeção ideal
ou aquela negativa impressão
buscarei o mistério que há entre essas duas
meu sentimento não diz o que sou
é só um termômetro de mim mesma
quero perceber
saber o que o outro sente
descobrir a dimensão amor
?????
de novo?
não somente viver de compensação psicológica
é claro, sou fraca e isso pode acontecer
há dentro do outro uma dimensão infinita
inabarcável
uma pessoa inteira, viva e presente
e não quero confundi-la com as imagens
que invento
olharei de novo, de novo, de novo
em vez de pensar
não quero mais sonho e imaginação
chega de palhaçada!
Não sei de nada,
mas estou no mundo
e me parece o mesmo quando acordo
quem muda sou eu
só que não
e o verdadeiro é o qual eu estou
fisicamente, na experiência real
me abro para ele com toda sua complexidade
e mistério
o amor não é objeto do conhecimento
só pode ser conhecido por participação
independente do que eu estou imaginando
o outro é alguma coisa
é uma pessoa real
existe independente de mim
das impressões que sinto
dos meus sentimentos
e eu olho
querendo saber
quem és realmente
sem alterar, seja deformando
enfeitando
sem inventar...
eu imagino isso,
imagino aquilo
...............................
na minha cabeça
na minha cabeça
isso não está no mundo
meu caminho é longo....
eu quero o mistério
e tudo que ele venha a ser
na convivência real
e tudo isso é maravilhoso
pois eu nunca vou saber
o que és, pois também
muda
mas seria bom amar tudo
aquilo que eu imagino
como um todo
na condensação das nossas
vivências...
e enfim, desejar que tu sejas eterno!
uuuuuiiiiiiiii
depois dessa....
.................................
vai escrever só uma página por dia do fichamento?
ah vai dormir
pra acordar cedo!
quem foi que inventou a categoria amor romântico?
caralhooooooooooooooooo
agora eu fico procurando essa porraaaa....
como é dar amor?
eu vou dar...
é.... eu vou dar.........



sábado, setembro 27, 2014

chega de autocríticas
auto interpretações da própria percepção
espontaneamente cansei
ou simplesmente os hormônios agora
são outros
as faltas linearmente eu acostumo
afinal
é melhor não se comprometer
só temos a nós mesmos
querer o possível
work with my hands
eu não delimito o que sinto
mas agora falarei somente aqui
eu sei que minto
sinto o útero dar cambalhotas...
era preciso o q?
não! não quero nada!
nem poesia,
estética, metafísica...
porra nenhuma.



"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água."
Álvaro de Campos

quarta-feira, setembro 24, 2014

Do I Wanna Know?


Have you got colour in your cheeks?
Do you ever get the fear that you can't shift the type that sticks around like summat in your teeth?
Are there some aces up your sleeve?
Have you no idea that you're in deep?
I dreamed about you nearly every night this week
How many secrets can you keep?
'Cause there's this tune I found that makes me think of you somehow and I play it on repeat
Until I fall asleep
Spilling drinks on my settee

(Do I wanna know?)
If this feeling flows both ways?
(Sad to see you go)
Sorta of hoping that you'd stay
(Baby, we both know)
That the nights were mainly made for saying things that you can't say tomorrow day

Crawlin' back to you
Ever thought of calling when you've had a few?
'Cause I always do
Maybe I'm too busy being yours to fall for somebody new
Now I've thought it through
Crawlin' back to you

So have you got the guts?
Been wondering if your heart's still open
And if so I wanna know what time it shuts
Simmer down and pucker up
I'm sorry to interrupt
It's just I'm constantly on the cusp
Of trying into kiss you
But I don't know if you feel the same as I do
But we could be together if you wanted to

(Do I wanna know?)
If this feeling flows both ways?
(Sad to see you go)
Sorta of hoping that you'd stay
(Baby, we both know)
That the nights were mainly made for saying things that you can't say tomorrow day

Crawlin' back to you (crawling back to you)
Ever thought of calling when you've had a few? (you've had a few?)
'Cause I always do ('cause I always do)
Maybe I'm too (maybe I'm too busy) busy being yours to fall for somebody new
Now I've thought it through
Crawling back to you

(Do I wanna know?)
If this feeling flows both ways?
(Sad to see you go)
Sorta of hoping that you'd stay
(Baby, we both know)
That the nights were mainly made for saying things that you can't say tomorrow day

(Do I wanna know?)
Too busy being yours to fall
(Sad to see you go)
Ever thought of calling, darling?
(Do I wanna know?)
Do you want me crawling back to you?

Dentro

Entre o prédio vermelho a avenida e a universidade
as aulas e os livros
as línguas
os entes vestidos que se cruzam
os ladrões possíveis
o amor possível
eu passo e vivo
o quarto e a coberta cinza
uma cópia de Monet
os discos que não ouço
e as teorias que virão
e serão somente teorias
que dirão conhecimento
e pedirão palmas
e opinião
aham...
deu sono de novo
yesterday
sou eu de novo
e não há como voltar
você vai embora
eu sei
eu posso estar errada
com ou sem você
que pode ser você
se quisermos
e pode também não ser
se quisermos
enfim, queremos
estar bem e isso é tudo,
não precisamos estar dentro
....................
eu tenho dúvidas............................

Sujeito corporificado com percepção fudida

não sei o que se passa
quero ficar com os olhos fechados
podem ser os hormônios?
sinto-me impelida a perceber toda a contingência
que há no mundo
mas nas minhas ações pareço ser sempre a mesma
o que cansa-me demasiado
a minha auto interpretação de saco cheio
por minha repetição
agora se sangrar
devo não querer morrer daqui uns dias
por enquanto
acho que é cabeça vazia
falta de serviço
muita leitura
muitas línguas
a vontade é de fugir de país
sei lá...
nada irá mudar
mas será que na China eu seria a mesma
idiota???
no sul da França?
no norte da Itália?
em Freiburg?
um semestre em Porto?
e se passasse uns dias em Monte Saint-Michel?
na casa do caralho?
na puta que pariu?
e se o sujeito corporificado e sua percepção
a vai se fuder...
nem fudendo a coisa muda...
qual experiência faria com que a minha razão
mudasse a percepção de mim mesma?
Sâmara, você somente se verá diferente
se agir diferente...
fudeu de novo.
Você muda, eu vejo...
relaxa, só sente mais ou menos
parecido....
as necessidades é que não mudam muito...
merda.

Débil mental

poderia fugir das minhas ações?
não
o que faço está feito
não há que perder tempo
por saber da própria ridicularidade
em que se encontra
saberia ser outra?
parece que não
a dinâmica é sempre idiota
o que fará se nas tpm's da vida
se coloca a fragilzinha
ridicularizável
quando irá acabar isso?
que merda!
o melhor a se fazer a essa hora
dormir.
num minuto a mais
da meia-noite
e meia...
lamentar é desncessário
suas paixões inúteis
aparecendo a esta hora da noite
demonstrando o quanto sua razão
é débil.

quinta-feira, setembro 18, 2014

blá blá blá do badalo anunciando a hora de dormir...

Como eu posso pensar em algo que não existe?
A minha experiência perceptual não é imediata,
o que atinge minha consciência?
O que impacta meus sentidos?
mais blá blá de sempre...
ok
meus pensamentos dados pelo meu recorte
da percepção não são infalíveis
E quando eu erro?
eu não pensei em nada?
já que não está no mundo, pois estava iludida...
Quando penso no meu amor,
e não há amor nenhum
eu não pensei em nada. O meu pensamento é inadiável,
mas se não há conexão com o que está mundo,
que merda.
Se meu pensamento me motiva a agir
e se estou iludida
não ajo...
Devo me situar no mundo
onde estou, como me relaciono a partir de onde
é...
A minha memória tem as cores
daqueles tons que eu percebia?
Posso distingui-los?
posso dizer o que significam?
Não!
Se o objeto que penso não está em relação
com o meu corpo,
não há experiência, Sâmara....


O Patrão Nosso de 


Cada Dia


Secos & Molhados

Eu quero o amor
Da flor de cactus
Ela não quis
Eu dei-lhe a flor
De minha vida
Vivo agitado
Eu já não sei se sei
De tudo ou quase tudo
Eu só sei de mim
De nós
De todo o mundo
Eu vivo preso
A sua senha
Sou enganado
Eu solto o ar
No fim do dia
Perdi a vida
Eu já não sei se sei
De nada ou quase nada
Eu só sei de mim
Só sei de mim
Só sei de mim
Patrão nosso
De cada dia
Dia após dia

Deturpando Hume

"¨É verdade que, para se estabelecer uma
união perfeita entre paixões, é preciso sempre uma
dupla relação, de impressões e de idéias;
uma só relação é insuficiente para esse fim."

sei lá qual página do Tratado

blá blá de sempre

são inúmeras análises e teorias
as línguas que todas estas foram ditas
os egos que pedem para ser vistos
lidos, ouvidos, comentados
A política em pauta
o amor que faz falta
L O V E uma ova
o céu refletido na pintura
as seis páginas do projeto
que não valem de nada
está tudo errado
não diz de ontologia 
talvez de antropologia
mas não é dar respostas
e sim problematizar
ah vai que se eu estivesse a caminhar na
lagoa
e não tivesse uma aula sobre Heidegger
daqui uns minutos
não seria mais feliz?
se eu pudesse dizer "aquele outro, que é meu"
como ouvi hoje...
mas tudo isso é muito inflacionado
e a vida pede outras coisas
usar o mundo
aquele do dado diverso e múltiplo
que eu recorto
e o meu 
é sempre o da tamanha tragédia
da minha ilusão
meu sentimento de salvação
minha consolação naquelas águas
que refletem o céu
e não passam de pinceladas...
não há ninguém ali,
são barcos soltos
no lago calmo
ao ir, não gostaria de estar só
passaria pela ponte
ergueria a vela...mas só
seria muito chato
passear, 
no mais está lindo,
o sol se põe e eu posso ver daqui
há sonhos, projetos, estudos,
tantas coisas por fazer,
tantas línguas e teorias e egos
para ver e aprender...
não há nada errado,
sou só eu compadecendo...

"O homem anseia ser amado, ou, o que dá no mesmo, anseia
ser compadecido."
Miguel de Unamuno - Do sentimento trágico da vida

terça-feira, setembro 16, 2014

sem palavras
projetos que se tornam papel
são mais importantes
enfim
teorias
daqueles que fazem
fenomenologia
e no fim dizem que estão
fazendo ontologia
as necessidades
o belo, a angústia
a autenticidade
voltemos, individuação.
Afetos, ah tá, vou vê-los
este semestre
na teoria moral
de Hume.
E na poesia
que não abro mão...
o belo me salva.
e daí?
vai pra aula Sâmara.............................................
Decerto meu deserto
ahhhhhhhhhhhh
pra que se lo lleve el viento....
que tengo yo en mi soledad...
a punto, a punto...
empezar y acabar...
pa mi corazón, pa mi piensamiento...
no sé, no sé..



quinta-feira, setembro 11, 2014

Muriel

Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de Madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então Madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se Bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema Rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de Serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontros
em que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de Roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de Villa Borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se Madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anos
junto de Califórnia Vinte e Um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido


Ruy Belo

terça-feira, setembro 09, 2014

Devaneio

Devemos refletir sempre 
se nossos conceitos 
se adaptam ao mundo ou não. 

Conceitos generalizam sentimentos, Sâmara!
sim! o seu subjetivo vira objetivo...
kkkkkk porra nenhuma...só tenta...
mas o link informacional...o peito, é meu....
ah quem liga...se eu sinto, é pq outros também sentem,
ou poderiam sentir...só que não...kkkk

ok, ok

Rever e monitorar se as nossas experiências internas 
correspondem ao mundo.
Pq  vamos fazer isto?
Ora, pq sabemos que podemos estar errados!  
Simmmmmm, podemos estar errados!
Neste caso é necessário sempre monitorar a
 convergência de nossas expectativas com o que está no mundo. 
(a partir da leitura de McDowell)
Bom, mas passando pra outros autores....
proposições metafísicas como Deus é infinito. Eu amo o Belo., o amor que há em
mim....
Ou simplesmente, eu penso que poderia amar...

_Oh! não obrigado! Teorias inflacionadas metafisicamente!!!

Alerta! Alerta!

Proposição sem sentido, contrasenso, pseudo proposição...
Mas será que tudo é verificável? afigurado?
Afinal a ciência não toca em nada dos problemas de nossas vidas com todas
suas respostas.... (Wittgenstein)

 E parece que não..
ah, bora dormir...sem metafísica.

domingo, setembro 07, 2014

ah coração
andas suspirando
paixão
ui! não era pra fazer isso não?
aspira no fundo
bater com razão?
ah pouca sedução
ok
espera não agita
tanto
harmoniza
faz da alma
teu sim, teu não
sim, sim, sim
eu cuido do vermelho
pulsar
vivo, vivo, vivo
quero sem medo
volta, mira!
olha pra dentro
e não faz confusão
eu te escuto
segue no peito
ardendo
é assim,
não esquenta não!
tchau e tun, tunm
tun, tun, tun
tun...
......
......
....................

sábado, setembro 06, 2014

Salivo

Transpondo um rio 
eu sinto o fluir 
o passar
talvez seja isso
quando do desejar um pouco
do infinito
da densidade destas águas
finitamente impossível
há o outro lado da margem
eu atravessarei
todo
turvas, claras, redemoinhos vários
eu sei que há águas calmas...
metendo-me no meu habitual
mergulho ridículo
por tamanha falta de ar
farei-me líquida
despejando no meio 
pra ver o fundo
o nada com causa 
não paro
a nadar, nadar, nadar
volto pro mar
não fugirei de fruir me nas ondas
e acabarei por beber-me
no sem fim
que pede meu esquecimento
para  que volte a ter sede
e salive outra vez
Engolida pelo azul
do céu e das águas.

Inefável

Nada há que me domine e que me vença
Quando a minh'alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial Sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
D'estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outra mais serenas madrugadas!

todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim, porque eu as amo
Na minh'alma volteando arrebatadas.

Cruz e Sousa