quarta-feira, dezembro 04, 2013

Teatro mental

As impressões são irrelevantes, afinal é só o meu teatro mental
eu posso acreditar que são melhores? um engano!
eu mergulhada na projeção de um ideal estético como afirmação
do meu ser antropológico
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh suprema beatitude de pensar-me consciente de mim
observando o real...
que falácia...és uma grande fraude...
és como Raskolnikov, um estudante miserável que sonha, acredita
ser um gênio...tens um machado, uma teoria? tens algo que possa dividir?
não interessa o que pensas
tu, com o que ameaças?
é demasiado amarelo!
"e há tantos gênios-para-si-mesmos sonhando,
com tantas certezas, eu, que não tenho nenhuma, sou mais certo,
ou menos certo? Não, não creio em mim...Há tantas
aspirações nobres e lúcidas e quem sabe se realizáveis, a história quem
sabe, não marcará nenhum" (lembrando da Tabacaria, Álvaro de Campos)
Agora que meu irmão foi pra guerra, para a África,
com tribos muito desenvolvidas
que saltam, e não vão até o chão como a gente...e campos de refugiados...os maiores do mundo...
outros ficam aqui, pensando...para a Guerra e para a África, tem noção?
o importante pra se dizer nesses lugares, hein Sâmara??
aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
cavo a própria realidade que me exaure de tanto enrugar
a testa
como se fosse tão complexa e representasse algo no mar infinito da realidade,
eu sou só mais uma que mergulha...
pra que?
me digam para que?
Ah..por que fazer arte é amplo demais... numa pergunta de quem ainda não sabe nada
da vida...é uma iniciante.........foco, foco..foco..rugas na testa...
o foco está ali...
eu o vi, logo quando cheguei, foi como um tiro, eu senti o peito num espasmo de uma palpitação inútil,
e quanto mais o tempo passa, mais ridícula me sinto... mais presa no meu próprio teatro...
a terapia, eu não sei mais...acho que não sei...
o fluxo....eu estou cansada, diria do amor agora, mas hã???? férias, é melhor...
Muitas provas seguidas, aprovada Sâmara? poliglota?
quero ver...
A forma estética aprovada vinda de discursos, um projeto aceito,
uma utopia antropológica...Uma mistura de A última gargalhada que
veste um papel que se aprova e se faz homem ali, junto ao Homem que ri, aquele
mostra ao outro, sorrisos cirúrgicos...mas e o concreto, o real?
Este, agora, só aquece...só é quente...e eu fico lembrando de todas as minhas
reações ridículas perante a minha realidade, o meu olhar que diz do coração que pula
no peito, vendo o vermelho vestido descendo as escadas sem encontrar com o meu amarelo,
há lentes, há cigarros, livros e eu lhe digo, que não há nada Sâmara, a não ser o seu 
teatro mental,
e tudo isto me parece tão inútil..afinal, eu não sou Danto, nem Wittgenstein, Kant...porra nenhuma...
E pretendo falar como se fossem eles...ahhhhhhhhhh como vc é ridícula, Sâmara.
Poderia dizer as suas míseras impressões políticas na Antônio Carlos, das pichações pintadas no viaduto, eram importantes as pichações revolucionárias, rsrs do outdoor da Coca-Cola com a foto do Papai Noel dizendo: Otimismo, um pouco a frente e da chegada à Universidade, um jipe do exército saindo com um soldado negro lindo no seu teatro mental de poder que sorri. Me vi, enfim, pensando-me como filósofa que acima observa a realidade e sorri, poderia tentar ter considerações nobres, altas e lúcidas..poderiam ser úteis...tamanha ingenuidade...
Poderia dizer da Mostra de filmes de Expressionismo alemão...mais inútil ainda...dizer o que?
o quanto me apraz sentir obras primas como aquelas? o que importa para o mundo, todos já sabem dos clássicos, Sâmara...
Poderia calar-me, mas não posso. Como ignorar meu testemunho?
Por mais inútil que seja,
é precioso, pois é realidade concreta e, não do dever-ser...que cansa!!
Mas se o meu concreto tá cristalizado no meu teatro mental? é possível?
O que fazer?
duvidar de tudo não vai resolver, só sentir tbm não...só contemplar tbm não...
ich...Eduque-se, cresça, apareça, mude...
"Ela significará o indizível ao representar claramente o dizível." Witt
Ich möchte ein Bier! vai, pede uma cerveja dizendo com sons que saem da garganta seca
do alemão, Uiiii que genial, aaarrrhhh Sâmara..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

quarta-feira, novembro 13, 2013

Eu a vi hoje..

Conseguiu, virou um ser amarelo de vez
em todos os pêlos possíveis...
Tá mas o que muda?
estetização do amarelamento?
ah eu assumo que mudo pintando a cara,
a cabeça, a sombra sobre os meus olhos...
E dane-se o olhar do outro, eu tô tão eu que não importa-me
a sua aprovação, reprovação...
Tô me achando maravilhosamente artificial...
Como um artífice disfarçado tingido
manipulo minha estética que viola a sua imaginação
impondo-me a mim mesma muito mais
iluminação chamando o olho para a visão.
Eu, agora o ser sem medo de ser ridícula..
Sem medo de pós docs...
E sem assediar ideais...afinal, eles existem somente.
Melhor não fazê-los descer dali.
Eu subo até aí...pra depois criar outros, ou perdê-los de vez.

A estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Bandeira

sexta-feira, novembro 08, 2013

REestetização

Bom, tudo está muito bem desde a desartifização da arte
para uma nova estética
no meu peito um teste, uma visão, ela como coração da Filosofia
diga-me como Danto, explique-me melhor, argumentos...please
Tá, eu a vejo como a primeira sensação do mundo, depois a linguagem..
talvez por isso..
Mas vamos lá, filosofar sobre as sensações, só depois de senti-las..
A Kant vai diferenciar sensação de sentimento, ok
mas não vai ser agora que eu vou pra Königsberg com a Crítica da Razão
Pura embaixo do braço...
Mas enfim, eu não precisei ir até eles...vieram até mim,
eu sinto, deve ser o verde e o amarelo que há em mim
procura de subjetividade nenhuma talvez
não se subestime
Sâmara
nem tudo é desejo objetal...nem tudo é indústria cultural...
ah...para...foi ver qual é, tenho certeza...
e eu querendo me exibir...que droga...
pura insegurança...
ah, não preciso provar mais nada pra ninguém
informiere
deklariere
e se vários exemplos citam Schoenberg, eu com meu
Pierrot Lunaire, pra que?
diz o que pro mundo,
ah minha sensibilidade estética não está no meu batom..
ah dane-se, para uma nova reestetização, inteiramente..
Putz, eu perco o rumo com tantos bons,
mas nem a eles eu quero me prender.

sexta-feira, novembro 01, 2013

Uma cama de ferro e unhas limpas, um sonho...

Ok, eu desisto
de amar o desespero da prisão
do riso máscara na solidão dos dentes
todos juntos
do olho direito mais fechado num sorriso
de soslaio
ok, eu desisto
das leituras no clube nos fins de tarde
dos vinis todos
da minha bagunça
enfim
no fim
é sempre assim
devolve-se todas as coisas
e não inventa-se mais motivos para sermos felizes ou
infelizes
inventamos outros motivos para o nosso prazer e desprazer...

seja nos poemas eróticos que nem sequer foram
presenteados para o Ideal
uma desculpa banal do medo, da fraqueza
ok..não arrume desculpas para a sua dor
vc mesmo disse: Minha cabeça quer doer...!
doa, quando quiser, assim eu sei que o faz...
mas por favor pare de amar tanto o limite
livre-se das grades, do comércio, da vida doméstica velha com os mesmos
problemas,
do cordão umbilical...ou não...seja como é...
Mas peço-lhe, tente fluir as emoções de forma menos
vermelha na pele...tente...eu peço...
eu o amarei sabendo disto.
Seja feliz, eu espero vê-lo bem, é o que quero.
E preciso de ideais, ok. Já disse o que significam,
sinto muito se não consegue lidar com isto...
e não precisa deles...
não conseguimos lidar com muitas coisas...
porém não desistiremos..da unificação!
Obrigada por me lembrar como é amar...
ok, ok, ok, ok, ok...
o que é ok?

terça-feira, outubro 22, 2013

Beta Transcende entrega

Digo para não assustares comigo,
de fato, permaneceu pálido..
Entrego o salto para as ondas que balançavam
em tuas mãos,
levanta-te e pões todo o mar logo a minha frente
quer que eu mire...
Uma metáfora interessante diz,
eu me apego à tua expressão,
digo do curso, da lógica, do seu jeito
pareces simples agora,
não mais à postos para atacar ou defender-se...
Digo da linguagem, digo de gostar
e no fim eu não sei se eu queria era te abraçar..
E beijar tua nudez, que falaria à minha alma toda
a sua filosofia...
E agora eu sei, não quero me curar disto.
Eu sou meu universo, e nele você é o melhor dos
meus ideais.
Eu não minto, se é o que sinto.

terça-feira, outubro 08, 2013

Sim, no eu creio...

Não, não creio da minha unificação
ser coagulada de fora para dentro
mesmo que todos neguem tal fruição
que sente e representa no centro
o eu sinto.. sim! a necessidade da substância
que se faz presente em todo momento
para conferir linearidade às circunstâncias
Em toda percepção há somente minha mudança...
pra que ser negado?...não adianta fugir mais
quem pede amor perde os ais inflamados
daqueles intensos mares da paixão
desce daí! do ideal, da projeção..
Afinal, ser somente estados, nem mete sentido..
Liberdade, finalidade, vontade...todas invertidas..
vistas como efêmeras, investidas do ambíguo
no eu que viu, lábil já sumiu...
Então, a fuga fincou seus pés, diante à janela e disse:
-Eu não poderia ter ido!
tentando ver algo novo na paisagem, não mentiu
Ficou pra saber o que sentiu..sente o ente..

segunda-feira, outubro 07, 2013

Aforismo: Fugir no presente não mudará as sensações passadas..

Com teu gozo, perdi-me na clareza de senti-lo cada
vez mais próximo
o medo de ficar presa entre a janela e grade, gritou...
Para o bem da Filosofia,  que seria o meu bem,  eu só pude pensar na fuga..
pois eu sempre fujo...quando a intensidade da paixão
se propõe a representar o amor...é nessa hora que 
eu "pico a mula"..
Mas é medo do desconhecido ou é medo do igual?
Medo da repetição...
Sim, eu sou ridícula, 
desejante da representação do amor, 
mas a lava é paixão...
agora amor, não pergunte-me como,
nem quando, o amor está no supermercado
no sábado a noite...eu acho...
E agora a representação é escolha?
Ou estou tentando racionalizar sentimentos?
Sentimentos são racionalizáveis?
ok, sem extremos, eu não vou mais fugir...
"Sie wird das Unsagbare bedeuten, indem sie Sagbare
klar dastellt." Wittgenstein


sexta-feira, setembro 27, 2013

Eu nado no nada, e a Hilda inunda tudo..

I
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

II
E só me veja
No não merecimento das conquistas.
De pé. Nas plataformas, nas escadas
Ou através de umas janelas baças:
Uma mulher no trem: perfil desabitado de carícias
E só me veja no não merecimento e interdita:
Papéis, valises, tomos, sobretudos
Eu-alguém travestida de luto. (E um olhar
de púrpura e desgosto, vendo através de mim
navios e dorsos).
Dorsos de luz de águas mais profundas. Peixes.
Mas sobre mim, intensas, ilhargas juvenis
Machucadas de gozo.
E que jamais perceba o rocio da chama:
Este molhado fulgor sobre o meu rosto.

III
Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como que come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.

IV
E por que, também não doloso e penitente?
Dolo pode ser punhal. E astúcia, logro.
E isso sem nome, o despedir-se sempre
Tem muito de sedução, armadilhas, minúcias
Isso sem nome fere e faz feridas.
Penitente e algoz:
Como se só na morte abraçasses a vida.
É pomposo e pungente. Com ares de santidade
Odores de cortesã, pode ser carmelita
ou Catarina, ser menina ou malsã.
Penitente e doloso
Pode ser o sumo de um instante.
Pode ser tu-outro pretendido, teu adeus, tua sorte.
Fêmea-rapaz, ISSO sem nome pode ser um todo
Que só se ajusta ao Nunca. Ao Nunca Mais.

V
O Nunca Mais não é verdade.
Há ilusões e assomos, há repentes
De perpetuar a Duração.
O Nunca Mais é só meia-verdade:
Como se visses a ave entre a folhagem
E ao mesmo tempo não.
(E antevisses
Contentamento e morte na paisagem).
O Nunca Mais é de planície e fendas.
É de abismos e arroios.
É de perpetuidade no que pensas efêmero
E breve e pequenino
No que sentes eterno.
Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.

VI
Tem nome veemente. O Nunca mais tem fome.
De formosura, desgosto, ri
E chora. Um tigre passeia o Nunca Mais
Sobre as paredes do gozo. Um tigre te persegue.
E perseguido és novo, devastado e outro.
Pensas comicidade no que é breve: paixão?
Há de se diluir. Molhaduras, lençóis
E de fartar-se,
O nojo. Mas não. Atado à tua própria envoltura
Manchado de quimeras, passeias teu costado.
O Nunca Mais é a fera.

VII
Rios de rumor: meu peito te dizendo adeus.
Aldeia é o que sou. Aldeã de conceitos
Porque me fiz tanto de ressentimentos
Que o melhor é partir. E te mandar escritos.
Rios de rumor no peito: que te viram subir
A colina de alfafas, sem éguas e sem cabras
Mas com a mulher, aquela,
Que sempre diante dela me soube tão pequena.
Sabenças? Esqueci-as. Livros? Perdi-os.
Perdi-me tanto em ti
Que quando estou contigo não sou vista
E quando estás comigo vêem aquela.

VIII
Aquela que não te pertence por mais queira
(Porque ser pertencente
É entregar a alma a uma Cara, a de áspide
Escura e clara, negra e transparente), Ai!
Saber-se pertencente é ter mais nada.
É ter tudo também.
É como ter o rio, aquele que deságua
Nas infinitas águas de um sem-fim de ninguéns.
Aquela que não te pertence não tem corpo.
Porque corpo é um conceito suposto de matéria
E finito. E aquela é luz. E etérea.
Pertencente é não ter rosto. É ser amante
De um Outro que nem nome tem. Não é Deus nem Satã.
Não tem ilharga ou osso. Fende sem ofender.
É vida e ferida ao mesmo tempo, "Esse"
Que bem me sabe inteira pertencida.

IX
Ilharga, osso, algumas vezes é tudo o que se tem.
Pensas de carne a ilha, e majestoso o osso.
E pensas maravilha quando pensas anca
Quando pensas virilha pensas gozo.
Mas tudo mais falece quando pensas tardança
E te despedes.
E quando pensas breve
Teu balbucio trêmulo, teu texto-desengano
Que te espia, e espia o pouco tempo te rondando a ilha.
E quando pensas VIDA QUE ESMORECE. E retomas
Luta, ascese, e as mós vão triturando
Tua esmaltada garganta... Mesmo assim mesmo
Canta! Ainda que se desfaçam ilhargas, trilhas...
Canta o começo e o fim. Como se fosse verdade
A esperança.

X
Como se fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisse
Com colibris na boca.
E candeias e frutos, como se fosses amante
E estivesses de luto, e Ele, o Pai
Te fizesse por isso adormecer...
(Como se se apiedasse porque humana
És apenas poeira,
E Ele o grande Tecelão da tua morte: a teia).
Como se fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o Fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO...
O amor e sua fome. 

Hilda Hilst

sábado, setembro 21, 2013

Ele, o real candente

Depois de flores, isqueiros, muita água e filosofia que é vida
vi que sou feliz ali
quando digo e vivo o mundo da maneira que
o compartilhamos no entendimento
pois somos ambulantes que amam
ansiando
saber os porquês da vida, amando tanto
sem saber o por que
e mesmo que critiquem-me por
ansiar um amor justificado
o qual dizem não ser possível
eu sei que estou no caminho
e a realidade finca e sustenta
todos os dias, pra que eu encontre-me
sempre, e  não esqueça jamais que já me perdi
Pois meus olhos viram um risco de Deus no céu da minha realidade
infinita

e
s
t
r
e
l
a
-
c
d
e
n
t


s. f.
Fenómeno luminoso provocado pela deslocação de um corpúsculo sólido, quase sempre de pequenas dimensões, tornado incandescente em consequência da fricção nas camadas atmosféricas.
outra vez
e a queda que anseia ascendência no desejo não foi por amor
logo, não me reconheci, que raro
como assim?
a vida inteira foi só isso que eu pedi à realidade
Há algo de errado..
ou eu inventei o amor que mira em discurso..
pensamentos que pedem aplausos reverenciados,
acordo de seres que anunciam
e pedem também
olhar, atenção, admiração, embate, encontro, continuação, imaginação
criação, aplicação ao coração apoiado no real dos sábios
tá bom, isso suponho semelhança ao meu sublime amor
numa sapiência sexual e sensual interminável
E ali nos apaixonamos a cada dia mais
e tudo vai surpreendendo-me por ser tão certo
tão inteiro, em tamanha conformidade com minha forma, que me assusta...
E tenho medo de novo, de ser tudo sonho.. ok, la vida es sueño...
Mas como sonho se a minha verdade é realidade agora?
Ah...é só medo de cair do voo..
será agarrar-me numas asas abstratas?
Como pode negar tua nova invenção do real?
Se não sabes lidar com tanto amor por ele
pois o medo agora é de morrer e deixar de amar
o todo que é, unido ao eu sou.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Óide a dor



E no dorso pulsam os nódulos
será na expressão plácida vá toda tensão viver ali?
Algo de sereno, e obviamente hormonal aquieta-me no resto,
As ânsias foram para trás, em meio às escápulas..o serrátil sendo agulhado
especificamente.
E se eu soubesse escrever sobre a dor
diria do meu serrátil pulsante?
Que quimera inútil...

Estalados mudos, radiados num espaço minúsculo do dorso
formam a minha corcova de descargas,
de impulsos elétricos
sem nenhuma expectativa...
Aliás, vai ver é no rombóide maior...
Rombo+ óide
rombo = arrombamento
óide = ?

Que rima com
imbecilóide e principalmente
debilóide






óia o óide aê...

Do grego antigo εἶδος (eîdos) ("aspecto", "aparência").

Ou seja, digo das picadelas no dorso aparência...na fenda do aspecto.





quarta-feira, setembro 18, 2013

Bom conselho

Se tens razão e coração, mostra somente um deles,

Por ambos te condenariam se os mostrasses juntos.

Friedrich Hölderlin

sábado, setembro 14, 2013

O ideal como ser necessário..

No CEU foi só poesia,
E o ideal perdeu-se frente ao real..
Que bom!
Agora o ideal é o real.
Talvez isso seja ser feliz.
Ser o que se quer,
e as "aspirações altas e nobres e lúcidas"
seria reconhecer que o ideal
é amar o real.
Porém, nego,
não concebo suprimi-lo, seria como estacionar-me
na vaga do presente..
o ideal deve existir como sentido unificante,
não impedindo o presente de ser pleno
e sim impelindo-o pra si
no rumo do desejo que é centro
do ser que se faz necessário..

Devaneios cortantes no xadrez da pele..numa epiderme que pede calma pra alma..

Agora eu escrevo pelo olhar do outro
aquele que queria ser destruído
mas se refaz..ao menos é o que diz,
e eu de fato gostaria de vê-lo inteiro..
Não como heroi, ou anti-heroi
mas como aquele que deixa de ser coisa
e assume-se humano, que se conserva em uma
filosofia do abraço...sem punição, seremos sarados
Como a consciência que busca unificar-se em
algum sentido,
que seja filosofia, formas e cores, natureza,
abraços..
Inultimente a moral faz-me aconchegar em sons de violino
que gritam sem cortar a pele, pois já o fazemos na alma..
sem entender o sentimento, os centímetros que nos separam,
e parece-nos como a cura para ambos...
Numa cura afoita, que pede abraços de novo..abraços novos.
O vinil já acabou, e agora, qual será a trilha da sexta treze
que não fez mais pessoas se transformarem em coisas
mas em subjetividades plenas de vida, complexas e falantes.
Continuo no Paganini? sim, vou só virar o lado do disco..
ah, agora são muitos violinos, nem tão cortantes
como um só...
Na noite passada tive um sonho,
me manipulavam pelo mamilo,
sem poder pensar, pelo toque que ligava o desejo e impedia-me
de ser livre,
por isso não fui sair pra ser coisa hoje...
E voltei com uma aliança ao lado, que com herdeiro
não soube ainda dar sentido..Mas o que passa, com o humano
que ri, com a boca aberta e os dentes todos à vista?
E me cheira, sem escrúpulos?
Sou eu, que canto violinos que abraçam?
sou eu?
O sangue que me tiraram hoje, foi só um exame..
A cerveja, foi só um deslanche pra ir embora com minha companhia
de narinas que escorreram em pura carência de aromas,
a mesma que eu me identifico...na busca.
Eu que busco o cheiro do ideal que não faz cortes em xadrez
num jogo mutilado, pois já estamos fartos dos cortes,
afinal o ideal é platônico quer queiram ou não..
por isso, estou em casa, na sexta treze,
sem ser coisa, o desejo melancólico hoje se tornou sublime
por aspirar e vislumbrar o belo que não nos humilha
ao nos tornar contentes por viver..
E ver, a vida que escolhemos ter,
afinal escolhemos tudo,
e não somos mais vítima,
somos filósofos,
seja no negro possuindo o ponto branco,
ou brancos contidos no ponto negro,
somos assim,
humanos..
Livres, para amar e sermos felizes...com finalidade de
ética nicomaquéia e comum aos comuns...
e não digo de discursos ilusórios,
digo de verdades de cada um..
E é tudo, a realidade não nos consome mais,
pois sou e você que a unificamos em nosso ser, ou pelo menos
tentamos..
Os violinos não cortam mais,
eles cantam o belo e o sublime.
E agora, ainda preciso de outro tom, para finalizar o pensamento,
posso escolher, as modulações,
a ver..pera..
Ópera de Verdi, pra anunciar meu grito
que tende a sonorizar as minhas misérias que não são definitivas.
Ich, acho que essa ópera não diz nada de mim,
meu grito não é sóbrio e harmonioso,
melhor tirar..pera...
Vai de Tristão e Isolda de Wagner..
e agora sim...tá lindo...
quase romântico,
mas tudo é invenção do meu romance..
E nada é em vão..muito menos o fim de Tristão e
Isolda...
que poderá não ser triste no fim do hoje,
pois somos inteiros e nos abraçamos,
sempre,
depois do beijo no canudo do suco
de maracujá do Mc Donalds...
após nossa dialética anti-capitalista do sujeito
como objeto-coisa.
Espero que amanhã faça sol pra eu ir ao CEU...

Primeira sexta treze, na qual eu pude recusar as sensações
pulsantes de homens-objetos, bailando numa batucada infinitamente
sem nenhuma subjetividade que vem dos rebolados das ancas...

quarta-feira, setembro 04, 2013

Corações e florzinhas...

Agora eu percebo a infantilidade loira que permite
que eu sonhe cenas eróticas e românticas
naturais e livres...numa fantasia sem pai,
Sâmara, eu lhe digo não se ama o que deseja e deseja-se o que não se ama...
E eu digo, fodas!
Vou continuar floreando e colocando coraçõezinhos
na minha realidade
hoje ridícula...
pois, poix, Portugal é lindo, inteligente e tradutor e veio
falar-me da emancipação
do espectador em Ranciére e eu apaixonei-me no mesmo dia,
instantaneamente,
e no outro dia, hoje, eu vejo o quanto eu alimento ilusões
inúteis...
como sou ignorante no que diz respeito às expectativas
ao amor
ao desejo
ao outro...
Tudo que há em mim é sonho,
minha percepção do outro não é compatível
com a intenção deste frente a minha expectativa
infantil e carente..
Somos seres racionais, dizem-me os homens,
pensamos com duas cabeças
e vc aí com corações e florzinhas..
Ai de mim,
que sou ridícula..

sexta-feira, agosto 30, 2013

Digo Siga! nos olhos..

Passa-se tudo, a abstinência no planalto Central
as três horas de leitura diária in vacaciones...
Infiltra-se na academia, nos veem
sabem de nós,
algo da mente, do corpo e o eu que poderá
unificá-los..
A viagem não é mais "é estranho" ou "é ridículo"
ou "tudo é linguagem e relação com o outro através dela"
agora a viagem é "conspiratória"
e o bode expiatório, adivinhem só, poderá ser eu!kkkk
A estima altíssima, será viagem tbm? Não! o processo não caminha
para a autodestruição, mas na visão do desejo do outro em destruir-me consumindo..
Quem poderá preservar-me senão eu?
Sim, sou isso, sou isso também, sou aquilo, sou outra e sou eu.
Serei uma mistura de uma mulher ridícula e de Raskolnikov?
Não!!! Meu inferno é não confiar..e agora sentir os ataques, pois o desejo, ich o desejo...é mimético e violento.
Eu pressuponho sempre o amor, digo da minha essência.. (suspiro romântico...)
E desejo ser um gênio da filosofia por ser meu projeto de vida..
Eu posso ser ridícula, mas agora falarei isso somente aqui e na terapia..que isso fique claro! rs
Pois meus rompantes são sim poéticos, ditos por mim, e se o negam, que se danem.
Ontem soltei a minha versão de Epicuro: "A vida como obra de arte moldada pela virtude", depois feliz, com olhar de aprovação do prof esteta disse que ficara poético, as gargalhadas femininas ressoaram..

Sim, eu gostaria de estar num mundo masculino, e estou...talvez queira o desejo macho mesmo, o devorar-me com vontade do encontro do ser, afinal, mulher é mãe, quem entra por minhas frestas é o homem.
Enche-me matéria de matéria desejante, por que eu em líquida essência encho-me só,
já estou farta de comuns, e não há fendas que eu precise tapar com mãos e línguas e caralhos, glandes e falos, claro..
O feminino que compete pelo olhar, só vê a Sâmara, a deusa satírica, cabrita loira, pronta pro sacrifício...Mirando e tramando, vamos, vamos destruir o belo e o bom! Ela é dionisíaca e apolínea! não a queremos aqui!kkkkkkkkk ahhhhhhhhhh
Como elas desejam, ela tem de ser burra, estúpida, e por aí vai...
Eu me retiro, pois tá faltando é pau pra elas...lo siento, demasiado..
Da educação física vou de rumo ascendente à Filosofia, agora minha mãe, minha vó!
E com os homens, eu vou pra biblioteca trocar discursos em miúdos..
Meu amor platônico, mora no quarto andar, e pacientemente subo teus degraus.
Jesus meu herói, amor incontestável filosofia.. e os uspianos, esses estúpidos, não há deuses mortais na terra, seus cretinos! Eu os vi, procurando o erro em mim, e digo ficarão fixados no Siga! dos meus olhos..

domingo, julho 28, 2013

Quando foi que inventei o meu romance?

Eu percebi a catarse
Uma boa sangria em mais
Um efêmero sábado
Que se toma a segunda dose do
Vermífugo
E tenta matar os bichos que te comem
Na imaginação
E tornar-me freira já não é tão atraente como ontem..
Puta então, um desejo de morte que já é velho demais
Hoje me parece ridículo
Casamento nunca mais, e abstinência ainda
Vive, já que não existe o outro..
E se estivesses na cara, precariamente poderia ver-me
Quiçá nunca
Já que só Cristo verá, e toda filosofia será vaidade
Não há como entregar-me a outra verdade.
Hoje tapo os olhos para conter a purgação inútil que tem a causa
Num filme qualquer
Francês, onde o amor vai dentro de uma mala pra Polônia,
Com um triste fim.. Já que o meu amor virou tragédia novelesca...sim!  
O
mais importante é que ainda não resolvi
O problema do mal
E filosofar em segredo começa a virar hábito..
Minha mimese do desejo hoje está estéril,
E me sinto incapaz de cogitar o bem da santa, ou o mal da puta
O amor é divino demais e invisível à minha pupila sem seu brilho
Não há hoje nem bem nem mal, nem pau e eu falo
Sem saber do objeto, sem paixão ou vaidade
A verdade disso aqui se resume na ausência ou visão
Do desejo que é cheio de ressentimentos provindos dos sonhos
úberes que confabulo
E graças a Deus e à Filosofia perco tudo, inclusive
a posse da minha imaginação romântica.

segunda-feira, julho 08, 2013

Delírios

Sâmara: que lenga, lenga
vai ler Sâmara...
e para com esses peidos mentais...
vai que Deus manda um raio
no meio da sua testa, tem medo não?

Sâmara: -morro de medo! Prometo ler cinco livros
nas férias...eu sei que é pouco, mas em compensação tem a abstinência
até o amor chegar...

Deus: quero ver! sua mentirosa safada!
vai ficar em casa, até o fim das férias..

Sâmara: Deus, trabalho por favor, se eu ler demais
vou ficar muito inteligente! imagina eu lendo trinta anos direto
três, quatro horas por dia?

Deus: mas como vai ler e comer se não trabalhar?

Sâmara: vou dar aulas de Filosofia! e transar amando...a abstinência vai acabar!

Deus: uahuahauaha (risada maléfica)
Sâmara, vai ler...

Sâmara: tá bom! não esquece do trabalho hein..

06/07

O lápis caiu e, eu nem liguei, pode ficar sem a ponta fina..
hoje nada faz sentido, dá tudo errado mesmo,
ler pra crer,
pra saber mais?
Saber pra que?
pra ficar chata?
Não há louvores nem para a Fenomenologia do brasileiro ou Jó, ou Schiller
ou Balzac, ou sei lá...mais qual livro eu tenho comigo..
a frase melhor, foi quando curiosa, eu tão descontente quiz ver como Deus
diz algo..achei tão nervoso, parece bravo...ah e quando Ele fala pra Jó..
Diz se há alguém que saiba onde mora a luz..
Nem há vontade ser a melhor das putas ou das santas..vontade nenhuma,
nem sono, nem coceira no pé, nem vitrola, nem belas artes..
Ah! claro se tivesse um Van Gogh aqui, eu não ficaria olhando esse meu girassol,
que pede abraço, as duas folhinhas como braços abertos, ridículo..
E hoje eu descobri, que pegaria o amor de qualquer bossal, já que eu não sei
distinguir mesmo..  e nesta carência infantilóide é melhor nem sair de casa.
E os meus quadros na parede, eu me sinto no mito da caverna, olhando as sombras...
Sâmara, a bossal..
Nem filosofia alguma dá jeito hoje, e nem é tpm...eu queria, pode ser ópio, qualquer anestésico,
pode ser poesia junto.. Sem pica e a porra do amor, que eu já tô de saco cheio de crenças inúteis..
Esse negócio de eu ser essência "amor" , Deus "amor"..vai se #@$##
Talvez aquele meu pigmeu predileto, cérebro incrível, minha platônica ideia "eu queria ser como vc", tenha razão.. e quem sabe há mais prazer em desconstruir tudo mesmo..já que tudo que eu possa fazer, construir, não valerá de nada mesmo..
Nem se eu tivesse muito dinheiro hoje estaria feliz..kkkk
ah! nem teses, e milhões de páginas...nem milagres!
Mentira! milagres me fariam feliz.. o milagre da felicidade, do amor, eu tenho vontade de me socar quando
realmente é isto que sinto...pegar esse lápis e emular o Édipo, furando o meu olho direito, mas a ponta nem tá boa, né..kkk
Deve ser sono, Deeeeeeeeeeeeusss.... eu quero o mal e o bem, mas eu só fico em casa mesmo...
 eu não quero nada, portanto sono, dê-me o nada dos sonhos...
ah..a luz mora dentro do Sol, né..?

05/07

Voava pela Índia, havia montanhas em cores outonais e rios com águas lentas e escuras..
Eu como Hermes, voava sobre tudo..
Trouxe algumas mudinhas de cores dos buganvilles de lá..
A vida acontecia sobre a água..

04/07

São tantas as letras que, formam tantas palavras e, sinceramente
eu espero que tenham produzido algum significado..
Fiquei feliz em passar com o minímo, em Lógica e Introdução...
pelo menos minímo..
Triste por ser possuída por estados mentais desproporcionais,
ao meu tão esperado currículo filósofico..
O tempo tão disponível para as letras, que para tantos, eu continuo
em contínuo ócio..
Feliz por Platão minimamente introduzido junto à Aristóteles, mais infímo ainda..
Feliz pelo acesso à biblioteca..rs Triste pela condição de minímamente em relação à ela..
Depois desta grande peripécia, infalível, faço do instante trágico, a combinação do que sempre
fui, assumo-me para transformar-me..
Aquela que é sentidos por demais, mística por demais...nem sei se posso dizer da razão e da sensibilidade..
pois aquela droga de Descartes e posterior Russell...pedem-me, incitam a dúvida.. Eu duvido até das certezas.. E se tudo era poesia, agora é tudo mentira..aliás, mentira e verdade em mim...uiii A verdade é que todos veem minhas mentiras, e o que é verdade é só o que eu vivo..
Mesmo assim, é na poesia que tenho liberdade..e quisera eu, poetizar a minha vida medíocre, filosofando, sentindo, amando..blá blá blá
Mas já que eu descobri que os personagens perfeitos do romance são a mais pura falácia..eu pensava que era o sentimento que os tornavam perfeitos...aquele sublime..aquele do coração..blá blá blá
Tá, já sabem da espontaneidade..e dizem ser bom...dirão do péssimo trato com as provas.. da lúxuria, do exagero do sentido buscado no gozo, no belo, dá pra unir a razão e o sentido, a filosofia e a libido...eu sonho..
Os falos e glandes, param de brotar na realidade.. Eu volto pra dentro.. E agora em todo momento penso,
ich...era pra eu estar lendo..tá chato..
E a virtude no plural, faz alma, canta ó musa! reminiscência, vai, eu vi..segundo Platão..ahhh Eu corpo e pensamento, sexo e palavra. Mas enfim, eu preciso aprender a ganhar dinheiro..Lembrei do cara de novo, aprender a morrer, amar e trabalhar..ah Platão, eu preciso não é só ler??????????